Vinícius Valfré e Pedro Augusto Figueiredo,
O Estado deS.Paulo
Leo Dias recebeu R$ 9,9 milhões do Master e R$ 2 milhões
de empresa que teve aportes do banco
Jornalista afirmou que valores são referentes a contrato
de publicidade firmado com Will Bank, banco que pertencia ao conglomerado de
empresas de Daniel Vorcaro
BRASÍLIA E SÃO PAULO — Uma empresa do jornalista Leo Dias, que
publica notícias e fofocas sobre famosos, recebeu ao menos R$ 9,9 milhões
diretamente do Banco
Master. A informação consta de um relatório do Conselho
de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ao qual o Estadão teve
acesso.
O documento aponta que o banco de Daniel Vorcaro fez
seis pagamentos para a Leo Dias Comunicação e Jornalismo entre fevereiro de
2024 e maio de 2025. Leo Dias recebeu outros R$ 2 milhões de uma firma que teve
aportes do Master como principal fonte de receita, segundo outro informe do
Coaf.
Leo Dias disse por meio de nota que os pagamentos são
relativos a um contrato de publicidade firmado com o Will Bank,
que fazia parte do conglomerado do Master e
também foi liquidado pelo Banco Central.
“O Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve
contrato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de
outubro de 2024 a outubro de 2025”, afirmou.
Vorcaro foi procurado, mas não havia se posicionado até a
publicação desta reportagem.
De acordo com o documento do Coaf, R$ 34,9 milhões entraram
nas contas da empresa de Leo Dias nos 15 meses analisados pelo órgão. Dessa
forma, os valores depositados pelo Master correspondem a 28% do faturamento da
Leo Dias Comunicação no período.
O Coaf aponta ainda que as saídas da empresa no período
somaram R$ 35,7 milhões e que houve pagamento de boletos em nome de terceiros.
“Diante do exposto, identificamos que: indícios de movimentações em benefício
de terceiros, (boletos), sem causa aparente, a movimentação em conta é superior
a capacidade financeira declarada pela empresa, e recebimento de créditos com o
imediato débito dos valores, sem aparente justificativa”, conclui o órgão de
monitoramento financeiro.
O Estadão também teve acesso a um segundo
registro do Coaf, que aponta que a Leo Dias Comunicação recebeu mais R$ 2
milhões de uma empresa chamada LD Produções, em dois pagamentos feitos entre
novembro de 2024 e outubro de 2025.
Apesar das iniciais remetendo ao nome do jornalista, o
proprietário da LD é Flávio Carneiro, empresário mineiro que é
próximo de Vorcaro e foi parceiro de negócios de Fabiano Zettel,
cunhado e operador financeiro do banqueiro, em ao menos uma ocasião – eles
foram sócios na Foone, uma empresa que oferecia serviços de tecnologia para
sites (leia mais abaixo). Dos R$ 3,7 milhões recebidos pela LD
entre novembro de 2024 e outubro de 2025, 90% (R$ 3,3 milhões) vieram do
Master.
Carneiro foi procurado para esclarecer as movimentações, mas
respondeu que estava em um voo e que a equipe de Leo Dias responderia aos
questionamentos da reportagem. Na nota enviada pela assessoria do jornalista
não há menção específica à transação de R$ 2 milhões.
O Estadão também teve acesso a prints de
um vídeo publicado por Leo Dias em seu perfil no Instagram em 2023 que mostram
o jornalista participando de uma reunião no escritório da Moriah Asset, gestora
de investimentos fundada por Fabiano Zettel.
Sem detalhar o conteúdo do encontro, Leo Dias escreveu na
legenda: “Estamos preparando um 2024 cheio de novidades para vocês”. Sobre a
mesa, é possível ver inclusive uma garrafa d’água com o logotipo da Moriah
Asset.
Questionado no mês passado sobre o encontro, Leo Dias
afirmou que a reunião foi “estritamente comercial” e teve como objetivo
discutir o patrocínio do Will Bank ao seu site.
“Durante o encontro, também foram discutidas possíveis
oportunidades publicitárias envolvendo marcas ligadas ao Grupo Moriah,
tratativas que, ao final, não chegaram a ser concretizadas”, disse a nota
enviada à reportagem em março.
O texto afirmava ainda que nem Leo Dias nem suas empresas
receberam investimentos “por meio de participação societária, aportes diretos
ou qualquer outro tipo de investimento” feitos por Vorcaro ou Zettel.
“A única relação tratada no período foi a publicidade
realizada pelo Will Bank com o Grupo Leo Dias de Comunicação”, acrescentou a
empresa.
O relatório do Coaf revela ainda uma outra ligação entre
Zettel e Flávio Carneiro de um lado, e Leo Dias do outro. A empresa do
jornalista pagou R$ 2,6 milhões para a Foone Serviços Internet.
Como revelou o Estadão, Carneiro e Zettel foram
sócios na Foone, que
por sua vez foi sócia dos proprietários dos sites Brazil Journal e PlatôBR. Segundo
Carneiro, o objetivo da Foone era oferecer soluções tecnológicas aos sites de
jornalismo. No final do ano passado, ele havia afirmado ao Estadão que a
empresa deu errado por causa de mudanças na Lei Geral de Proteção de Dados que
inviabilizou seu modelo de negócios.
Até outubro do ano passado, Leo Dias era dono de 100% da Leo
Dias Comunicação e Jornalismo. Naquele mês, ele cedeu 10% das ações para Thiago
Miranda, que, conforme
revelado pelo Estadão, esteve envolvido na contratação de
influenciadores para atacar o Banco Central pela decisão de liquidar o Banco
Master.
Após a transferência do percentual em outubro, Leo Dias e
Thiago Miranda transformaram a empresa de sociedade limitada para sociedade
anônima. Com a mudança, a informação sobre quem são os atuais sócios e suas
respectivas participações na empresa deixou de ser pública.
“Reiteramos ainda que, conforme esclarecido em nota oficial
publicada em janeiro de 2026, Thiago Miranda deixou o cargo de CEO em junho de
2025. Desde então, não exerce qualquer função de gestão, participação em
decisões estratégicas ou atuação operacional no grupo. Dessa forma, não possui
qualquer controle administrativo, vínculo de governança ou influência sobre as
atividades atualmente desempenhadas pela empresa”, disse a nota de Leo Dias
enviada nesta quarta-feira.