quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

NO BRASIL, SE REPARTE O BOLO ANTES MESMO DELE IR AO FORNO

Por Caio Rocha, professor de História, especial para o blog Sou Chocolate e Não Desisto
Qualquer país que se proponha a ser desenvolvido economicamente e socialmente necessita repensar todas as suas práticas políticas. Mais eficiente que distribuir esmolas é gerar empregos, ou "ensinar a pescar". Mais eficiente que dar bolsas assistenciais é fazer com que as pessoas produzam e sejam remuneradas por isso.
Quando a atividade industrial de um país aumenta, mais pessoas são incorporadas ao PEA (População Economicamente Ativa) e passam a receber salários. Estas poderão ter um padrão de vida melhor do que o que se tinha antes e, se buscarem melhorar a sua qualificação profissional, certamente terão chances de ascender socialmente.
O Brasil possui severos gargalos em sua economia e que impedem o "bolo" de crescer de maneira mais robusta, a começar, por uma crônica falta de planejamento da equipe macroeconômica do Planalto, de governos estaduais e municipais. O Governo Federal, como resposta à crise econômica internacional, estimulou enormemente (e erradamente) o consumo, como forma de evitar uma recessão.
As classes mais baixas tiveram facilidades históricas de adquirir um carro ou uma casa própria, com reduções de taxas de juros de financiamento e alíquotas de IPI zeradas. Vale ressaltar que o Produto Interno Bruto pouco cresceu. No governo Dilma, por exemplo, pouco mais de 2%. E para variar, somos escravos do modelo rodoviário. Resultado: estamos vulneráveis às variações ascendentes do preço internacional do petróleo, já que a gasolina é um produto dele derivado.
A estatal brasileira de capital misto, a Petrobrás, recentemente anunciou aumento de 4% no preço da gasolina e 8% do diesel, uma vez que importa uma parte do combustível que vende em suas bombas. E em um país de dimensão continental, há muito "ouro negro" a ser explorado, mas para isso é preciso aumentar a concorrência no setor de produção e refino, para atender à demanda que o ritmo da economia impõe e manter os preços estabilizados.
 Obviamente, a elevação dos preços impactará na inflação em todas as áreas do setor produtivo e certamente porá rédeas nas contratações com carteira assinada. Dar de um lado e tirar do outro é paradoxal. O consumo elevado sem uma indústria eficiente e forte que lhe permita ampla taxa de lucratividade gera inflação de demanda. Assim, os produtos encarecem.
Então, as autoridades monetárias se vêem obrigadas a elevarem as taxas de juros. Recentemente, o COPOM, que é o Comitê de Política Monetária do Banco Central aumentou a taxa de juros para o patamar de 2 dígitos, 10%a.a. In suma, o tipo de interferência do Estado brasileiro na economia tem trazido um custo alto para a nossa industrialização.
Enquanto isso, os gastos públicos crescem opostamente à produção de riquezas. A dívida pública ultrapassou 2 trilhões de reais. Quase triplicou em dez anos de governo petista. Gastamos mal o que arrecadamos. Obras de impacto relevante tiveram seus custos encarecidos e suas conclusões são imprevisíveis, como a transnordestina ou a transposição do rio São Francisco. O país está com péssima reputação internacional.
Se continuarmos a não levar as coisas à sério, em uma década viveremos uma infernal crise fiscal ao estilo grego, onde para curar o paciente se ministrou remédio amargo: contenção de gastos, principalmente em infra-estrutura.
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