sexta-feira, 21 de agosto de 2026

LEGADOS AO VENTO

Ruy Castro, Folha de S. Paulo

No Brasil, é um erro morrer; assim que encerram o velório, o artista começa a ser esquecido

Tom Jobim, Cazuza, Cartola, Drummond, Guimarães Rosa e Clarice são das poucas exceções

Todo dia morre um artista ou intelectual –jovem ou velho, famoso ou quase, de qualquer ramo. Consternado, vou à internet, às TVs e às reportagens e ouço ou leio a infalível declaração: "Perdemos Fulano, mas seu legado jamais será esquecido". Será? Antes cêsse, mas não ésse, penso eu. Será esquecido, sim, e esse esquecimento começará assim que encerrarem o velório, e o jornal com seu obituário for forrar a gaiola do papagaio. No Brasil, é um erro morrer.

E não importa o tamanho do morto. Exemplo? De 1930 a 1960, ninguém mais presente, poderoso e influente na música popular do que Ary Barroso (1903-1964). E dava razões para isso: fora o primeiro sambista a ficar famoso, o principal abastecedor de Carmen Miranda e Francisco Alves e fixador de gêneros como o samba dolente ("Faceira", 1931), o samba-canção ("Maria", 1934), o samba de Carnaval ("Foi Ela", 1935), o samba dramático ("Na Batucada da Vida", 1935), o samba baiano ("Na Baixa do Sapateiro", 1938), o samba-exaltação ("Aquarela do Brasil", 1939) e muitas outras variantes. Como compositor de piano, tinha uma orquestra nos dedos.

Não só. Foi também o primeiro compositor brasileiro a ser chamado por Hollywood; o mais ouvido locutor esportivo de seu tempo; sinônimo do Flamengo, do qual foi cartola secreto; descobridor de talentos em seu programa de auditório; inspirador da bossa nova (Tom Jobim e João Gilberto o adoravam); e, embora provocasse ciúmes até em Villa-Lobos, dizia-se, com orgulho, um sambista. Pois, com tudo isso, Ary está esquecido.

Estou falando de Ary Barroso, mas poderia citar outros compositores, cantores, atores, escritores, pintores ou bailarinos de calibre equivalente, no masculino ou feminino, cujo "legado" –a obra que deixaram-- está há muito fora dos palcos, das telas, das prateleiras, das páginas dos livros e da memória do Brasil. Você poderá citar outros.

Em compensação, Tom Jobim, Cartola, Cazuza, Carlos Drummond, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Tarsila do Amaral nunca morreram. Por enquanto.

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A FARSA DE PABLO MARÇAL

Bernardo Mello Franco, O Globo

Coach subiu no picadeiro para ajudar Flávio Bolsonaro e promover seus próprios negócios; registro deve ser negado pelo TSE

A nova aventura de Pablo Marçal está com os dias contados. Inelegível até 2032, o coach registrou a candidatura a presidente nos últimos minutos do prazo. Conseguiu tumultuar a disputa, mas deve ser barrado pelo TSE.

Com milhões de seguidores nas redes sociais, Marçal tem a receita para bagunçar o coreto. Em seis dias de campanha, berrou palavrões, insultou jornalistas e chorou num podcast.

Ele reapareceu a bordo de um factoide: declarou R$ 7 bilhões em patrimônio. Depois de ganhar as manchetes, alegou erro ao preencher um formulário. Quem o conhece identificou mais uma pegadinha para causar polêmica e reforçar a imagem de novo rico.

Marçal já deixou claro que a candidatura é uma farsa. Ele subiu no picadeiro para promover seus negócios e ajudar Flávio Bolsonaro, beneficiário dos ataques a Lula e Renan Santos.

Para o Ministério Público, a chapa foi arquitetada sobre duas fraudes. Além de estar com os direitos políticos suspensos, o coach forjou uma filiação ao PRTB com data retroativa. Bons tempos em que a sigla só era notada pela figura exótica de Levy Fidelix, o bigodudo do aerotrem.

Ontem o TSE proibiu Marçal de usar recursos públicos e participar de debates. A decisão unânime indica que a candidatura de mentirinha já subiu no telhado. Mesmo assim, ele ainda pode ter duas ou três semanas para encenar a farsa e pedir doações a incautos.

O candidato-coach é produto de uma era em que a política se confunde cada vez mais com o entretenimento. Suas presepadas geram engajamento e votos, como se viu na última eleição para a Prefeitura de São Paulo.

A seu modo, Marçal deve repetir a passagem-relâmpago de Silvio Santos pela corrida presidencial de 1989. O homem do baú entrou na disputa a 15 dias do primeiro turno. Chegou a ameaçar o favoritismo de Fernando Collor, mas foi barrado pelo TSE por irregularidades no registro partidário.

As semelhanças terminam no lançamento de última hora e no uso de uma legenda de aluguel. Diante do que se vê hoje, a candidatura de Silvio teve a inocência de um programa de calouros.

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DIFERENÇAS NA CAMPANHA ELEITORAL

José de Souza Martins*, Valor Econômico

A mera consciência partidária dos eleitores bolsonaristas de algum modo arrastou a esquerda para dentro de sua lógica bipolar de poder

No domingo dia 16, os partidos políticos começaram suas campanhas eleitorais de 2026. Mais do que a eleição para a presidência, as eleições para as duas casas do Congresso decidirão o destino político do país. A direita há décadas optou por aumentar sua representação nas duas casas e governar o Brasil indiretamente por meio do Legislativo, emparedando a Presidência da República. O poder político foi desfigurado pela concepção de que o Brasil tem um partido só, o de uma família.

A mera consciência partidária dos eleitores que a seguem de algum modo arrastou a esquerda para dentro de sua lógica bipolar de poder. O PT, em particular, caiu na armadilha. O que não deixou para a esquerda senão fazer política fora dos marcos do que é propriamente democracia direta e eleitoral.

Nessa lógica, não é estranho que os evangélicos fundamentalistas estejam sendo aparelhados para declarar que o Brasil cristão ou diferente ou indiferente quanto à crença, mas não evangélico, não é o país deles, mas um país inimigo. Eles não votam pela representação política, mas pela intervenção religiosa nas instituições políticas.

O aspecto mais importante da vitória da direita no Legislativo e da vitória da esquerda no Executivo, em 2022, foi a libertação do centro da relação de subserviência ao bolsonarismo. As eleições serão um teste da hipótese.

A centro-direita chega a estas eleições de 2026 sem a necessidade de perfilhar e assumir os débitos políticos de Bolsonaro e sua família. Os do personalismo dos Bolsonaros e sua incompetência para lidar com questões como a pandemia e várias outras questões pendentes da desordem e das decisões erradas de seu governo (2019-2022).

Um indício nesse sentido foi a fala poderosa de Gilberto Kassab, do PSD, candidato a vice-presidente, na chapa de Caiado, aos empresários em São Paulo, incluídos os do agronegócio e seu poder na política do interior, quando declarou que a chance de Bolsonaro nesta eleição é zero. E que o centro está com Lula. Esclareça-se: com Lula para que derrote os Bolsonaros.

Os Bolsonaros são produto de uma “fabricação” política, com base sociologicamente imperfeita e incorreta naquilo que Erving Goffman caracteriza como manipulação de impressões.

É possível definir alguém a partir de impressões sociais que ela pode causar intencionalmente nos outros. Mas as impressões não existem a partir de suposições gratuitas e fake news. Elas dependem de atributos de personalidade de quem é objeto da intenção. Poderia haver, ainda, o outro lado sociológico da questão Bolsonaro.

Max Weber explica que o carisma não se transfere de uma pessoa a outra. Bolsonaro, aliás, não tem carisma. Tem popularidade manipulada, o que torna mais complicada a transferência do atributo de pai para filho.

Na manifestação de Copacabana, foi montada toda uma encenação em que imagens e falas do ex-presidente da República, agora em cumprimento de longa pena e, portanto, legalmente impedido dessas manifestações, atuou eleitoralmente em favor do filho. O candidato nessa inauguração de campanha mostrou que depende significativamente de que o eleitorado o considere cópia e expressão do pai. Não é improvável o efeito bumerangue dessa operação.

Nesta campanha os Bolsonaros terão maior visibilidade. E, portanto, também a terão seus erros e defeitos, com forte probabilidade que a unificação das identidades no nome “Bolsonaro” unifique também os atributos negativos dos membros da família. A campanha refabricará o chamado clã.

A que se deve acrescentar o agravamento decorrente de atributos falsos e frágeis, como a manipulação bolsonarista da religião e a superficialidade de suas demonstrações de fé. Um palavrão de baixíssimo calão, gritado por uma vereadora bolsonarista, contra Lula, no ato de Copacabana, tem nesses casos a função desconstrutiva da teatralidade precária do restante.

A manifestação do Rio foi diferente do aspecto não amadorístico da manifestação do PT em São Bernardo do Campo. Lula não se apresentou sozinho, mas acompanhado de candidatos a outras funções e de outros partidos. Foi pluralista. Em um lugar histórico da luta dos brasileiros contra a ditadura militar.

As esquerdas têm uma história de sofrimento pela pátria, de luta pela liberdade e muito concreta por um país soberano e livre, por benefícios sociais na área da saúde e da educação.

O PT e seu candidato têm uma história consolidada e propriamente de luta pela democracia no Brasil. Tem uma história propriamente política e brasileira. O que é bem diferente de ter suposta influência extralegal sobre governante de potência estrangeira. O que se confirma nos atos fiscais antipatrióticos contra o Brasil.

*José de Souza Martins é sociólogo. Professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra (1996-2007. Entre outros livros, é autor de “Desavessos” (Editora Com Arte).

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CONTO DO VIGÁRIO LIBERAL

Hélio Schwartsman, Folha de S. Paulo

Partido Missão se declara liberal, mas abraça posições iliberais

Credulidade da Faria Lima em relação à sigla é inquietante

Sempre que vejo "Faria Lima" como sujeito de título noticioso que não seja sobre trânsito, fico desconfiado. Utilizar o nome da avenida paulistana como metonímia para "mercado financeiro" é arriscado, entre outras razões porque o tal de mercado não é uno. Reúne desde operadores de day trade até operários que investem o dinheiro de seus fundos de pensão, sem mencionar a viúva aposentada e eventuais clones de Daniel Vorcaro.

Mesmo ciente da diversidade e dos limites da figura de linguagem, fiquei preocupado ao ler reportagens sugerindo que a "Faria Lima" está se enamorando da candidatura presidencial de Renan Santos, do partido Missão, que me parece ainda menos confiável do que o Mounjaro paraguaio. Algum descompasso entre o ideário de uma sigla e suas propostas concretas é sempre esperado, mas, no caso do Missão, as incongruências foram esticadas até o ponto de colapso da identidade.

O problema de base é que o partido, no artigo 1º, § 2 de seu estatuto, afirma ter "caráter liberal" (e é provavelmente isso que encantou a "Faria Lima"), mas não há muito como conciliar o beabá da cartilha liberal com o que a sigla defende. O modelo de segurança pública que eles propõem flerta abertamente com as ideias e práticas de Nayib Bukele. Só que não há meio de confundir o regime salvadorenho com uma democracia liberal. Aquilo é um Estado autoritário que pratica violações sistemáticas a direitos humanos.

Ainda que restrinjamos o liberalismo do Missão ao plano econômico —o que já configuraria transgressão às visões mais holísticas de liberalismo—, fica difícil pacificar a doutrina clássica com a defesa do nacionalismo e até com um certo desenvolvimentismo. Nada disso deveria surpreender muito, considerando que o embrião do Missão, o movimento MBL, ganhou visibilidade tentando censurar uma apresentação artística.

O que me inquieta no flerte da "Faria Lima" com o Missão é pensar que meus modestos investimentos podem estar nas mãos de gente que cai muito facilmente em contos do vigário.

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A FORÇA E A FRAQUEZA DO STATUS QUO BRASILEIRO

Fernando Luiz Abrucio, Valor Econômico

É preciso discutir o dilema imposto pela necessidade de reformas em um ambiente em que muitos com poder resistem às mudanças

Um grande dilema vai marcar o início do próximo quadriênio (2027-2030). De um lado, o país precisará fazer reformas econômicas, administrativas e político-institucionais para não entrar numa grave crise, o que inviabilizaria o mandato do novo presidente num momento de incerteza internacional e aumento da desconfiança do eleitorado. Por outro, os atores que representam o status quo atual tendem a continuar fortes, especialmente os congressistas sob a hegemonia do Centrão, e mesmo o Judiciário, que tem perdido popularidade, ainda tem muita capacidade de resistir à mudança.

O enfrentamento desse dilema é a questão mais importante após a eleição, mas já deveria ser discutido desde já, pois a sociedade precisa saber dessa dificuldade política e dos custos de não resolvê-la. Ainda mais porque os principais presidenciáveis pouco falam da realidade que enfrentarão no ano que vem, seja a das políticas públicas, seja a da complexa governabilidade.

A herança das políticas públicas de Lula III tem coisas boas e ruins. A política ambiental foi retomada depois da hecatombe bolsonarista. O sucateamento do SUS realizado pelo governo anterior foi estancado, com algumas novidades, como o uso inteligente da telemedicina como instrumento para combater as desigualdades territoriais. O MEC voltou a ter protagonismo, com diversos avanços importantes, com destaque para a política federativa de colaboração com os estados e municípios na alfabetização, com impacto no desempenho escolar já no presente quadriênio.

Outras medidas positivas poderiam ser destacadas, realçando que o principal mérito governamental foi reconstruir parcelas do Estado que tinham sido destruídas pelo bolsonarismo - algo que poderá se repetir no próximo quadriênio. Mas a fórmula lulista de governo já não tem a efetividade dos dois primeiros mandatos de Lula. O mundo e o Brasil mudaram, e há novos desafios, que exigem agendas e estratégias renovadas.

Três exemplos podem ilustrar esse desgaste na fórmula lulista de governar. O primeiro é a incapacidade de gerar um novo ciclo de desenvolvimento para além do modelo baseado na ampliação da renda e, sobretudo, do crédito. O país tem de construir mais riquezas aumentando a produtividade e o investimento. Não se trata mais, como na ditadura militar, de reclamar da falta de combate às desigualdades, porque o lulismo efetivamente levou adiante o modelo da Constituição de 1988 e teve uma herança bendita de FHC para criar várias políticas redistributivas de recursos e de oportunidades, um dos seus maiores méritos. Só que se o crescimento se tornar insustentável nos planos fiscal e monetário, já não há mais coelho na cartola que empurre por mais anos o ajuste institucional das contas públicas.

Em segundo lugar, novas agendas e atores surgiram nos últimos anos, de modo que o mundo das políticas públicas se tornou mais complexo. Parte dos grupos emergentes são, inclusive, derivados do sucesso da fórmula lulista de governar, e é preciso readequar as políticas públicas para esse novo cenário. Tão relevante quanto dialogar, entender e descobrir novas soluções para os novos atores é incorporar uma lista de temas que não eram centrais no lulismo. O apoio às mulheres da classe C que vivem nos eixos metropolitanos vai exigir um arsenal de políticas sociais diferentes. Mais importante ainda, a política de segurança pública tem de ganhar maior centralidade na ordem de prioridades lulista.

Aliás, um erro fatal foi não ter criado, desde o início do mandato, um ministério específico para essa questão, o que evitaria a narrativa de que a esquerda acredita que o problema da violência é apenas uma questão social. Isso já não é verdade faz algum tempo e nem a direita tem sido efetiva no assunto - basta ver o fracasso da política de segurança do governador Tarcísio de Freitas, com a explosão de feminicídios e dos roubos ou furtos de celulares. Entretanto, mesmo tendo ao final do governo proposto legislações importantes como a lei Antifacção e a PEC do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), a demora em colocar a temática em maior evidência custou credibilidade eleitoral ao presidente Lula.

Fechando a lista de exemplos, o lulismo não tem sido capaz de renovar boa parte de suas lideranças. É verdade que novos nomes com grande talento surgiram, como o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e figuras do governo federal como Fernando Haddad e Camilo Santana foram bem-sucedidas em vários pontos reformistas e vão além da agenda passadista de boa parte do petismo.

Entretanto, a renovação precisa ser maior, incorporando novas lideranças sociais e se aproximando mais do povo. Cresci na periferia de São Paulo entre as décadas de 1970 e 1980, e na época as comunidades eclesiais de base estavam por toda parte. Vários dos políticos petistas que ascenderiam mais tarde ao poder estavam constantemente, como dizia Mário Covas, sujando o pé no barro - e hoje estão muito distantes de uma boa parte das camadas populares. Isso para não falar da escassez de lideranças de centro-esquerda no mundo das redes sociais.

A dificuldade de ir além do modelo lulista dos dois primeiros mandatos também se deveu ao novo cenário político. Nele, estiveram presentes uma oposição forte e com uma estratégia contra as instituições, um Congresso revigorado nos poderes, mas não nas responsabilidades, além de um sistema de Justiça que teve fraturas no meio do caminho entre seu papel central na defesa da democracia e o corporativismo de suas lideranças e da magistratura, algo que está sendo rechaçado pela sociedade. Ao conturbado cenário interno somou-se a desordem e perseguição externa provocada pelo governo Trump, que nos atingiu com o tarifaço e com a ameaça de intervir na eleição presidencial de 2026.

O cenário não será menos conturbado no próximo mandato presidencial. Aí voltamos ao dilema das necessidades imperiosas da mudança versus o poder do status quo. Em relação ao primeiro ponto, um ajuste fiscal e da estrutura de governança administrativa vai ser necessário logo no início do mandato. O ponto nevrálgico é que as dívidas dos cidadãos e do governo se tornaram insuportáveis, e com a Selic nas alturas o problema tende a se agravar muito rapidamente. Bom, então por que não se reduz numa tacada só a taxa de juros? Já se fez isso antes, e os resultados não foram, digamos, muito bons.

Na verdade, se o próximo presidente conseguir reformular o arcabouço fiscal para que ele seja crível por anos em sua tarefa de estancar o crescimento da dívida pública, por meio de reformas na lógica orçamentária, nos gastos com os penduricalhos da elite do setor público e na redução das renúncias tributárias, seria até possível recalibrar a meta de inflação, que de fato é irrealista para nossas condições. O casamento desses dois componentes seria positivo, mas depende antes de um projeto de longo prazo de reforma do Estado, que o torne sadio financeiramente e efetivo na provisão dos serviços públicos.

O problema está no descasamento da urgência da reforma com a defesa do status quo de quem é mais forte no sistema atual. Um exemplo diz tudo: a redução do número de concorrentes à Câmara Federal em 2026 em comparação ao passado recente. A oligarquização é hoje um traço marcante na seleção dos deputados federais. A soma de emendas parlamentares bilionárias e sem paralelo no mundo com os amplos recursos de campanha nas mãos dos partidos tem dificultado muito a renovação congressual. Ora, as reformas teriam que passar, em alguma medida, pela redução dos recursos que favorecem os que vão continuar com hegemonia em Brasília.

Há outros vencedores dos últimos anos que podem ser atingidos por reformas no próximo governo. O sistema de Justiça se fortaleceu, com alguns impactos positivos para salvaguardar a ordem constitucional, mas com efeitos negativos para o controle republicano de seus comportamentos e rendimentos. Também há os grupos lobistas que reforçaram seus interesses e seus laços com a elite dos congressistas. O caso do setor elétrico é paradigmático aqui, com poucos jogadores obtendo altos rendimentos em detrimento dos consumidores e da sustentabilidade do setor.

A questão é que se nada ou pouco for feito, a crise virá. O tamanho dela ainda é controverso, mas com certeza vai impactar vários atores sociais e a popularidade do novo presidente. A economia ficará pior do que neste ano, o que se junta a um cenário geopolítico bem difícil, além dos possíveis efeitos climáticos do El Niño. O quanto o status quo irá resistir à perda geral de bem-estar? Se a resiliência do atraso for o saldo líquido do jogo político, a crise do sistema político já será sentida fortemente nas eleições municipais de 2028, ou até antes, com o crescimento de outsiders, o que seria a antessala de um processo incontrolável de recomposição do poder.

Caso haja uma crise, o que é bem provável, o status quo precisará entregar os anéis para não perder os dedos. O que ainda não sabemos, e deveria ser discutido pragmaticamente pelos presidenciáveis e pela sociedade, é quantos anéis são necessários para construir um caminho mais seguro para o futuro do país.

*Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da Fundação Getulio Vargas

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EU PREFIRO SER ESSA METAMORFOSE AMBULANTE

Dilva Frazão, Ebiografia

Biografia de Raul Seixas

Raul Seixas (1945-1989) foi um cantor, compositor, guitarrista e produtor brasileiro, um dos mais importantes nomes do rock no Brasil. Entre suas músicas destacam-se: Maluco Beleza, Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás, Mosca na Sopa e Ouro de Tolo.

Raul Santos Seixas nasceu em Salvador, Bahia, no dia 28 de junho de 1945. Era filho de Raul Varela Seixas, engenheiro de estradas de ferro, e de Maria Eugênia Santos Seixas.

Com sete anos iniciou no curso primário. Em 1957 ingressou no Colégio São Bento, mas foi reprovado na 2ª série por três anos. Foi então mandado para o curso interno do Colégio Marista, mas só completou a 3ª série.

Raul gostava de ler os livros da biblioteca de seu pai e criva suas próprias histórias desenhando os personagens nos cadernos da escola. Gostava de música, mas seu sonho era ser escritor.

Na adolescência ele ficava horas ouvindo as músicas de Elvis Presley e de Little Richard. Em 1959, junto com o amigo Waldir Serrão, fundou o fã clube “Elvis Rock Club”.

Os Panteras

Já integrado à cena do Rock em Salvador, em 1962, Raul entrou para a formação da banda “Os Panteras”, formado por Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba.

 Em 1963 a banda se apresentou no programa “Escada de Sucesso” na TV Itapuã. Em 1967 o grupo aceitou o convite de Jerry Adriane para ir ao Rio de Janeiro. No ano seguinte gravaram o primeiro e único disco “Raulzito e Os Panteras”.

No Rio de Janeiro, “Os Panteras” passam por grandes dificuldades para divulgar o disco e com o apoio do cantor tocam como banda de apoio. Fase que ele mais tarde descreve na música “Ouro de Tolo”.

Com o fracasso da banda, o grupo voltou para Salvador. Ainda em 1968, Raul conheceu o diretor da CBS, que mais tarde o convidou para ser produtor da gravadora.

Aos poucos suas músicas foram gravadas por cantores da Jovem Guarda, entre eles, Jerry Adriane, Odair José e Renato e Seus Blue Caps.

Depois de alguns lançamentos mal sucedidos, em 1970, Raul participou do Festival Internacional da Canção com “Let Me Sing, Let Me Sing”, defendida pelo próprio Raul, e “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios & Os Lobos.

Suas músicas chegaram à final e a partir daí, seu nome começou a se destacar. Foi então contratado pela gravadora Philips. Conheceu o escritor Paulo Coelho que mais tarde se tornou seu parceiro musical.

Primeiros sucessos

Em 1973, Raul Seixas lançou seu primeiro disco Kring-ha, Bandolo! que fez sucesso com as músicas Ouro de Tolo, Mosca na Sopa, Metamorfose Ambulante e Al Capone.

Em 1974, Raul Seixas, junto com Paulo Coelho, criou a “Sociedade Alternativa”, um conceito de sociedade livre inspirada no ocultista Aleister Crowley, que foi tema do disco “Gita”, lançado no mesmo ano.

No mesmo ano, Raul e Paulo foram presos pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e exilados nos Estados Unidos.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1975, Raul lançou “Novo Aeon”, que fez sucesso com a música Tenta Outra Vez composta também em parceria com Paulo Coelho.

Em 1976 lançou Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás, um grande sucesso. Nos anos seguintes, Raul lançou O Dia Em Que a Terra Parou, no qual se destacou a música Maluco Beleza e também a faixa título.

Ainda na década de 70, Raul lançou os discos: Por Quem Os Sinos Dobram e Mata Virgem, ambos em (1979).

Década de 80

Em 1980, Raul gravou o disco Abre-te Sésamo, porém logo depois ficou sem gravadora e mergulhou no álcool e nas drogas, sem perspectiva de novas gravações.

Em 1982, faz um show na praia do Gonzaga, em Santos e no mesmo ano apresentou-se drogado para realizar um show em Caieiras, São Paulo.

No ano seguinte, foi convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. No mesmo ano, lançou Raul Seixas, no qual se destacou o sucesso O Carimbador Maluco, e lhe deu o disco de ouro e um show na televisão.

Em 1984 lançou Metrô Linha 743. Depois de três anos sem gravar, lançou Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (1987). No ano seguinte lançou A Pedra do Gênesis.

Em 1989 realizou diversas apresentações pelo país, em companhia do roqueiro Marcelo Nova, o que resultou em seu último disco, A Panela do Diabo.

No dia 21 de agosto de 1989, dois dias após o álbum chegar ao mercado, Raul foi encontrado morto em sua cama, no apartamento em São Paulo.

Raul Seixas faleceu em São Paulo, no dia 21 de agosto de 1989, com apenas 44 anos, vítima do álcool e das drogas..

Casamentos e filhas

Raul teve três filhas, Simone Andrea Wisner Seixas,Scarlet Vaquer Seixas e Viviane Costa Seixas, fruto de seus casamentos com Edith Wisner Seixas (1967 a 1974), Glória Vaquer (1975 a 1978) e Angela Affonso Costa (1979 a 1985), respectivamente.

Frases de Raul Seixas

"Só há amor quando não existe nenhuma autoridade".

"Do materialismo ao espiritualismo é uma simples questão de esperar esgotarem-se os limites do primeiro".

"Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos".

"A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal".

"Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio".

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

OS BOLSONAROS SÃO DIFERENTES, VOCÊ SABE

Ruy Castro, Folha de S. Paulo

Para Flávio Bolsonaro, o 'sistema é podre' e o Brasil 'olha com nojo para Brasília'

A família se proclama 'antissistema', mas faz parte dele há quase 40 anos

Flávio Bolsonaro disse em Copacabana, no domingo (16), que o Brasil "olha com nojo para Brasília". O que Brasília terá achado disso? Ele estava se referindo aos políticos. Os Bolsonaros são diferentes, você sabe. Não são políticos. O sistema é "podre". Eles são "antissistema". Mas vejamos o que cada um fez ou faz na vida.

1 - Jair Bolsonaro. Sete mandatos como deputado federal (1990, 94, 98, 2002, 06, 10 e 14). Presidente eleito em 2018, derrotado em 2022. Atual presidiário condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado. 2 - Flávio Bolsonaro. Filho 01 de Bolsonaro. Quatro mandatos como deputado estadual pelo Rio (2002, 06, 10 e 14). Atual senador e candidato à Presidência da República.

3 - Carlos Bolsonaro. Filho 02. Sete mandatos como vereador pelo Rio (2000, 04, 08, 12, 16, 20 e 24). No primeiro, concorreu contra a própria mãe e a derrotou. Chamado de "vereador federal" por passar mais tempo em Brasília do que no Rio. Candidato a senador por Santa Catarina, para onde se mudou em 2025 a fim de conseguir domicílio eleitoral. 4 - Eduardo Bolsonaro. Filho 03. Três mandatos como deputado federal por São Paulo (2016, 20 e 24). Cassado por abandono do cargo e condenado a quatro anos de prisão por coação judicial. Foragido nos EUA, dedica-se a pregar medidas econômicas contra o Brasil.

5 - Jair Renan Bolsonaro. Filho 04. Vereador desde 2024 por Balneário Camboriú (SC). 6 - Michelle Bolsonaro. Terceira mulher de Bolsonaro. Líder partidária e candidata a senadora pelo Distrito Federal. 7 - Rogéria Bolsonaro. Primeira mulher de Bolsonaro, mãe de Flávio, Carlos e Eduardo. Vereadora pelo Rio em 1992 e 96. Candidata a deputada federal. 8 - Renato Bolsonaro. Irmão de Bolsonaro. Foi candidato a vereador e a prefeito de Registro (SP) e Miracatu (SP) em 1996, 98, 2000, 04, 08, 12, 16 e 24. Perdeu todas. 9 - Percy Bolsonaro. Pai de Bolsonaro. Filiado nos anos 1960 ao MDB de Eldorado (SP), partido contra a ditadura militar, e monitorado pelo extinto SNI (Serviço Nacional de Informações) por exercício ilegal da medicina.

Não falei que os Bolsonaros eram diferentes?

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A SOLIDÃO DE FLÁVIO BOLSONARO

Maria Hermínia Tavares, Folha de S. Paulo

Incentivos institucionais e cálculo político explicam a neutralidade da direita pragmática

Coligações de partidos não definem as escolhas do eleitor, mas têm importantes efeitos indiretos

Aberta a temporada eleitoral, a candidatura de Flávio Bolsonaro vive um paradoxo. Ele é o preferido dos que jogam no campo antipetista. Pesquisa após pesquisa o situa perto —às vezes até empatado— com o presidente Lula. Na sondagem de agosto da Quaest, tem 30% das preferências, contra 39% do incumbente que pleiteia a reeleição. Ao mesmo tempo, o filho do ex-presidente amarga notável isolamento das lideranças do vasto campo das direitas.

Flávio Bolsonaro não logrou construir coligação eleitoral e terminou lançado apenas pela sua legenda, o PL (Partido Liberal). Desde 1989, é a primeira vez que um candidato competitivo não se apoia numa coligação. Até seu pai, um inimigo declarado do "sistema", teve a seu lado, além do PSL (Partido Social Liberal), o pequeno PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). O filho tampouco conseguiu atrair um vice com luz própria, capaz de somar algo a uma disputa que se prevê acirrada. E o alagoano Alfredo Gaspar (PL), político de projeção apenas local, chega à campanha sob o peso de ter de se defender de graves denúncias sobre seu comportamento na vida privada.

Sintomáticas são também as atitudes da direita pragmática. Espertas, as agremiações que formam o chamado "centrão" —Movimento Democrático Brasileiro (MDB), União Brasil, Partido Progressistas (PP) e Republicanos (PR)— se refugiaram numa posição oficial de neutralidade na disputa nacional, sem lançar candidatos próprios ao governo, nem apoiar formalmente qualquer dos concorrentes ao Palácio do Planalto no primeiro turno.

Incentivos institucionais e cálculo político explicam a neutralidade. Os generosos recursos dos fundos eleitoral e partidário poderão ser totalmente empregados no que mais interessa na hora do vamos ver, porque lhes acresce poder: as eleições para o Congresso Nacional e, a depender das circunstâncias, para os governos estaduais. Já a neutralidade confere flexibilidade política à escolha das coligações subnacionais. Ali onde o PT é forte, não haverá por que hostilizar seu candidato à Presidência. Por trás de tudo, a certeza de que o vitorioso sempre dependerá do apoio das forças majoritárias no Parlamento.

A existência e a amplitude das coligações estão longe de ser os determinantes maiores do voto. Este resulta de um conjunto de fatores que incidem de diferentes formas sobre diferentes tipos de eleitor e incluem também a existência de identificação do votante com um partido; simpatia pelo candidato; e a própria campanha eleitoral e seus múltiplos recursos de persuasão. Os cientistas políticos concordam que as coligações partidárias têm ainda importantes efeitos indiretos. Multiplicam os recursos para campanhas; trazem tempo e dinheiro para a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV e para a comunicação nas redes sociais; asseguram capilaridade em todo o território; e sinalizam a existência de apoios que fazem a candidatura —e um futuro governo— parecer politicamente viáveis.

Assim, não será à toa que, no chocho comício inaugural da campanha de Bolsonaro-2, domingo passado (16/8), em Copacabana, seja mais fácil contar quem não foi. Por lá não se viram políticos conhecidos, nem bolsonaristas notórios. Prova viva da solidão política do candidato da extrema direita.

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DIPLOMA NÃO É DOCUMENTO

Merval Pereira, O Globo

Quem faz blogs e se diz jornalista, mas não é, pode ser processado pela lei penal, por injúria, difamação ou qualquer outro crime

A exigência de diploma para jornalistas foi imposta por decreto da Junta Militar em 1969 e vigorou durante 40 anos no Brasil, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) a revogou, em 2009, considerando que a proibição de exercer a profissão violava a liberdade de expressão e de informação. Na primeira ocasião, a obrigatoriedade agradava aos que tinham faculdades de jornalismo e atuavam em um mercado de trabalho controlado pelo oficialismo governamental: ministérios, secretarias, sindicatos e associações chapas-brancas.

Mas a exigência tinha também o sentido de controlar quem podia ser jornalista, pois o registro era dado pelo governo, a ditadura militar. Hoje, a situação é mais complexa por causa das redes sociais, que inundam os usuários de informações nem sempre fidedignas, sem o controle de qualidade exigido pelo jornalismo profissional. É uma situação diferente da que tínhamos quando se decidiu que não era preciso ter diploma.

Comecei a trabalhar há 60 anos, quando não se precisava ter diploma. A falta dele não me impediu de ser visiting scholar na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, considerada a melhor faculdade de jornalismo do mundo. Ganhei também uma bolsa para estudar na Universidade Stanford, na Califórnia, da John S. Knight Foundation — cuja base era a política internacional, no momento em que ruía a União Soviética e o Japão parecia no caminho de dominar o mundo —, um programa de aperfeiçoamento para jornalistas de várias partes do planeta, sem que me exigissem diploma. Nos Estados Unidos, e em vários outros países, não há obrigatoriedade de graduação em faculdade de jornalismo, embora nada impeça de cursá-las quem quiser.

Muitos jornalistas têm blogs, mas outros só têm blogs pessoais e nunca trabalharam em jornalismo. Não é o caso do blogueiro maranhense Luís Pablo, jornalista registrado que trabalha há muitos anos. A ligação entre a retomada da proposta de obrigatoriedade do diploma e o caso do Maranhão é praticamente direta, mas equivocada.

O sigilo da fonte jornalística não pode ser quebrado por ninguém, por maior que seja seu cargo na República. Justamente para impedir que as autoridades atuem para constranger ou prejudicar o jornalista que deu a informação indesejada pelas autoridades. Como dizia Millôr Fernandes: “Notícia é tudo o que os governantes não querem que seja publicado. O resto é secos e molhados”. A imprensa nasceu no século XV, com a prensa de tipos móveis inventada por Gutenberg, para dar condições à sociedade civil de se contrapor à força do Estado absolutista e legitimar suas reivindicações no campo político, denunciando abusos dos governantes.

Talvez seja necessário fazer uma distinção entre jornalista e os que dão opinião em blogs nas redes. O jornalista tem todo o apoio da legislação e não pode ser atingido pela tentativa de controle da informação ou da fonte. Mas, ao mesmo tempo, não se pode ficar sujeito a que qualquer um abra seu próprio blog, se diga jornalista e comece a caluniar e atingir outras pessoas. É um assunto que terá de ser discutido em algum momento, mas, enquanto isso não acontece, a fonte é preservada com todos os direitos pela Constituição, e o jornalista não pode ser pressionado por questões políticas.

Evidente que os ministros do STF trazem de volta o tema para dizer que não quebraram o sigilo da fonte de um jornalista — e não violaram a Constituição —, mas sim de alguém que não tem a responsabilidade que um jornalista precisa ter. Não é o caso, porém, do jornalista maranhense. Quem faz blogs e se diz jornalista, mas não é, pode ser processado pela lei penal, por injúria, difamação ou qualquer outro crime, sem que haja necessidade de burlar a Constituição ou de criar exigências como o diploma.

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W.O. EM DEBATE DEVERIA CUSTAR VOTO

Julia Duailibi, O Globo

A ida a esse tipo de confronto deveria ser tratada com mais cerimônia por aqueles que dependem da boa vontade de quem vota

Ser candidato numa eleição significa cumprir algumas obrigações básicas, principalmente quando a candidatura é para inquilino da Presidência da República. Entre os deveres não previstos em lei, está participar de debates. Trata-se não só de demonstração de respeito, mas de evidente obrigação moral com o eleitor. Por isso a ida a esse tipo de confronto deveria ser tratada com mais cerimônia por aqueles que dependem da boa vontade de quem vota para chegar ao poder.

Na eleição deste ano, a campanha de Lula anunciou que ele não deverá participar do primeiro debate na TV, promovido pela Band. Flávio Bolsonaro aproveitou para pegar carona e também não deverá ir. Alguns candidatos a governador, líderes em seus estados, seguiram a mesma receita. Uma vergonha do ponto de vista histórico — o debate televisionado entre os governadores, em 1982, ainda durante o regime militar, foi pioneiro, uma vez que os confrontos estavam até então suspensos pela Lei Falcão.

A lógica do Q.G. petista é a mesma que norteia o PL. No confronto com os demais candidatos, Lula é a principal vidraça. Está no poder, é o líder nas pesquisas, e os principais adversários são da direita. Na ausência de Lula, a vidraça é Flávio. Ele se torna alvo dos demais candidatos, que tentarão usá-lo como escada para ser mais conhecidos e abocanhar, assim, parte de seu eleitorado de direita.

O raciocínio não está errado. É fato que Lula ocupa a pole position dos alvos, e Flávio é o P2 (segunda posição no grid). O compromisso deles, no entanto, não deveria ser com a autopreservação, mas sim com o debate de ideias típico de democracias consolidadas, por mais duro e, muitas vezes, abaixo da linha da cintura que esses confrontos sejam — daí as regras e punições acordadas pelas equipes antes.

Os candidatos veem participar nos debates como principal risco — e não faltar a eles. Desde a redemocratização, todos os principais candidatos a presidente já deram cano nos confrontos televisivos, prática que não vem de agora. Na eleição de 1960, a TV Tupi tentou inovar com um debate entre os presidenciáveis, mas Jânio Quadros acabou arranjando um compromisso no Nordeste para faltar.

Nos Estados Unidos, que difundiram o confronto nacional na televisão, com Nixon versus Kennedy em 1960, faltar a um debate ainda é exceção. Os debates por lá só não ocorreram em 1964, 1968 e 1972. Tudo bem que, no geral, são apenas dois candidatos, republicanos e democratas (raramente entra um independente). Mas, mesmo correndo risco de ser engolidos pelos adversários, todos se submeteram ao confronto, em maior ou menor grau. Que o digam Nixon no embate contra Kennedy (e olha que o republicano foi a quatro debates), Carter versus Reagan (que jantou o democrata com a célebre pergunta sobre a vida estar melhor ou pior que quatro anos antes) e até Biden (cuja candidatura foi ceifada em 2024 depois de uma atuação constrangedora no debate contra Trump).

A participação em debates deveria ser parte inegociável da agenda dos candidatos numa eleição. Quer disputar, então tem de debater. O Brasil foi normalizando o W.O. nos confrontos, e os líderes nas pesquisas ficaram à vontade para dar o cano no eleitor — muitas vezes, sem nem se dar ao trabalho de fazer um R.S.V.P.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

JANONES DESAFIA A ESQUERDA A ABANDONAR 'CAMPANHA FOFA'

Wilson Gomes, Folha de S. Paulo

Deputado defende usar contra a direita as mesmas armas da guerra digital

Conflito nas redes podem mobilizar militantes, mas não necessariamente conquistar novos eleitores

André Janones anunciou no X que está de volta à linha de frente da campanha de Lula. Disse ter "aceitado a missão", publicou uma foto com o presidente e prometeu seguir a estratégia que, segundo ele, a esquerda precisa adotar para enfrentar a direita: abandonar a "campanha fofa" e entrar na guerra digital "sem medo, sem pudor e sem remorso".

Tudo isso, porém, compõe até agora um roteiro apresentado pelo próprio Janones nas redes. A campanha de Lula não confirmou publicamente que o deputado tenha sido incorporado à sua estratégia eleitoral.

O roteiro vem sendo escrito há semanas. Primeiro, Janones anunciou que a meta deveria ser o "extermínio completo do bolsonarismo" e declarou-se pronto para "matar ou morrer". Depois, acusou seu campo de "treinar fofo", enquanto os bolsonaristas já estariam dominando as narrativas e o engajamento.

Em seguida vieram a fotografia, o anúncio da suposta missão e a declaração de guerra. Finalmente, convocou a militância a abandonar a "esquerda limpinha" e escolher suas armas, prometendo "tiro, porrada e bomba nas redes, 24 horas por dia".

Pode ser apenas Janones reivindicando para si um lugar que a campanha de Lula não lhe concedeu. De toda forma, é interessante como ele revela uma concepção bastante precisa de comunicação eleitoral que é compartilhada por parte considerável da militância: não se pode ter nojo de sujar as mãos e lutar na lama, se necessário.

Campanhas eleitorais sempre combinam estilos de comunicação. Há a campanha oficial, submetida à legislação, às pesquisas, às alianças e ao cálculo reputacional do candidato. E há partidos, parlamentares, influenciadores, militantes e redes de apoio que atuam com graus de coordenação e autonomia. Alguns podem assumir as tarefas que o núcleo oficial não quer incorporar à sua voz.

É esse lugar que Janones reivindica. "Um governo tem limitações que nós não temos aqui pelas redes", escreveu ao absolver Lula, o governo e a Secom daquilo que considera a incompetência digital da esquerda. A proposta é uma divisão do trabalho: enquanto a campanha oficial preserva o candidato, outros provocam, ridicularizam, alarmam, atacam reputações e brigam por atenção nas plataformas.

Não é invenção sua. Figuras muito diferentes da direita digital, como Carlos Bolsonaro e Pablo Marçal, também operam num repertório em que conflito, choque, linguagem direta, quebra de liturgias e provocação têm valor estratégico. Janones adota parte dessa gramática, mas acrescenta uma justificativa: não se entra no esgoto porque seja bom, mas porque o adversário já está lá. Recusar suas armas seria aceitar lutar em desvantagem.

Daí o desprezo pela "campanha fofa", pela "esquerda limpinha", pelos "cirandeiros" e "arrogantes de salto alto". O alvo interno é quem supostamente confunde escrúpulo e correção de linguagem com eficácia eleitoral. O janonismo cultural reaparece, assim, como uma doutrina de espelhamento: se a extrema direita prosperou com agressividade, transgressão e guerra permanente por atenção e impacto, a esquerda deveria fazer o mesmo.

Há, contudo, bons motivos para se ter cautela com esta doutrina. O primeiro tem a ver com prudência política. Quem escolhe a destruição reputacional e a guerrilha de narrativas como armas deve contar com a reciprocidade do inimigo. Janones deveria saber que quem tem telhado de vidro não está especialmente protegido em uma guerra de pedras e que, com dois escândalos políticos suspensos como lâminas sobre o pescoço dos candidatos este ano, talvez não seja sábio esticar demais a corda.

O segundo é elementar: eleição não é guerra. Ninguém precisa matar nem morrer. Uma campanha existe para convencer pessoas, inclusive algumas que votaram no adversário. A retórica da aniquilação pode excitar militantes, mas não é evidente que seja o melhor idioma para persuadir quem ainda pode mudar de lado.

Finalmente, "livrar o país" de um campo político é uma fantasia de militantes radicais. Eleições derrotam candidatos; não exterminam os milhões de cidadãos que votam neles. O bolsonarismo mostra o quanto a promessa de eliminar o inimigo mobiliza os fiéis e, ao mesmo tempo, reduz a política a uma batalha moral sem fim.

A esquerda pode aprender com a direita digital sobre velocidade, presença nas redes e capacidade de resposta. Não precisa aprender que política é guerra nem que adversários existem para ser exterminados. Uma campanha pode até precisar entrar na lama de vez em quando. O erro é imaginar que é no lodo que estão os eleitores que faltam para vencer.

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RELEMBRANDO ZÉ INÁCIO

Hoje a festa é em outra dimensão. Se estivesse vivo, o ex-vereador de Sobral (CE) Zé Inácio estaria completando 51 anos.

O jovem político da família Prado desenvolveu um excelente trabalho na Câmara Municipal e recebeu respaldo da população sobralense.

Zé Inácio faleceu em 03 de maio de 2019, aos 43 anos. ele estava em Fortaleza, no Hospital Gastroclínica onde passou por procedimento cirúrgico de diverticulite, mas teve complicações após a cirurgia, e não resistiu.

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

A FALHA DAS MÁQUINAS NA MORTE DA MENINA

Artigo de Fernando Gabeira

A morte da menina de 13 anos numa transmissão ao vivo na plataforma Discord trouxe um grande e importante debate. Apesar de tantas intervenções esclarecedoras, fiquei com muitas dúvidas.

O Discord comunicou ao governo que suas máquinas de aprendizagem detectaram o problema, mas foram incapazes de mensurar sua gravidade e acionar o alarme. Na verdade, quem parece ter acionado o alarme foi a vigilância humana de um núcleo digital da Polícia Civil de São Paulo.

Minha primeira questão: se as máquinas de aprendizagem foram incapazes de acionar o alarme, não seria o caso de voltarem para a escola, aprenderem melhor a lição? Não sei como funcionam, mas, se obedecem à lógica da inteligência artificial, trabalham basicamente com linguagem.

A história da IA mostra que nem sempre as máquinas de aprendizagem estão maduras para uso humano em sua fase inicial. Esse é o tema de um grande debate entre os grupos que trabalham na segurança de um modelo e os que o desenvolvem e precisam colocá-lo no mercado. Os grupos de segurança querem precisamente evitar tragédias, enquanto os outros precisam correr para responder aos investidores, ávidos pelo retorno de seu capital.

No caso dos grandes modelos de IA, houve muita discussão na época do lançamento do GPT-3. O sistema depende da infusão de milhões de dados, colhidos na internet. É difícil filtrá-los. Nos primórdios, as máquinas produziam textos simpáticos aos supremacistas brancos e elogiavam Hitler.

Um famoso artigo de pesquisa intitulado “Sobre os perigos dos papagaios estocásticos: os modelos de linguagem podem ser grandes demais?” foi durante algum tempo referência no debate. Sua coautora, Timnit Gebru, chegou a perder o emprego pela ousadia de denunciar a imaturidade dos sistemas de IA.

No caso do GPT-3, alguns usuários chegaram a denunciar os delírios do modelo. Se alguém perguntasse sobre o problema da Etiópia, a máquina responderia: o problema da Etiópia é a própria Etiópia; a solução é destruir a Etiópia. Durante a semana, me perguntei se as máquinas de aprendizagem do Discord não sofrem da mesma imaturidade, se não foram postas em ação antes de todos os testes de segurança.

Muitos pesquisadores afirmam que esses sistemas aprendem com a prática. É preciso escala, muita prática para que se aperfeiçoem. Mas a pergunta fundamental permanece: quando estão prontos para a comercialização, qual é a margem de segurança adequada?

Creio que a mesma pergunta vale para os carros autônomos. Dependem da análise de milhões de imagens para rodar com segurança. Essas imagens que absorvem são analisadas por milhares de trabalhadores no Quênia e também na Venezuela. Mas qual o momento para afirmar que estão prontas para sair por aí se dirigindo? Houve casos, nos testes, de atropelamentos de alguém empurrando uma bicicleta. Não notaram a imagem.

Essas reflexões não são uma oposição ao desenvolvimento tecnológico. Ele deveria obedecer às necessidades humanas e sociais de segurança. No entanto, obedece à lógica do retorno do capital investido. Às vezes fico pensando que a menina morta é uma vítima desse mecanismo. Espero que as investigações respondam a essa pergunta e transcendam a questão superficial de banir ou não uma plataforma.

Artigo publicado no jornal O Globo em 18 / 08 / 2026

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MORRE GLÓRIA MENEZES

Luiz Antônio Costa, g1 Rio e TV Globo

Glória Menezes, uma das maiores atrizes do país, morre no Rio aos 91 anos

Viúva de Tarcísio Meira marcou a televisão brasileira em mais de seis décadas de carreira e participou de mais de 40 novelas da Globo, além de trabalhos no teatro e no cinema.

A atriz Glória Menezes, um dos grandes nomes da história da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), em seu apartamento no Rio de Janeiro, aos 91 anos.

Segundo a assessoria de imprensa da artista, a morte foi por causas naturais.

Glória construiu uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão e atuou em mais de 40 novelas da Globo.

Glória Menezes nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934. Seu nome de batismo era Nilcedes Soares de Magalhães. Ela iniciou a carreira artística no teatro e posteriormente se destacou na televisão e no cinema.

A atriz Glória Menezes, um dos grandes nomes da história da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira (18), em seu apartamento no Rio de Janeiro, aos 91 anos.

Segundo a assessoria de imprensa da artista, a morte foi por causas naturais.

Glória construiu uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão e atuou em mais de 40 novelas da Globo.

Glória Menezes nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934. Seu nome de batismo era Nilcedes Soares de Magalhães. Ela iniciou a carreira artística no teatro e posteriormente se destacou na televisão e no cinema.

Na Globo, estreou em 1967, na novela "Sangue e Areia", como a heroína Doña Sol. Na trama, fez par romântico com Tarcísio Meira (morto de Covid em 2021), com quem manteve uma das uniões mais conhecidas da televisão brasileira. Os dois foram casados por quase seis décadas, até a morte do ator, em 2021.

"Existe um respeito mútuo no trabalho de cada um e uma colaboração amiga, porque não existe amigo maior do que o Tarcísio – e eu me considero a melhor amiga dele também. Trocamos críticas construtivas, para que estejamos sempre melhorando", disse Glória em entrevista ao Memória Globo.

Ao lado de Tarcísio, Glória protagonizou outras produções marcantes e também estrelou o seriado "Tarcísio & Glória", exibido em 1988.

MAIS SOBRE GLÓRIA MENEZES:

Carreira na televisão

Glória Menezes atravessou diferentes fases da teledramaturgia brasileira e esteve em novelas de grande repercussão.

Entre seus trabalhos estão "Irmãos Coragem" (1970), "O Homem que Deve Morrer" (1971), "Cavalo de Aço" (1973), "Pai Herói" (1979), "Guerra dos Sexos" (1983), "Brega & Chique" (1987), "Rainha da Sucata" (1990), "Deus nos Acuda" (1992), "A Próxima Vítima" (1995), "Torre de Babel" (1998), "Senhora do Destino" (2004), "A Favorita" (2008) e "Totalmente Demais" (2015).

Em "Rainha da Sucata", Glória interpretou Laurinha Figueroa, uma das personagens mais lembradas de sua carreira. A novela voltou a ser exibida pela Globo em 2025 e 2026, colocando novamente a atriz em destaque entre o público.

Seu último trabalho em uma novela foi "Totalmente Demais", em 2015. Depois, a atriz passou a ter uma rotina mais discreta e longe das produções de televisão. Em 2026, ela voltou a ser homenageada pela Globo na Calçada da Fama da emissora.

Uma vida ao lado de Tarcísio Meira

Glória Menezes e Tarcísio Meira se conheceram trabalhando e construíram uma parceria que durou mais de cinco décadas, na vida e na televisão. Os dois já haviam contracenado no teleteatro da Tupi quando, em 1964, protagonizaram "25499 Ocupado", da TV Excelsior, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Durante a produção, iniciaram um romance e se casaram. Juntos, formaram um dos casais mais marcantes da dramaturgia nacional.

Na Globo, os dois estrearam juntos em "Sangue e Areia" (1967), depois de também terem atuado lado a lado em "A Deusa Vencida" (1965) e "Almas de Pedra" (1966), na Excelsior. O público voltou a vê-los juntos em novelas como "Rosa Rebelde" (1969), "Irmãos Coragem" (1970), "O Homem que Deve Morrer" (1971), "Cavalo de Aço" (1973), "O Semideus" (1973) e "Espelho Mágico" (1977). Em "Irmãos Coragem", Glória interpretou Lara, Diana e Márcia, três mulheres com personalidades distintas.

Em 1988, a parceria ganhou um novo formato com o seriado "Tarcísio & Glória", criado por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon. Além de protagonistas, os dois também foram produtores da atração, que inaugurou uma linha de coprodução da Globo. Tarcísio chegou a dirigir alguns episódios. Na série, Glória interpretava Ava Becker, uma cientista extraterrestre que chegava à Terra para estudar os homens e acabava se envolvendo com o empresário corrupto Bruno Lazzarini, personagem de Tarcísio.

A relação profissional era marcada, segundo Glória, por respeito e colaboração. "Trocamos críticas construtivas, para que estejamos sempre melhorando", afirmou a atriz sobre a parceria com o marido.

Tarcísio morreu em agosto de 2021, aos 85 anos, vítima de complicações da Covid-19. Na época, Glória também havia sido internada com a doença. Anos depois, o filho do casal, Tarcísio Filho, contou como foi difícil comunicar à mãe a morte do marido.

Glória também tinha outros dois filhos, de seu primeiro casamento.

Mais de 40 novelas na Globo

Segundo o Memória Globo, Glória Menezes atuou em mais de 40 telenovelas da emissora.

Além de "Sangue e Areia", sua estreia na Globo, a lista inclui "Passo dos Ventos", "Rosa Rebelde", "O Grito", "Espelho Mágico", "Jogo da Vida", "Corpo a Corpo", "Porto dos Milagres", "O Beijo do Vampiro", "Da Cor do Pecado", "Páginas da Vida", "Joia Rara" e "Totalmente Demais".

No cinema, também teve uma trajetória de destaque. Entre seus trabalhos está "O Pagador de Promessas", filme dirigido por Anselmo Duarte que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962.

Ao longo da carreira, Glória Menezes se consolidou como uma das principais atrizes de sua geração e como uma das protagonistas da história da televisão brasileira.

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MORRE LAURA CARDOSO

Do g1, Karina Cordeiro

Laura Cardoso, um dos principais nomes da dramaturgia brasileira, morre aos 98 anos

A informação foi divulgada em seu perfil oficial no Instagram. De acordo com uma das filhas da atriz, ela faleceu em sua casa, em São Paulo, após se sentir mal.

Morreu, aos 98 anos, a atriz Laura Cardoso, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira. A informação foi divulgada em seu perfil oficial no Instagram, na madrugada desta terça-feira (18).

"Nossa grande estrela se despediu de nós 🌟❤️ Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso", diz a publicação.

De acordo com Fátima Cardoso, filha da atriz, Laura faleceu na noite desta segunda-feira (17), após se sentir mal em sua residência, no bairro de Sumaré, na Zona Oeste de São Paulo, por volta das 23h20.

O velório da atriz está marcado para acontecer nesta terça-feira, entre 8h e 14h, no bairro da Bela Vista, na região central de São Paulo.

Trajetória

Laurinda de Jesus Balleroni nasceu em 1927 e começou a atuar aos 15 anos. Ela estreou na TV com 25, em 1952, em "Tribunal do Coração", da TV Tupi. Desde então, trabalhou em mais de 60 novelas, sendo a atriz com mais títulos na carreira do país. Seu último trabalho na TV foi na novela "A Dona do Pedaço", em 2019, e no filme "Dona Rosinha", de 2025.

A atriz estreou na TV Globo em 1981, na novela "Brilhante", a convite do diretor Daniel Filho. E acabou contratada dois anos depois, quando atuou no folhetim "Pão Pão, Beijo Beijo". Em 1993, Laura Cardoso viveu um de seus papéis mais emblemáticos na TV, Dona Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, em "Mulheres de Areia".

No ano seguinte, outro papel reforçou o talento da atriz e até hoje segue como um de seus personagens mais lembrados, Dona Guiomar, de "A Viagem".

Na vida pessoal, Laura Cardoso foi casada com o ator e diretor Fernando Balleroni, com quem permaneceu de 1949 até a morte dele, em 1980.

O casal teve três filhos: Fátima, Fernanda e José, que morreu apenas três dias após o nascimento. Viúva aos 58 anos, Laura chegou a dizer em entrevistas que nunca pensou em se casar novamente, por não ter encontrado outro amor. Ao longo da vida, também se tornou avó e bisavó.

No ano seguinte, outro papel reforçou o talento da atriz e até hoje segue como um de seus personagens mais lembrados, Dona Guiomar, de "A Viagem", onde contracenou com Miguel Falabella, que homenageou a atriz na madrugada desta terça em seu Instagram.

"Laura era gigante, compulsiva e tinha um talento que não cabia em seu corpo pequeno", disse o ator.

Ao longo de décadas de carreira, Laura Cardoso colecionou indicações e prêmios por suas atuações na TV, no teatro e no cinema. Entre eles, cinco troféus da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), prêmio Oscarito, do Festival de Gramado, por sua contribuição ao cinema brasileiro, e em 2006, foi laureada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a Ordem do Mérito Cultural, por sua contribuição à cultura brasileira.

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