Por Erich Decat, Daiene Cardoso e Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo
Integrantes do PSB e da Rede deram início nesta
segunda-feira à pré-campanha presidencial de Eduardo Campos. De olho na Lei
Eleitoral, que proíbe a realização de campanha até julho, o encontro foi
batizado como um ato "político-cultural", mas serviu na prática para
confirmar Campos na cabeça de chapa e Marina na vice. Em discurso durante o
evento, Eduardo Campos lembrou seu histórico político e introduziu o mote de
necessidade de renovação, de "novo pacto social" e de fim da
"polarização" entre PT e PSDB.
"[Na campanha de 2010] ou era tudo ou nada. Eu presto
tudo e você não presta nada. Esse debate fez com que o Brasil vivesse em 2010
quase a anulação do processo político", afirmou Campos. O ex-governador de
Pernambuco disse ainda que, na última campanha presidencial, houve uma anulação
do debate político, que "descambou" para temas religiosos.
De acordo com Campos, "tem gente escondendo a verdade
do povo brasileiro". "Esta chapa vai colocar na oposição o
fisiologismo e o patrimonialismo", afirmou. Segundo ele, não é com o
"presidencialismo de coalizão" que se fará nada de inovador no Brasil.
Ele também ressaltou em vários momentos a importância da
aliança com Marina, que ingressou no partido após o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) negar a criação da Rede em outubro do ano passado. "Nós queríamos
que a Rede estivesse pronta em 2013. Ao meu lado, você (Marina), estará no
governo", afirmou.
Campos elogiou a postura de Marina, que decidiu se aliar ao
PSB. "O Brasil não podia ficar sem alternativa", disse. E lembrou o
desempenho da vice nas últimas eleições. "Em 2010, vimos uma mulher com
voz mansa e suave fazer sucesso na política", disse.
Campos também anunciou que deverá percorrer o País nos
próximos dias. "O povo brasileiro quer ser escutado. Vamos andar o Brasil
mais para ouvir do que para falar, ouvir com coração as angústias, se colocar
ao lado de um povo que, animado, pode fazer mudanças que muitos duvidam",
afirmou. Segundo Campos, o povo brasileiro foi "perdendo a fé de que a
vida pode melhorar no futuro", mas "quem crê neste País não quer ver
o povo desanimar".
Sem citar nomes, o pré-candidato mandou recados aos
adversários ao dizer que não teme o confronto, mas vai fazer um "debate
respeitoso, de ideias". "Vamos para cima fazer o debate que sabemos
fazer. Os que tremem hoje com a intolerância, com a arrogância, com provocação,
fiquem tranquilos porque vamos passar firmes com as nossas ideias. Eles sabem
que nós sabemos fazer, e vão ver que fazemos com muita firmeza esse
debate", afirmou. "O Brasil, mais que um gerente, quer uma liderança
que construa."
O socialista também aproveitou o evento para criticar a atuação
do governo na gestão da Petrobrás, alvo de investigação por parte do Ministério
Público Federal, Tribunal de Contas da União e da Polícia Federal. Uma CPI
também pode ser instalada no Congresso para investigar a estatal. "Não
vamos permitir que a Petrobrás se transforme em caso de polícia",
ressaltou. "Um País não pode ver a Petrobrás perder valor e achar que não
houve nada de mais." Campos também disse que não vai permitir que a
Eletrobras seja desmontada.
De forma indireta, Campos também fez críticas ao governo ao
dizer que "tem muita gente escondendo problemas para que passe a
eleição", "colocando problemas debaixo do tapete". Ele assegurou
ainda que os programas sociais criados pelos governos anteriores deverão ser
mantidos. "É preciso acabar com o terrorismo eleitoral sobre o fim dos
programas sociais." O pré-candidato acenou com uma ampliação dessas
políticas. "Precisamos ampliar as políticas sociais e torná-las mais
efetivas. É preciso incluir milhões de brasileiros que sequer têm direito ao Bolsa
Família." Campos afirmou ainda que "o processo de políticas públicas
inclusivas foi estancado desde 2010."
No discurso, Campos também criticou a gestão econômica do
atual governo. "O Brasil desses últimos três anos perdeu o rumo
estratégico", disse. "Os problemas que temos na economia são de
confiança, de credibilidade e de rumo". O socialista também disse que
falta visão estratégica na educação e que a sustentabilidade não é um apêndice
em seu programa de governo.
No evento também foram apresentados alguns princípios de
campanha eleitoral do PSB que deverão ser propagados pelos próximos meses.
Entre eles, está a ampliação da participação da sociedade no debate e nas
decisões do Estado, assegurando a transparência na gestão pública, o avanço nas
conquistas econômicas e sociais obtidas nos últimos 20 anos e a criação de
bases para um ciclo de desenvolvimento sustentável do País. O encontro também
contou com a participação de lideranças do PPS, do PPL e artistas.
Segundo integrantes da cúpula do PSB, após o lançamento da
pré-campanha realizado, a ideia é intensificar as ações de comunicação por meio
das redes sociais, rádios e televisão, para que Eduardo Campos se torne mais
conhecido entre os eleitores.
O dramaturgo Ariano Suassuna também falou no evento sobre os
próximos desafios de campanha. "Sei que Marina vai ajudar muito. A gente
precisa mostrar quem é Eduardo Campos o que ele faz, e como ele faz. Com essa
alegria e esperança eu apoiei o Eduardo Campos em 2006 [na campanha ao governo
de Pernambuco]. Quando a gente começou a jornada, ele tinha 4% nas pesquisas e
terminou o governo com 65%", ressaltou.

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