Gutemberg Fonseca, secretário de Defesa do Consumidor,
diz que foi ele quem indicou Alessandro Pitombeira Carracena
A Polícia Federal cumpriu uma nova ordem de prisão, nesta
segunda-feira (9), contra o ex-Secretário Estadual de Esportes do Rio de
Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, durante a Operação Anomalia, que é
mais uma das fases das investigações que apuram um núcleo criminoso que
atuava na negociação de vantagens indevidas e na venda de influência para
favorecer os interesses do Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas
do Rio de Janeiro.
A coluna apurou que Carracena foi indicado ao órgão para o
governo Cláudio Castro pelo senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ). É a segunda ordem de prisão: ele já estava
detido por outra acusação neste mesmo caso. No entanto, o secretário do
Consumidor Gutemberg Fonseca , outro aliado de Flávio, afirma que foi ele quem
indicou Carracena ao governo. Em nota, o senador negou a indicação de
Carracena, mas não falou de sua relação com Gutemberg Fonseca.
O ex-secretário é advogado e já ocupou também os cargos de
diretor de operações em autarquia municipal; foi presidente do Fundo Especial
de Ordem Pública da cidade do Rio; presidente do Conselho Administrativo da
Guarda Municipal da capital; e integrante do Gabinete de Crise da cidade
durante o período da pandemia.
Além de Carracena, estão sendo cumpridos três mandados de
prisão preventiva e três de busca e apreensão na cidade do Rio, além de medidas
cautelares diversas, como afastamento do exercício de função pública. As ordens
judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um dos presos é
o delegado federal Fabrizio José Romano.
Os elementos de prova colhidos indicam que os investigados
estruturaram uma associação criminosa voltada para a prática de crimes contra a
administração pública e para o favorecimento de interesses atrelados ao tráfico
de drogas.
A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída
em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, que visa assegurar a atuação uniforme e
coordenada da PF na produção de inteligência e de repressão aos principais
grupos criminosos violentos no estado do Rio de Janeiro, com foco especial na
desarticulação de suas conexões com agentes públicos e políticos.
Mensagens
Em novembro do ano passado, a PF obteve diálogos, na
Operação Zargun, que demonstraram como o Comando Vermelho tentava
influenciar o policiamento no Rio por meio de contatos com Gutemberg Fonseca.
Em um diálogo, Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, apontado pela PF
como integrante do CV, relatou a Carracena que esteve com Gutemberg Fonseca
para apresentar demandas e pedir “cobertura política”.
Nota do secretário Gutemberg Fonseca:
O advogado Alessandro Pitombeiro Carracena foi indicado por mim para
exercer uma função técnico-jurídica na Secretaria de Estado de Defesa do
Consumidor, com base em critérios profissionais e em sua formação na área
jurídica. Trata-se de uma indicação de caráter estritamente técnico. Ressalto
ainda que o senador Flávio Bolsonaro não participou dessa indicação. Carracena
foi exonerado do cargo em janeiro de 2025, portanto muito antes de qualquer
investigação de que tenhamos tomado conhecimento.
Conheço Carracena há mais de 20 anos. Nosso primeiro
contato ocorreu quando eu ainda atuava como árbitro de futebol. À época, ele
passou a prestar serviços como advogado para mim e para minha família.
Em relação às menções ao meu nome em mensagens atribuídas
ao investigado Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”,
esclareço que tomei conhecimento desse conteúdo apenas por meio da imprensa.
Desconheço completamente a vida pessoal e o histórico do referido investigado.
Como figura pública, participo regularmente de agendas
institucionais e eventos em diversas regiões do estado, inclusive em
comunidades e áreas socialmente vulneráveis, o que naturalmente implica contato
com inúmeras pessoas, muitas vezes sem qualquer conhecimento prévio sobre quem
são ou de que contexto vêm. Caso tenha ocorrido algum eventual contato em
eventos públicos, este teria sido meramente circunstancial, sem qualquer tipo
de relação pessoal, proximidade ou ciência sobre eventual envolvimento ilícito.
Cabe destacar, inclusive, que nas próprias mensagens
divulgadas o investigado afirma que “não teve êxito comigo” e que “se não é de
coração, deixa pra lá”, o que reforça que não houve qualquer tipo de
atendimento de pedido ou estabelecimento de relação.
Reforço que não houve qualquer tipo de proximidade,
relação pessoal ou atendimento de pedido por minha parte.
Nota do senador Flávio Bolsonaro:
O senador Flávio Bolsonaro não indicou o ex-Secretário
Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena.
Trata-se de mais uma mentira para tentar manchar sua reputação.
A posição de Flávio Bolsonaro é de combate ao crime
organizado e às facções, atuando, inclusive, para que elas sejam nomeadas como
aquilo que realmente são: narcoterroristas.
Diferentemente de Lula, que tem feito lobby para proteger
esses grupos.


















