segunda-feira, 3 de novembro de 2025

MORRE CLARA CHARF

Carole Bê, Agenda do Poder

Morre Clara Charf, símbolo de resistência e viúva de Marighella, aos 100 anos

Militante histórica da esquerda brasileira dedicou a vida à luta por democracia, direitos civis e à preservação da memória dos perseguidos pela ditadura militar

A histórica militante de esquerda Clara Charf morreu nesta segunda-feira (3), aos 100 anos. Figura emblemática da resistência política brasileira, ela dedicou a vida à defesa da democracia, dos direitos civis e das causas sociais. Desde jovem, participou de movimentos populares, enfrentou a repressão da ditadura militar e atuou em organizações de esquerda, entre elas o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Ação Libertadora Nacional (ALN).

Clara foi casada com o líder guerrilheiro Carlos Marighella, morto em 1969 em uma emboscada da polícia política do regime militar. O assassinato do companheiro marcou profundamente sua trajetória, mas não interrompeu sua militância. Mesmo diante das perseguições e da vigilância constante, ela continuou engajada em ações políticas e campanhas pela anistia e pela reparação a vítimas da ditadura.

Da clandestinidade à redemocratização

Durante os anos mais duros do regime, Clara Charf viveu na clandestinidade e ajudou a articular redes de apoio a militantes presos e exilados. Após o fim da ditadura, passou a atuar abertamente na construção de partidos e movimentos de esquerda, sempre com foco na defesa da liberdade e da justiça social.

Com a redemocratização, tornou-se uma voz ativa em iniciativas de preservação da memória histórica e de valorização das lutas democráticas. Participou da criação de comissões e entidades voltadas à busca de desaparecidos políticos e à reconstrução das narrativas sobre o período autoritário.

Presença constante nas lutas sociais

Nas últimas décadas, Clara aproximou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) e teve participação em campanhas eleitorais e mobilizações populares. Mesmo já idosa, era presença frequente em atos públicos, encontros partidários e homenagens relacionadas à resistência e à memória da ditadura.

Em eventos e entrevistas, costumava afirmar que a luta por democracia e igualdade social era “uma tarefa de todas as gerações”. Sua trajetória inspirou militantes, artistas e acadêmicos que viam em sua figura um elo entre o passado da repressão e o presente das disputas políticas no país.

Legado e reconhecimento

Clara Charf deixa um legado de coerência, coragem e dedicação às causas populares. Sua vida foi marcada pelo compromisso com a liberdade e pelo enfrentamento da intolerância política. Movimentos sociais, partidos e organizações de direitos humanos divulgaram notas de pesar, destacando sua importância para a história do país e sua atuação incansável em defesa da democracia.

Em uma das últimas aparições públicas, Clara lembrou o companheiro e os ideais que os uniram: “Marighella vive em cada pessoa que luta por um Brasil mais justo e livre”.

Clara Charf, presente!

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