A descarbonização da economia no mundo passará necessariamente pelo Brasil
O desequilíbrio ambiental, que não pode mais ser negado, está empurrando o mundo em direção à transição energética, retirando o petróleo do centro do modelo e substituindo-o por energias sustentáveis. Na verdade, a mudança é muito mais ampla, pois é nossa relação com a natureza que tem de ser alterada.
O Brasil tem desafios nessa área. Mas tem também oportunidades.
Claro que problemas históricos persistem, como a pobreza. E ela precisa ser enfrentada respeitando as restrições: interessante notar como a população rejeita a volta da inflação.
Não se pode gastar e elevar a dívida pública sem limites.
Parece razoável dizer que não voltaremos a crescer sem uma estratégia que destrave os novos motores de crescimento, mas sem atropelar as restrições. Ninguém quer mais um voo de galinha.
A questão energética é, pois, central nessa estratégia. O mundo está no rumo à descarbonização. É exatamente aí que reside uma grande vantagem do Brasil. Nossa matriz elétrica é 85% renovável! E temos muito ainda a fazer.
Basta atentar para alguns números. Em 2022, o País tinha algo como 2,5% da população mundial e 1,9% do PIB global. Ao mesmo tempo, estimase que tenhamos 15% de todo potencial do globo para produzir energia eólica e solar.
A descarbonização passará necessariamente pelo Brasil. Mais do que isso, a retomada do crescimento sustentado só ocorrerá com uma estratégia de entrar decididamente nessa avenida, tanto na projeção externa quanto internamente. O momento é propício para a volta firme do País às negociações internacionais não apenas na arena do clima, mas na regulação dos mercados de carbono e das relações comerciais. Como bem destaca o embaixador Roberto Azevedo, esse caminho é inexorável.
No plano interno, já passou do momento de rever nossas prioridades e a respectiva regulação. No que se segue, apenas listarei o que me parece mais relevante:
– Energia sustentável ou petróleo?
– Floresta em pé ou Margem Equatorial?
– Gerar energia elétrica a partir de térmicas a gás (as “usinas jabuti”) no Nordeste ou eólica/solar na base, com as hidrelétricas funcionando como baterias?
– É preciso terminar com o conflito lógico do mercado livre crescente e do mercado cativo de energia elétrica cada vez menor, dado que a tarifa nesse último acaba incorporando os subsídios de todo o sistema.
– Por que continuar subsidiando novas energias que já são competitivas?
Precisamos enfrentar essas questões com urgência e, acima de tudo, seriedade.
*ECONOMISTA E SÓCIO DA MB ASSOCIADOS

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