Por Paulo Celso Pereira, O Globo
BRASÍLIA - A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta
quarta-feira a proposta de emenda constitucional de autoria da deputada Luiza
Erundina (PSB-SP) que torna o transporte um direito social. Ex-prefeita de São
Paulo, a parlamentar havia apresentado a proposta em 2011, mas a tramitação só
foi acelerada após os protestos de junho que tiveram o transporte público como
principal pauta. Muito feliz, Erundina disse que a mudança colocará o tema
entre as prioridades dos governos.
- Esse foi sempre um tema que me preocupou pelos aspectos
econômico, social e humano. As pessoas dependem do transporte coletivo para
acessar os outros direitos, como a saúde, a educação, a cultura, e o direito à
própria cidade. Com certeza a medida vai colocar o tema na agenda da sociedade
e na prioridade dos governos federal, estadual e municipal - explicou.
A deputada qualificou a aprovação da medida como uma
conquista civilizatória:
- Isso dá ao cidadão que eventualmente se sinta violado
nesse direito o poder de representar na Justiça e no Ministério Público para
que eventualmente um determinado governo responda. É algo extremamente
importante como conquista da sociedade, civilizatória. Nos dias de hoje a
mobilidade é uma das questões modernas prioritárias - defendeu.
Na avaliação do deputado Nilmário Miranda, que foi relator
do projeto, a medida pode provocar mudanças sensíveis no setor:
- Ao se tornar um direito social, o estado fica quase
obrigado a trabalhar para universalizá-lo. Se muda o enfoque, não será mais um
setor regulado apenas pelo mercado - explicou Miranda.
O texto segue para o Senado, onde também terá de ser
aprovado em dois turnos.
Na prática, a medida apenas altera a redação do artigo 6º da
Constituição,colocando o transporte como um dos direitos sociais ao lado da
educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência
social, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados.
Segundo Nilmário Miranda, hoje 37 milhões de brasileiros se
locomovem a pé, sendo que em algumas capitais a situação é especialmente
dramática. Em Salvador, segundo ele, 40% das pessoas não usam meios de
transporte.
- Se estima que um em cada quatro moradores de rua são na
verdade trabalhadores que não conseguem voltar para suas casas todos os dias da
semana. O transporte já é o terceiro maior custo nas famílias de baixa renda -
explicou Miranda.

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