EXCLUSIVO: Eduardo Bolsonaro mora em casa de luxo de R$ 6
milhões no Texas
Eduardo Bolsonaro tem seus bens bloqueados pela justiça
brasileira. Ele não diz publicamente se trabalha de forma remunerada
nos Estados Unidos, apenas que “mora de aluguel” e tem dificuldade para pagar
contas. Ao mesmo tempo, o deputado federal cassado no Brasil mora em uma mansão no
Texas que oferece “uma vida de resort”, de acordo com anúncios
imobiliários.
O Intercept Brasil localizou o refúgio
luxuoso do filho de Jair Bolsonaro na cidade de Southlake, entre as
comunidades mais
ricas do país. E tocamos a campainha. Fomos recebidos pela esposa de
Eduardo, a coach e influencer Heloísa Bolsonaro, que confirmou educadamente que
sua família morava ali e se recusou a conceder uma entrevista.
Avaliada em torno de R$ 6 milhões, a casa já foi colocada
para alugar por cerca de R$ 30 mil por mês, segundo anúncios imobiliários
ativos até fevereiro deste ano. O luxo e os custos do imóvel evidenciam um alto
padrão de vida e levantam dúvidas sobre como Eduardo se sustenta desde que se
mudou para os Estados Unidos, em fevereiro de
2025.
A Polícia Federal já investiga se o ex-deputado federal pelo PL de São Paulo está sendo bancado com o dinheiro sujo do banqueiro Daniel Vorcaro, de acordo com G1.
Na sua última prestação
de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, antes das eleições de
2022, Eduardo declarou um patrimônio de R$ 1,76 milhão, do qual R$ 1 milhão
corresponde a um imóvel financiado. Ainda declarou R$ 160 mil de um imóvel
quitado e R$ 600 mil depositados no banco que foram obtidos, segundo ele, pela venda
de um curso online.
Em um vídeo publicado
no Instagram em 17 de maio, Eduardo Bolsonaro negou ser dono de uma outra casa
nos Estados Unidos, em Arlington, que foi o foco de várias reportagens na imprensa
brasileira nas últimas semanas. Ele também afirmou que mora “de
aluguel” e, inclusive, revelou que tem dificuldades para “honrar as parcelas”
do financiamento de um imóvel “parcelado em décadas” no Brasil.
Em uma live com o amigo Paulo Figueiredo divulgada no mesmo
dia 17, Eduardo afirmou que se mantém nos Estados Unidos com “renda
passiva” e citou que recebeu R$ 2 milhões de uma campanha feita
pelo pai. Jair Bolsonaro revelou,
em junho de 2025, ter feito uma transferência via pix neste valor.
O ex-deputado federal não citou na conversa, entretanto,
outros repasses ou fontes de dinheiro nem explicou por que ele não conseguiria
pagar as prestações da casa financiada no Brasil se recebeu R$ 2 milhões.
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O Intercept confirmou o endereço onde Eduardo vive em
Southlake a partir de registros públicos do estado do Texas, dados comerciais
de inteligência, do cruzamento de publicações da própria família Bolsonaro nas
redes sociais e reportagem de campo.
O próprio Eduardo Bolsonaro também ajudou a confirmar nossa
apuração ao registrar um boletim de ocorrência na polícia após um repórter do
Intercept ir até a residência para verificar a informação e pedir uma
entrevista, na sexta-feira passada, 22.
Ao chegar até a mansão, em uma rua que tem acesso público e
livre, ele caminhou pela calçada e tocou a campainha. Heloísa, esposa de
Eduardo, abriu. O repórter informou que trabalhava para o Intercept, perguntou
se o ex-deputado estava e se o casal estava disponível para uma entrevista.
Após a negativa, agradeceu e foi embora.
Minutos depois, Eduardo acionou a polícia local alegando que
um indivíduo estava batendo na porta e rondando a casa. Os policiais estiveram
no local para atender o chamado.
No boletim de ocorrência, ao qual tivemos acesso, e em
resposta ao Intercept, a polícia de Southlake informou que não há investigação
aberta sobre o caso – ou seja, não houve crime. Nos Estados Unidos, o exercício
livre da imprensa está garantido pela Primeira Emenda da Constituição.
No entanto, o clã Bolsonaro e seus aliados passaram o fim de
semana acusando falsamente o Intercept de crimes e proferindo ameaças em
antecipação a esta reportagem.
O Intercept tentou um novo contato com Eduardo nesta
quarta-feira, 27, para questioná-lo sobre os pontos citados nesta reportagem.
Não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.
Mansão à beira lago foi alugada em fevereiro
A mansão onde mora Eduardo Bolsonaro pertence, desde 12 de
setembro de 2019, ao Bunce Family Trust, um fundo familiar privado registrado
em nome dos trustees, os administradores legais, Christopher Bunce
e Natalie Bunce. O Intercept tentou contatá-los, mas não obteve retorno até a
publicação desta reportagem. Trust, no direito dos Estados Unidos,
é uma figura sem equivalente exato no Brasil, mas com lógica próxima à de uma
holding familiar.
Até fevereiro passado, a mansão estava disponível para alugar e foi listada pela corretora Sotheby’s, conhecida pela atuação no segmento de imóveis de alto padrão. O valor anunciado era de 5.950 dólares por mês – cerca de R$ 30 mil mensais. Um anúncio em outra plataforma de locação informa que a casa foi alugada em 4 de fevereiro de 2026.
Anúncios imobiliários ativos até fevereiro deste ano mostram
estrutura da mansão (Fotos: Homes.com/Reprodução)
Com quatro quartos e piscina, a mansão onde Eduardo mora no Texas tem 424 metros quadrados de área total construída em um terreno de 1.366 metros quadrados. Também desfruta de acesso a um clube com quadras de tênis e a uma lagoa.
No Zillow, o principal portal imobiliário dos Estados
Unidos, a propriedade é avaliada em 1,22 milhão de dólares (mais de R$ 6
milhões) – quatro
vezes maior do que a média do estado.
Eduardo vive fora do Brasil há mais de um ano
O paradeiro de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos é
rodeado de mistério desde que ele saiu do país, em fevereiro de
2025, e começou a articular à distância medidas contra o Brasil – o que o
tornou alvo de uma investigação aberta
pelo Supremo Tribunal Federal, o STF.
Os registros oficiais da Câmara dos Deputados mostram que
Eduardo, então deputado pelo PL de São Paulo, entrou com pedidos de
licença de 122 dias, em 20 de março do ano passado. A justificativa do
afastamento foi por motivos médicos e para tratar de assuntos pessoais.
Mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept mostram que, no dia 21 de março de 2025, uma mensagem escrita por Eduardo foi encaminhada por Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atualmente preso preventivamente em Brasília.
Neste registro, Eduardo dá orientações sobre como facilitar o envio de milhões de dólares aos Estados Unidos para a produção de “Dark Horse”. Na época, o ex-deputado já havia assinado um contrato como produtor-executivo do filme sobre a trajetória do pai, o que ocorreu em janeiro de 2024.
Eduardo disse a Miranda, de acordo com a mensagem, que a
solução seria “enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o
remetente atual”. Também afirmou que o corretor de imóveis Altieris Santana –
um dos controladores do fundo Havengate, juntamente com o advogado Paulo
Calixto – estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação
financeira do filme.
O Intercept entrou em contato com Altieris Santana, Paulo
Calixto, Thiago Miranda e a defesa de Daniel Vorcaro. Não houve retorno até a
publicação desta reportagem.
Daniel Vorcaro se comprometeu a pagar R$ 134 milhões para
financiar o filme “Dark Horse”. Os registros obtidos pelo Intercept confirmam
que pelo menos R$ 61 milhões foram enviados entre janeiro e maio de 2025.


















