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sábado, 13 de maio de 2017

RACISMO ESTRUTURAL E SUSTENTABILIDADE

Rafael Santos, REDE Sustentabilidade
A sustentabilidade envolve quatro conceitos básicos sobre o mundo; ecologicamente coerente, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso. A sustentabilidade, portanto é pluridimensional, não dá pra pensar no ambiental, sem falar em outras dimensões que envolvem esse conceito.
Racismo é um fenômeno de valoração, é uma construção social.
Atrelada ao escravismo, o racismo se constituiu junto com o Brasil. Aceitando ou não, o racismo constitui as relações sociais no seu padrão de normalidade. Assim em nossa sociedade, o racismo constitui não só as ações conscientes, mas as ações inconscientes. O racismo estrutural não é algo anormal, mas normal no funcionamento da nossa sociedade. Como estrutura e funcionamento da vida social.
A sociedade brasileira naturaliza a violência contra pessoas negras. Exemplo disso é que comprovadamente no Brasil 58,86% das mulheres negras são vítimas de violência doméstica, 53,6% das vítimas de mortalidade materna e, entre 2003 e 2013, houve uma queda de 9,8% no total de homicídios de mulheres brancas enquanto os assassinatos de negras aumentaram 54,2%.
Em que medida as instituições públicas e privadas reproduzem essa logica e quais são os fatores que fazem essas manifestações serem possíveis dentro de uma construção social como a nossa? Mulheres negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas que as brancas e 65,9% já foram vítimas de violência obstétrica.
Outro dado alarmante é que 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2012. Desse total, 30 mil são jovens, dos quais 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticada por armas de fogo e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.
No plano da cidade, existe um grupamento populacional que sofre os riscos ambientais comprovando nossa condição de racismo ambiental. Exemplo disso é a localização dos lixões em todo território nacional. Nós, de alguma maneira, naturalizamos a violência contra pessoas negras, gerando efeitos desproporcionais como esses.
O racismo estrutural é um fato, não que devemos aceitar, mas sim admitir que essa logica permeia nossa sociedade e constitui nossa relação em sociedade. O fato de pessoas negras frequentarem certos ambientes e isso nos causar espanto demostra o quanto naturalizamos a ausência de pessoas negras em certos espaços. Essa dimensão do racismo quer nos mostrar que o problema está presente na economia, politica e subjetividade.
É importante discutir e propor contornos para resolver esse problema, afinal, se o racismo cresceu com o Brasil, ele é problema nosso e não só da população negra. Datas como 13 de maio são importantes pelo seu valor simbólico e pelo seu caráter “descomemorativo”. Até porque, quando falamos em uma sociedade que ainda mantém racismo, estamos falando de uma sociedade doente.
Somente analisando e discutindo a maneira como lidamos com o outro e tentar resolver esse problema, estaremos caminhando para uma sociedade justa, plural e, portanto, sustentável.
Rafael Santos é membro da REDE Negra
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