Gastança destoa dos Orçamentos e da situação fiscal do
país; explosão de despesas não é direcionada à melhoria da prestação
jurisdicional
Alheios à desequilibrada realidade fiscal do país, os
sistemas estaduais de justiça abocanham parcelas cada vez maiores dos
Orçamentos das unidades da Federação.
Estudo da Plataforma Justa em 18 estados apontou que as despesas
de governos com tribunais, Ministério Público e Defensoria Pública, de 2022 a
2023, saltaram
até 36%. Este foi o caso de Mato Grosso, cuja alta de gastos gerais no
estado ficou bem aquém (11%).
Deve-se atentar, também, para o abismo entre os dispêndios e
os Orçamentos gerais de cada ente. Na Bahia, os gastos com o Judiciário
aumentaram 18% no período, e o Orçamento cresceu apenas 8%; em Minas Gerais, a
distância é ainda mais assustadora: 30% e 3%, respectivamente.
Tamanha disparidade revela que as carreiras jurídicas de
elite vivem em ilhas de privilégios. Tampouco cabe justificar a explosão
da gastança com
essas instituições sob o argumento de ampliar o acesso à Justiça em um Estado
democrático de Direito.
Isso porque a maior parte das despesas não é direcionada à
melhoria da prestação jurisdicional, mas sim para manter supersalários e penduricalhos.
Em Pernambuco, por exemplo, 75,8% das verbas judiciais são consumidas pela
folha de pagamento.
É exasperante notar que nem o Judiciário nem o Congresso
estejam sequer remotamente preocupados em reduzir as regalias.
No fim de 2024, o Parlamento, por pressão de entidades de
classe do Judiciário, retirou do pacote de corte de gastos a diretriz
que previa combater os supersalários. A PEC apenas determinava que uma lei
complementar trataria das verbas fora do teto remuneratório, hoje de R$ 44 mil
mensais no âmbito federal.
Se Legislativos e Executivos levassem a sério o manejo do
dinheiro público, estariam mais empenhados em estancar seguidos rompantes
perdulários.
Os sinais vindos do Judiciário também não são animadores. O
presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís
Roberto Barroso, defendeu que o Poder não
tem responsabilidade pela crise fiscal —como se os recursos pagos a
magistrados e outras carreiras jurídicas não fossem oriundos do Orçamento
público.
O sistema judicial estadual é indispensável para que a
população possa fazer valer seus direitos; a miríade de ordenados e mordomias
injustificados, por outro lado, nem de longe é essencial e diverge
de países de maior renda.
Cabe aos governos e Legislativos estaduais, e por óbvio ao
próprio Judiciário, reconhecerem que a farra com dinheiro público não é
justiça, mas obscenidade.

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