Entre os 210 milhões de brasileiros, só um tem poderes para
abrir processo de impeachment contra o presidente da República. Na
segunda-feira, ele deixou claro que não está interessado no assunto.
Em entrevista ao Roda Viva, Rodrigo Maia indicou que as 49 denúncias
contra Jair Bolsonaro vão continuar empilhadas em sua mesa. “Não tenho os
elementos para tomar uma decisão agora”, desconversou. Pressionado pela
bancada, o deputado se viu forçado a descer do muro. Ele afirmou, então, que
não aceitará nenhum dos pedidos que já foram apresentados por juristas,
políticos e entidades da sociedade civil.
“O presidente Bolsonaro sabe que nesses pedidos que estão
colocados eu não vejo nenhum tipo de crime atribuído ao presidente. De forma
nenhuma deferiria nenhum desses (sic)”, disse.
Maia alegou que não rejeita os pedidos de impeachment porque
os insatisfeitos poderiam recorrer ao plenário. Com isso, a Câmara ficaria
conflagrada e deixaria de votar medidas de combate à pandemia.
A desculpa irritou políticos que defendem o afastamento de
Bolsonaro. Eles dizem que Maia admitiu uma manipulação do processo legislativo.
Ao manter as denúncias paradas, o deputado impede a minoria de recorrer contra
um eventual arquivamento.
Ontem Maia ouviu outras queixas da oposição. Líderes de
partidos de esquerda disseram que ele não deveria ter absolvido Bolsonaro.
Bastaria dizer que não vê condições políticas para removê-lo do cargo.
As condições jurídicas são notórias. O presidente já cometeu
inúmeros crimes de responsabilidade. Na pandemia, sabotou as medidas de
distanciamento e se tornou um aliado do vírus. O Brasil está há 82 dias sem
ministro da Saúde, e deve ultrapassar os 100 mil mortos até o fim desta semana.
Apesar da tragédia, Bolsonaro conseguiu reorganizar a zaga.
Ele comprou o apoio do centrão, estancou a queda de popularidade e parou de
ameaçar um golpe de Estado por semana. Maia poderia reconhecer que isso tudo
mudou o ambiente político, mas não precisava passar um atestado de idoneidade
ao capitão.

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