A reunião do Conselho Superior do Ministério Público Federal
na sexta-feira (31) é o símbolo deprimente da crise entre o chefe da PGR,
Augusto Aras, e um grupo de procuradores que lhe faz oposição.
Temos visto, rotineiramente, ataques mútuos, egos inflados e
desvios da liturgia exigida para a função de procurador da República.
Anti-lavajatistas, dentro e fora do Ministério Público,
celebram a disposição de Aras em enfrentar a força-tarefa de Curitiba, liderada
há alguns anos por Deltan Dallagnol.
Nos bastidores, cresce a certeza de que Aras deve
desmantelar ou ao menos fatiar as atribuições do grupo que comanda a Lava Jato.
Seria demonstração de força do chefe da PGR que pode
enfraquecer Deltan e a equipe que conduziram as investigações da maior operação
anti-corrupção que o país já viu.
Decerto que razões existem (e sobram) para contestar, apurar
e repudiar os atropelos legais e o método policialesco que a Lava Jato adotou
em muitos casos até aqui.
Assim como é inegável o serviço prestado por ela ao
desmantelar um esquema de corrupção nefasto na Petrobras, colocando na cadeia
políticos e figurões empresários que assaltaram os cofres públicos.
A questão aí é qual o jogo real de Aras, devoto da cartilha
do presidente da República que o escolheu fora da tradicional lista tríplice da
classe.
Aras se indigna com o que chama de “caixa de segredos” da
Lava Jato, mas se cala diante da usurpação das atribuições da AGU e do
Ministério da Justiça no governo Bolsonaro.
Isolado no MPF, ensaia uma dobradinha com o STF. Aliou-se a
Dias Toffoli para ter acesso ao material sigiloso da Lava Jato —isso depois de
tentar obtê-lo na marra.
Em recente declaração, Aras disse que, durante seu mandato,
não vai permitir que “haja um aparelhamento” do Ministério Público.
Espera-se a mesma disposição do chefe da PGR em investigar
no inquérito que ele abriu para apurar o aparelhamento do comando Polícia
Federal por parte de Jair Bolsonaro.

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