Tarcísio quer ser presidente e busca ser identificado como o
herdeiro de Jair Bolsonaro. Para isso, parece disposto a copiar os piores
traços do padrinho.
No início da pandemia, o então presidente
tentou fazer graça ao ser questionado sobre o aumento de mortes causadas pela
Covid-19: “Não sou coveiro, tá?”. Tempos depois, ele julgou apropriado debochar
das famílias em luto: “Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até
quando?”.
As falas expõem governantes indiferentes à dor de quem os
elege. A diferença entre criador e criatura se esconde nos detalhes. Enquanto
um receitava cloroquina, o outro prescreve refrigerante.
A crise do metanol começou no fim de setembro, com o
registro de nove casos de intoxicação em São Paulo. Três dias depois, Tarcísio
abandonou o estado e pegou um avião para visitar Bolsonaro na prisão
domiciliar. Quando finalmente voltou ao trabalho, o governador divergiu da
Polícia Federal e disse descartar o envolvimento do PCC na adulteração de
bebidas. Pela convicção, era de esperar que ele esclarecesse a origem do crime
em poucos dias. Ainda não aconteceu.
Aliados de Tarcísio ofendem a inteligência alheia ao
descrever suas declarações como meros deslizes. O governador sabe o que diz e
aonde quer chegar. No ano passado, após uma chacina policial, ele afirmou:
“Pode ir na Liga da Justiça, no raio que o parta, que eu não tô nem aí”. Em
setembro, quando Bolsonaro marchava para a condenação, ele incitou coro contra
o Supremo e chamou o ministro Alexandre de Moraes de “ditador” e “tirano”.
No dia em que Tarcísio fez a piada do refrigerante, Bruna
Araújo de Souza, de 30 anos, tornou-se a terceira vítima da quadrilha do
metanol. Ela vivia em São Bernardo do Campo, batalhava num salão de beleza e
morreu após tomar suco de pêssego com vodca adulterada. Não há notícia de que o
governador tenha ligado para consolar sua família. Após o gracejo com a
Coca-Cola, ele arrematou: “A minha é normal”.

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