sábado, 3 de dezembro de 2022

COMO O PT PODE TIRAR BOLSONARO DO JOGO DE 2026

Breno Pires, PIAUÍ

Uma ação digital de 245 páginas faz o mapa da desinformação da milícia digital da extrema direita

Durante meses, a campanha do PT mapeou a milícia digital do bolsonarismo a partir da conta de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, no Twitter. O trabalho, coordenado por dois pesquisadores, Fernanda Sarkis e Marcus Nogueira, revelou a existência de um “ecossistema de desinformação”, integrado por mais de 80 perfis, que agiram na eleição de modo articulado, disseminando mentiras, com o propósito de interferir no processo eleitoral.

O mapeamento resultou numa ação jurídica de 245 páginas, a ser analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na edição de dezembro da piauí, o repórter Breno Pires conta como o monitoramento foi realizado, as descobertas que os pesquisadores fizeram e o impacto que a ação jurídica pode ter – inclusive com a cassação de direitos políticos de Jair Bolsonaro.

Os assinantes da piauí podem ler a íntegra da reportagem aqui.

“O SHOW DE JAIR”

Como o PT enfrentou a milícia digital bolsonarista

Quando tomou o voo de Portugal para o Brasil, o casal Fernanda Sarkis e Marcus Nogueira trazia uma bagagem preciosa. Brasileiros, ela mestre em comunicação política pela Universidade do Porto e ele sociólogo, Sarkis e Nogueira haviam feito um mapeamento da extrema direita portuguesa no universo digital que ajudou o Partido Socialista a conquistar uma inesperada maioria nas eleições legislativas do início do ano. Enquanto cruzavam o Atlântico, no mês de fevereiro, a campanha no Brasil estava longe de começar, mas o PT já andava às tontas com um desafio enorme: como enfrentar a milícia digital de Jair Bolsonaro, que se provou tão eficaz na eleição de 2018? Baseados na experiência em Portugal, Sarkis e Nogueira achavam que tinham a resposta.

Em Brasília, o casal começou a participar de discussões sobre o funcionamento da extrema direita. Trocaram ideias com líderes de alguns partidos, mas estavam mais interessados no PT por achar que a candidatura de Lula era a única capaz de enfrentar Bolsonaro com sucesso. De início, o núcleo político petista ficou na dúvida sobre como a abordagem do casal poderia ser útil na comunicação do partido e na  ação política. Mas as conversas prosseguiram até que houve uma reunião com o advogado Angelo Ferraro, ex-assessor jurídico do governo de Dilma Rousseff e sócio de Eugênio Aragão, que ocupou o cargo de ministro da Justiça nas vésperas do impeachment da petista. Ferraro e Aragão operaram a área jurídica da campanha presidencial de Fernando Haddad em 2018 e estavam escalados para exercer a mesma função na campanha de Lula. Associados ao escritório de Cristiano Zanin, o advogado que tomou conta dos processos de Lula na Lava Jato, eles queriam abrir uma trincheira jurídica contra a milícia digital bolsonarista.

Breno Pires Repórter da piauí baseado em Brasília, foi jornalista investigativo no Estadão

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