O truque de Aras para livrar Bolsonaro de ser processado
por Dilma
Se depender de Augusto Aras, Procurador-Geral da República,
a maneira mais segura de o presidente Jair Bolsonaro atacar seus desafetos
políticos sem receio de ser processado é limitar-se a reproduzir o que disse no
passado sobre eles, por mais ofensivo que seja o que tenha dito.
Há quase um ano, a ex-presidente Dilma Rousseff entrou no
Supremo Tribunal Federal com uma queixa-crime contra Bolsonaro. Em vídeo postado
na sua rede social em agosto último, Bolsonaro reproduziu um discurso que
fizera na Câmara dos Deputados em 2014 no qual comparou Dilma a uma “cafetina”.
Cafetina é mulher dona de prostíbulo. Ou que agencia
prostitutas mediante pagamento. Mulher de baixos sentimentos. Também chamada de
madame, proxeneta. À época, Bolsonaro estava indignado com Dilma por conta da
Comissão Nacional da Verdade, que investigara crimes cometidos pela ditadura
militar de 64.
“Comparo a Comissão da Verdade, essa que está aí, com aquela
cafetina, que ao querer escrever a sua biografia, escolheu sete prostitutas. E
o relatório final das prostitutas era de que a cafetina deveria ser canonizada.
Essa é a Comissão da Verdade de Dilma Rousseff”, afirmou Bolsonaro.
Por que se depender de Aras o Supremo arquivará a
queixa-crime? Porque para ele, o comentário de Bolsonaro não foi feito durante
seu mandato como presidente. E presidente da República não pode ser processado
por atos anteriores à sua posse. Aras até admite que a conduta de Bolsonaro foi
criminosa, mas…
Mas, nada! Para não se indispor com quem lhe presenteou com
o cargo de Procurador-Geral da República, Aras preferiu basear-se na data da
fala citada e não na data em que Bolsonaro reprisou a fala ofensiva a Dilma,
compartilhando-a nas redes sociais quando já era presidente há oito meses.
Truque jurídico vagabundo.
Caberá ao Supremo aceitar ou recusar o truque de Aras.

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