Magistrado a favor de Flávio é instado por Fachin a
aderir à proposta de Lula de suspender sigilo sobre Master
Ministro tentou tirar diretor da PF e foi tratado como
ungido de Deus por Michelle Bolsonaro e seu rebanho
"Diante da gravidade do maior crime financeiro da
história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas
imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder
Judiciário. É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os
envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa
saber a verdade."
O parágrafo acima foi postado no X pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à
reeleição. Não é apenas retórica, há uma proposta, um desafio. O que diriam os
simpatizantes de Flávio Bolsonaro (PL)? Apoiariam ou teriam receio de que, tudo
às claras, o caso Alexandre
de Moraes viesse a perder a dimensão que ganhou com as estarrecedoras
revelações sobre sua relação com Vorcaro?
Agora, Edson
Fachin, presidente do STF, instou André
Mendonça a seguir a ideia de Lula. Ele já vinha sendo questionado por
certo favorecimento
eleitoral ao candidato bolsonarista. Chegou a afastar o diretor da
Polícia Federal —medida acertadamente refreada
por Fachin, finalmente marcando presença em cena.
Não se trata de aliviar Moraes, com sua conhecida índole de
justiceiro, seu ex-inquérito das fake news, o
contrato indefensável de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e
o escritório de sua mulher e a promiscuidade sugerida pelas mensagens trocadas
com Vorcaro que vieram a público. Ele que responda por seus atos e pague por
seus desvios.
A questão é outra e não desaparece com considerações pueris
sobre "falsas equivalências", perversões cartoriais
luso-brasileirinhas sobre brasões e cabeçalhos em relatórios internos da PF ou
simplificações sobre conteúdo e forma na atuação de magistrados.
Ainda que se admita, por hipótese, ser Moraes o mais
deplorável dos corruptos, isso não transformaria Mendonça em exemplo de
imparcialidade e técnica neutra. Ele escorregou como agente político-eleitoral
em suas decisões, que repetiram, diga-se, erros anteriormente apontados em seu
oponente.
Não resistiu, além do mais, à vaidade justiceira messiânica
com um vídeo de tom político-religioso no qual, como um jogador de futebol com
diploma em direito, agradece pelas preces, pelo apoio de seus colegas e a Deus
pela vitória. Comportou-se como enviado celeste a proteger o filho de seu
antigo chefe, o golpista condenado Jair Bolsonaro.
"Em um dia muito marcante, na nossa salinha de
consagração, Deus me revelou a sua entrada naquele tribunal. Sim, Ele abriu a
minha visão, e eu o vi entrando com uma nuvem branca sobre a sua
cabeça", postou
Michelle Bolsonaro, que se referiu ao magistrado como escolhido e ungido
do Senhor.
Parafraseando Leonel Brizola sobre Paulo Maluf, podemos
dizer que Mendonça é um filhote do golpismo. Foi levado ao Supremo por
Bolsonaro após
substituir no Ministério da Justiça Sergio
Moro, que pedira demissão pelo fato de o presidente pretender interferir na
Polícia Federal.
Esperemos agora —não vejo a hora de estourar o milho da pipoca— a sessão convocada por Fachin. Com o contra-ataque de Flávio Dino e o recente ativismo do presidente da corte, promete uma animação de debate eleitoral. Muito ainda precisa ser feito para reformar o STF, bem como para esclarecer as conexões corruptas de Vorcaro com personagens da República.













