Diante do impasse institucional entre o Supremo Tribunal
Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República em razão do “inquérito
multiuso” instaurado na Corte e comandado pelo ministro Alexandre de Moraes,
integrantes das duas instituições e observadores externos, inclusive dos demais
Poderes, se preocupam em tentar enxergar uma “saída honrosa”.
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deverá
recorrer da decisão de Moraes, que, por sua vez, decidiu ignorar o arquivamento
do inquérito determinado por ela. O recurso deverá ser apresentado ao plenário
do STF, forçando os demais ministros da Corte a se posicionarem quanto ao
mérito do inquérito e de algumas das medidas polêmicas tomadas nele – como a
censura à revista Crusoé e ao site O Antagonista e as buscas e apreensões e
restrições ao uso de redes sociais de pessoas aleatórias por declarações ou
postagens contra o Supremo ou seus ministros.
Outro caminho seria o ministro do STF Edson Fachin conceder
uma cautelar na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental impetrada pela
Rede Sustentabilidade, algo considerado menos provável pelo potencial de
mal-estar entre integrantes da Corte.
Por fim, expoentes do Congresso e do governo já discutem a
possibilidade de apresentação de alguma emenda à Constituição resguardando de
maneira mais clara o direito à opinião e rechaçando iniciativas que resvalem
para censura ou restrição a liberdades individuais.
PODERES EM TRANSE
STF agrava seu desgaste e tira Bolsonaro do foco
STF agrava seu desgaste e tira Bolsonaro do foco
A escalada de decisões controversas tomadas nesta semana
pela dupla Dias Toffoli-Alexandre de Moraes tirou o foco do governo numa semana
de más notícias na economia, como a projeção negativa do PIB do primeiro
trimestre, o anúncio de que não haverá aumento real do salário mínimo e o
impasse provocado pela intervenção no preço do diesel. De quebra, a censura
determinada pelo STF à imprensa deu a Jair Bolsonaro a chance de, corretamente,
se colocar como defensor da liberdade de expressão.
PREVIDÊNCIA
Governo vê PR, PRB e PP como ‘núcleo duro’ da resistência
Governo vê PR, PRB e PP como ‘núcleo duro’ da resistência
O governo mapeou aquele que seria o “núcleo duro” que
atrapalha a tramitação da reforma da Previdência fora da oposição. Embora seja
creditada genericamente ao “Centrão”, a resistência ao projeto estaria
concentrada na trinca PP, PR e PRB. Os demais seriam satélites, com queixas
mais pontuais e fáceis de equacionar. Esses são os partidos que gostariam,
segundo os negociadores da reforma, de forçar Jair Bolsonaro a definir uma
“regra do jogo” para a sua participação no governo – algo que não se dará “na
marra”, alertam os mesmos articuladores. “Os outros partidos entendem que o
momento de discutir as divergências é na Comissão Especial”, diferenciou para a
Coluna um dos responsáveis pela interlocução. O trabalho de impedir o caminho
da PEC, observam integrantes do governo, é facilitado pelo “desastre” dos
líderes do governo e do PSL que, a despeito das patentes de major e delegado,
não têm autoridade alguma sobre as bancadas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário