Fusão entre Honda e Nissan mostra como é difícil resistir
à ofensiva chinesa
As montadoras Nissan e Honda assinaram recentemente um
memorando de entendimento (MOU) descrito pelas companhias como uma “opção para
manutenção da competitividade global”. Na prática, tentarão combinar forças, em
um movimento que pode também vir a envolver a Mitsubishi, para não serem
engolidas pelas automobilísticas chinesas.
A expansão dos carros híbridos e elétricos chineses pelo
mundo desafia a indústria mundial de automóveis como um todo, mas a estratégia
de fusão das companhias japonesas é carregada de simbolismo porque, se agora
são as montadoras chinesas que representam uma nova era de avanços
tecnológicos, nos anos 1980 e 1990 foram os carros japoneses, em geral menores
e menos poluentes, que revolucionaram o mundo e ganharam mercados como o
norte-americano, o que acabou por abalar o domínio da trinca GM, Ford e Chrysler
– as duas primeiras muito conhecidas do público brasileiro.
Desafiadas em seu próprio território, as montadoras dos
Estados Unidos foram buscar na China a expansão e os lucros que minguavam em
casa. E em um primeiro momento foram muito bem-sucedidas. A GM, por exemplo,
previu corretamente a força do mercado chinês, no qual chegou a ser líder de
mercado, e a importância dos veículos elétricos. Dados recentes, porém, mostram
que a GM amarga agora a 16.ª posição em vendas no maior mercado de automóveis
do mundo.
Parte do erro da GM, e das demais fabricantes de veículos
estrangeiras que se instalaram na China, foi subestimar a capacidade dos
chineses de aprender e inovar. Quando permitiu que montadoras de outros países
se instalassem em território chinês, Pequim ofereceu subsídios a essas
empresas, com a contrapartida de que houvesse transferência de tecnologia.
Altamente dependente da importação de petróleo, a China já
planejava um mercado interno dominado por carros movidos por fontes
alternativas de energia, em especial as baterias elétricas.
Agora, as montadoras estrangeiras que remetiam para suas
matrizes os lucros polpudos que obtinham no mercado chinês veem os carros
desenvolvidos por concorrentes chinesas avolumarem-se não apenas no país
asiático, como proliferarem mundo afora.
De acordo com o Financial Times, as vendas de veículos
elétricos na China devem superar pela primeira vez, em 2025, as dos
tradicionais carros a combustão. A meta original do governo chinês era de que
tal marca fosse alcançada somente em 2035. Além disso, mesmo a Tesla, outra
líder global em veículos elétricos cujo desenvolvimento contou com subsídios do
governo dos EUA, produz boa parte de seus carros na China.
Às concorrentes estrangeiras, resta rever suas estratégias,
como buscam fazer a Honda e a Nissan. Embora não se possa afirmar que o
movimento das companhias japonesas dará certo, o fato é que as montadoras mais
tradicionais estão atrasadas em relação às chinesas e precisarão se reinventar
rapidamente. Não é questão de liderança nas vendas ou conquista de mercados,
mas de vida ou morte.

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