Os presidentes da Câmara
dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo
Tribunal Federal, José Antonio Dias Toffoli, criticaram a atitude do
presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que por meio de dois vídeos apócrifos
chamou seus apoiadores e participarem de um protesto a favor dele, convocados
para 15 de março. Os organizadores da manifestação também defendem o fechamento
do Legislativo e da Corte Suprema. Maia e Toffoli pediram paz e harmonia.
O presidente
do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não se manifestou até a conclusão
dessa reportagem.
Disse Maia em uma publicação em sua conta
no Twitter: “Criar tensão institucional não ajuda o país a evoluir. Somos
nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à
ordem constitucional. O Brasil precisa de paz e responsabilidade para
progredir”. Enquanto que o magistrado se manifestou por meio da seguinte nota:
“Sociedades livres e desenvolvidas nunca prescindiram de instituições sólidas
para manter a sua integridade. Não existe democracia sem um Parlamento atuante,
um Judiciário independente e um Executivo já legitimado pelo voto. O Brasil não
pode conviver com um clima de disputa permanente. É preciso paz para construir
o futuro. A convivência harmônica entre todos é o que constrói uma grande
nação”.
Na noite de terça-feira, o jornal O Estado de S.
Paulo publicou uma reportagem na qual mostrava o envio dos vídeos de
Bolsonaro a um grupo de amigos pelo WhatsApp. O protesto do próximo dia 15 foi
convocado por bolsonaristas depois que o ministro do Gabinete de Segurança
Institucional, o general Augusto Heleno, foi
flagrado chamando os parlamentares de chantagistas. Na semana passada, sem
saber que estava sendo filmado em um evento públco pelo perfil oficial da
Presidência, Heleno disse: “Não podemos aceitar esses caras chantageando a
gente o tempo todo. Foda-se”.
O pano de fundo desse debate é sobre o controle de 30
bilhões de reais do Orçamento da União. O valor representa menos de 1% de todo
orçamento federal. A legislação aprovada no Congresso prevê que os
parlamentares possam definir de maneira impositiva onde aplicar esses recursos.
O presidente vetou esse trecho da lei e o veto presidencial deve ser votado no
próximo dia 3. É sobre esse assunto que Heleno se queixou.
Nesta quarta-feira, o presidente não falou com jornalistas,
como costuma fazer quase diariamente. Em seu
Twitter, Bolsonaro minimizou o episódio e afirmou que há uma tentativa
de tumultuar o país. “Tenho 35Mi de seguidores em minhas mídias sociais, c/
notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas
dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação
fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República”.
Desde a fala de Heleno, diversas convocações para protestar
em apoio a Bolsonaro começaram a surgir. Em uma delas, está escrito em uma
montagem: os generais aguardam as ordens do povo. Fora Maia e Alcolumbre. É
acompanhada de imagens de quatro generais da reserva: o vice-presidente
Hamilton Mourão (PRTB), o ministro Augusto Heleno, o deputado federal General
Peternelli (PSL-SP) e o ex-ministro Sérgio Etchegoyen. Heleno, Peternelli e
Mourão disseram que seus nomes têm sido usados indevidamente. Etchegoyen se
calou sobre as imagens. O vice ainda defendeu Bolsonaro: “Não autorizei o uso
de minha imagem por ninguém, mas protestos fazem parte da democracia que não
precisa de pescadores de águas turvas para defendê-la. O presidente Jair
Bolsonaro não atacou as instituições, que estão funcionando normalmente.”
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Oposição quer impeachment
Nesse cenário, a oposição tem se unido para pedir o impeachment do presidente. Internamente o assunto tem sido debatido no PT. O PSOL, por sua vez, fez uma representação junto ao Ministério Público Federal, alegando que o presidente cometeu crime de responsabilidade. A bancada do PSOL diz que as mensagens de Bolsonaro são de “cunho autoritário e antidemocráticas”. Alegam que elas infringem o artigo 85 da Constituição pois atentariam contra o livre exercício do Poder Legislativo, o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais e contra a probidade da administração.
Nesse cenário, a oposição tem se unido para pedir o impeachment do presidente. Internamente o assunto tem sido debatido no PT. O PSOL, por sua vez, fez uma representação junto ao Ministério Público Federal, alegando que o presidente cometeu crime de responsabilidade. A bancada do PSOL diz que as mensagens de Bolsonaro são de “cunho autoritário e antidemocráticas”. Alegam que elas infringem o artigo 85 da Constituição pois atentariam contra o livre exercício do Poder Legislativo, o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais e contra a probidade da administração.
O líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ),
pediu uma união de forças contra o presidente: “Temos que parar Bolsonaro!
Basta! As forças democráticas deste país têm que se unir agora. Já! É inadiável
uma reunião de forças contra esse poder autoritário”.
No Senado, até parlamentares que se consideram governistas,
como o líder do PSL Major Olímpio, reclamaram da atitude do presidente e de
algum de seus aliados. “Protestar a favor do presidente, tudo bem. Agora,
integrantes do Governo Bolsonaro estimularem manifestações agressivas ou
induzirem eventual fechamento do Congresso é um atentado contra a democracia. Temos
de serenar os ânimos”.
Um outro apoiador do presidente, o deputado Coronel Tadeu
(PSL-SP) afirmou que a imprensa se baseia em fake News para
dizer que o mandatário estaria pedindo apoio à manifestação e disse não
encontrar indícios para uma eventual destituição dele. “Esse vídeo não é uma
convocação. Não existe nada de errado, nada de anormal para que um processo de
impeachment seja aberto”.
O PSDB, que não se considera governista, mas tem filiados
ocupando cargos no primeiro e segundo escalões da Esplanada dos Ministérios,
pediu debate entre os poderes e demonstrou-se preocupado com aprovação das
reformas administrativa e tributária. “O momento é de diálogo entre os Poderes
e não de ações que tumultuam o ambiente político”, afirmou o líder da legenda na
Câmara, Carlos Sampaio.
Do Ministério Público Federal, nenhuma manifestação oficial.
Quem falou, também pelo seu Twitter pessoal, foi o secretário de Direitos
Humanos da Procuradoria Geral da República, Ailton
Benedito, um influencer da direita bolsonarista. “As
instituições do Estado, especialmente os poderes Legislativo, Executivo e
Judiciário, não se reduzem às pessoas que eventualmente ocupam cargos nas suas
estruturas. Críticas a agentes públicos, por seus atos, devem ser compreendidas
como exercício da democracia”.
Não é a primeira vez que Bolsonaro dá apoio a manifestações
que miram a artilharia para os outros poderes. Em maio do ano passado, o chamado “bolsonarismo puro” saiu às ruas pela
primeira vez sem o apoio das forças forjadas na campanha do impeachment, as
mesmas que estiveram ao seu lado na campanha presidencial. Na época, as
manifestações foram grandes o suficiente para mostrar o poder de mobilização do
presidente, mas não tão grandes como em 2015 e 2016, a ponto de amedrontar
Brasília. Agora, o clã presidencial endossa mais um movimento e será testado
novamente.

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