Símbolo da luta contra a ditaduta do regime militar, Eunice
Paiva morreu nesta quinta-feira (12) em São Paulo, aos 86 anos. Segundo o
Instituto Vladimir Herzog, a Eunice lutava contra o Mal de Alzheimer.
Mulher de Rubens Paiva, ex-deputado cassado em 1964 e
desaparecido após ser preso, torturado e assassinado pela ditadura militar no
Rio de Janeiro no início de 1971, Eunice lutou pela busca por informações do
paradeiro do marido.
A história de sua luta foi escrita por um dos filhos do
casal, Marcelo Rubens Paiva, no livro "Ainda Estou Aqui", lançado em
2015. Além de Marcelo, ela deixa ainda os filhos Veroca, Eliana, Nalu e Babiu.
Durante um evento da Flip em 2014, Marcelo
Rubens Paiva citou o sofrimento de sua mãe. "Pelas novas
revelações, meu pai morreu no dia em que minha mãe foi presa. Ela foi deixada
na cela mais 12 dias. Para quê? Melhor nem pensar", afirmou. Em seguida,
citou o estranhamento de se sentir no dever de agradcer por não terem matado
também Eunice, a quem chamou de "a heroína da família".
O escritor Marcelo Rubens Paiva disse ao Jornal Nacional que
a mãe "vai
fazer muita falta ao Brasil de hoje".
"Ela sempre tinha uma opinião que me surpreendia e que
era muito mais sábia à que eu tinha", disse Marcelo. "Tinha uma
sabedoria que me surpreendia, uma lucidez e uma forma de perdoar. Do dia que
Fernando Henrique assinou a lei de reconhecimento dos desaparecidos ela deu um
abraço a um general. Um abraço que o Brasil todo se surpreendeu ao ver alguém
que estava tenando cooptar aquele que no passado era inimigo dela para as
causas de democracia liberdade e futuro do país."
Luta
Eunice estudou direito na Universidade Mackenzie depois de
perder o marido, se tornou advogada para se engajar nas lutas sociais e
políticas.
Em nota, o Instituto Vladimir Herzog diz que "lamenta
profundamente a morte de Eunice e manifesta toda sua solidariedade à família,
em especial aos filhos Marcelo e Veroca. Talvez não por coincidência, Eunice
morre no dia em que a promulgação do AI-5 completa 50 anos: um protesto de quem
nunca deixou de lutar por um país democrático, mais justo e que garanta o
direito a memória e justiça a todos os seus cidadãos".

Nenhum comentário:
Postar um comentário