Os brasileiros, sobretudo os petistas, ainda não
entenderam que o país cresceu, mas não enriqueceu. Candidatos só querem lançar
bons projetos para os ouvidos do eleitor. Em política ruim é perder
O ano, afinal, começou. Na próxima segunda-feira, serão
iniciados os trabalhos de 2026. Até agora, os brasileiros desfrutaram do Natal,
do réveillon, das férias e do carnaval, que, segundo a crença geral, não
constituem tempo hábil para trabalhar. Curioso é que, exatamente neste momento,
o governo do presidente Lula tenta revogar o sistema que consagra seis dias de
trabalho para um de descanso. Ou seja, é o incentivo oficial à boa vida. Vale
tudo para vencer a eleição.
Os brasileiros, sobretudo os petistas, ainda não entenderam
que o país cresceu, mas não enriqueceu. A produtividade do trabalhador europeu
ou norte-americano é várias vezes superior à do nacional. Do ponto de vista da
matemática, não faz sentido diminuir o tempo de trabalho e manter salário. Mas
os objetivos eleitorais são diferentes da natureza das coisas. O presidente,
que anda distribuindo bolsas de todos os tipos e tamanhos, foi obrigado a
elevar muito os impostos, para cumprir suas promessas.
Sacrificou o crescimento da economia na
busca por votos. Anulou o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil, mas, na
outra ponta, elevou de quem ganha acima desse nível. O governo vai continuar a
receber o mesmo montante. O que muda é quem paga. E quem paga, usualmente, não
vota no Partido dos Trabalhadores.
Governos populistas são assim. O presidente Lula não
inventou nada neste particular. O governador Cristovam Buarque, do Distrito
Federal, instituiu, no seu período de governo, a Bolsa Escola. Ele copiou o
modelo utilizado pelos franceses, na cidade de Lyon. O incentivo para as
crianças irem para a escola era o lanche, que, naquela época, constituía algo
raro em toda França recém-saída da destruição da Segunda Guerra Mundial. O
governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, aproveitou a ideia e
a implantou em todo o território nacional. Cristovam Buarque não conseguiu se
reeleger para o governo do DF. Chegou, porém, ao Senado. FHC governou por dois
mandatos presidenciais. O esquema populista funciona.
O problema é que as contas nacionais sofrem muito. O Brasil
já teve uma dívida externa em dólares que mandava no país. Vários ministros da
Fazenda comandaram recessões pavorosas para pagar ao menos os juros dos
empréstimos concedidos pelos banqueiros internacionais. Mas a Petrobras
descobriu petróleo, e o país começou a produzir o ouro negro. A conta petróleo,
que era um pesadelo na contabilidade dos economistas, sumiu. E o bom trabalho
realizado por um grupo de técnicos fez a dívida externa desaparecer. Justiça se
faça, foi Lula que acabou com o que restava da dívida externa, que era toda em
dólares. Pagou a dívida.
Hoje, o problema é parecido, mas a dívida é em reais,
contraída junto aos bancos brasileiros. É um grande negócio para os banqueiros
nacionais. Eles emprestam para o governo segundo a taxa de juros arbitrada pelo
Banco Central. Hoje, está em 15% ao ano. Esse negócio garante rentabilidade
acima da inflação e oferece boa taxa de lucro, sem qualquer trabalho ou
despesa. Uma delícia para o sistema financeiro. O endividamento brasileiro já
anda pela casa dos 75% do Produto Interno Bruto. Outros países possuem índices
maiores. Bom exemplo é o governo dos Estados Unidos, cuja dívida está além dos
120%. A obsessão de Trump com taxas de importação é explicada pela enorme
dívida do governo norte-americano que é financiada pelos títulos da dívida
pública deles. Acontece que a China, além de vários países da Ásia, estão se
desfazendo dos papéis. É guerra sob outro ponto de vista.
Quando Tancredo Neves percebeu que ele iria ganhar a eleição
no Colégio Eleitoral, em Brasília, chamou seu parente e amigo Francisco
Dornelles e deu a ele a missão de conversar com banqueiros internacionais. A
mensagem era simples. O governo brasileiro iria manter o pagamento dos juros da
dívida externa. Já no governo Sarney, o então ministro Dilson Funaro, além de
fazer o congelamento de preços, chegou ao ápice da negação. Decretou a
moratória na dívida externa brasileira. A partir daquele momento, o Brasil
deixou de pagar suas obrigações com os banqueiros estrangeiros. No dia
seguinte, as agências do Banco do Brasil em todo o mundo ficaram sem recursos.
O banco foi excluído da negociação intrabancos. Foi muito difícil retomar a
antiga confiança.
Este ano de 2026 vai ser curto. Termina em junho, quando
começa a Copa do Mundo de futebol. Se o time brasileiro avançar para as finais,
o país ficará paralisado com os olhos postos na televisão. O torneio termina em
julho. E, logo em seguida, começa a campanha eleitoral. Candidatos só querem
lançar bons projetos para os ouvidos do eleitor. Em política ruim é perder.
Vale tudo para vencer uma eleição. Dilma Rousseff tentou seguir esse protocolo:
prometeu o país de sonhos, mas iniciou seu segundo mandato no comando de uma
recessão. Parece que não deu certo.

















