Segundo li, celebrou-se ontem o Dia Internacional do Idoso.
Ótimo --porque todos os outros são o Dia de Tapear o Idoso. Ou de fazê-lo
sentir-se deslocado, um estranho no que ele costumava identificar como ninho
--seu espaço, seu tempo, seu próprio eu.
Há pouco, observei numa agência de banco um
gerente, atrás de sua mesa e de sua onipotência, impaciente diante de um
cidadão de idade que lhe pedia instruções sobre como trocar uma senha ou algo
do gênero. Parece que a antiga agência deste fora fechada e a sua conta,
transferida. O gerente, já irritado, insistia em que o velho poderia fazer
aquilo sozinho no caixa eletrônico. Intrometi-me. Disse ao gerente que a única
razão de ele continuar no emprego eram os idosos que ainda iam pessoalmente ao
banco --mas que se preparasse porque, com a ausência destes, ele próprio seria
substituído por uma máquina.
Outra cena, neste fim de semana, foi a de um senhorzinho
levado pela filha a uma operadora para "atualizar" seu celular. Pelo
que observei, ele tentava entender o que lhe diziam e, como não conseguisse,
parecia sentir-se desesperadamente velho e incapaz. Não lhe ocorria que,
aposentado e ocioso, podia muito bem viver sem aquele aparelho.
E não há aposentado recente que não seja bombardeado por
telefone com ofertas de empréstimos consignados e,
sucumbindo a elas pelo cansaço, veja-se titular de dívidas que nunca pensou em
contrair. Não há também velhinhas indefesas que não sejam induzidas a assinar
revistas de que não precisam e, ao tentar se livrar dessas revistas, acabem
assinando outras.
Quanto a mim, desenvolvi uma técnica para me livrar dos
assédios. Quando uma operadora me liga toda feliz para informar que fui
"selecionado" para receber tal ou qual "benefício",
interrompo para dizer que prometi à mamãe nunca aceitar favores de estranhos e
mando um passar bem e tchau.

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