Apesar das tentativas de censura movidas por Celso
Russomanno (Republicanos), candidato a prefeito de São Paulo, o Tribunal
Regional Eleitoral (TRE) do estado confirmou, em
decisão unânime, a liberação da mais recente pesquisa Datafolha sobre
intenções de voto para a eleição paulistana.
Os resultados explicam o desespero do postulante, que continua
a cair nas preferências. Com base em entrevistas realizadas na segunda e na
terça-feira (9 e 10), o Datafolha mostra que o prefeito Bruno Covas (PSDB)
mantém-se em curva ascendente, tendo subido, em uma semana, de 28% para 32%.
O patamar deixa o tucano às portas do segundo turno —e até
com alguma chance de, eventualmente, eleger-se na primeira rodada.
A principal novidade da pesquisa é Guilherme Boulos (PSOL),
que, após um período de estagnação, assumiu o segundo lugar, embora mantenha-se
em empate técnico com Russomanno e o ex-governador Márcio França (PSB).
O candidato do PSOL oscilou de 14% para 16%, enquanto seus
rivais passaram, respectivamente, de 16% para 14% e de 13% para 12%. A margem
de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
A confrontação entre Covas e Boulos, aliás, foi um dos
aspectos observados no debate
entre candidatos promovido pela Folha e pelo UOL na
terça-feira —evento valorizado por regras imaginosas e questões de interesse
para o eleitor.
Atrás dos citados, vale registrar que o petista Jilmar
Tatto, com oscilação de 6% para 4%, mantém-se muito aquém do histórico
eleitoral de seu partido. Com dificuldades em obter apoio até mesmo de
correligionários, Tatto faz uma campanha sem empolgação, deixando para Boulos o
papel de principal representante da esquerda.
O acentuado declínio de Russomanno, que chegou a marcar 29%
das intenções em final de setembro, é acompanhado de forte alta em seus
percentuais de rejeição.
Agora são 49% os que não votariam no deputado em nenhuma
hipótese, fatia que já foi de apenas 21%. O candidato iguala-se, dessa forma, a
seu principal aliado, o presidente Jair Bolsonaro, que na cidade de São Paulo é
rejeitado por 50% dos entrevistados, segundo a mesma pesquisa desta semana.
Sempre recomendável, em especial diante do exemplo de
eleições mais recentes, é preciso não subestimar a possibilidade de movimentos
de última hora do eleitorado.
A se manterem, contudo, as tendências que ora se desenham, o
cenário é certamente desfavorável a Russomanno, um veterano em derrotas na
cidade. Não há melhor indicador disso que a tentativa de esconder informações
da população.

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