É emocionante, na conversa do Hamilton de Holanda,
músico de destaque da MPB, com o Derico, do quinteto do Jô Soares, ele cita o
nosso jovem Djedah, genial violonista. Realçam não só a qualidade do artista,
mas a busca do jovem artista por sua identidade amazônica, sua consciência da
memória e de sua história.
Podemos dessa conversa, também nos mirarmos na conquista do
Globo de ouro, em que Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura foram vencedores,
com o filme O Agente Secreto, melhor filme, em língua estrangeira e melhor
ator.
Um filme que nos vai mostrando fragmentos
de memórias de um cotidiano tomado pelo medo, em que nosso país foi
calado estranhamente por uma ditadura militar impiedosa, que apaga a pesquisa,
entregando invenções cientifica para o imperialismo, some com documentos
de identidade de pessoas, com desinformação burocrática, dão sumiço em pessoas,
corpos que as famílias não puderam identificar nem sepultar seus entes e
perseguiram com sentença de morte, pessoas críticas desse regime, lançando-as
à clandestinidade, para apagá-los definitivamente, como acontece, com o
personagem Marcelo, interpretado com maestria, pelo ator Wagner Moura.
Kleber Mendonça Filho não nos oferece, no seu filme, O
Agente Secreto, a catarse do herói e sim a história, fio de
entendimento que nos aproxima da memória, da resistência ao resgatar uma
realidade que quase foi apagada. Em qualquer canto do país ou mundo:
Pernambuco, Manaus, etc. Imaginamos que existe este Marcelo, com gestos lentos,
expressão de insegurança, cheio de humanismo, entretanto violentado, vítima da
elite, que se acha dona do mundo. Mas não é o fim, enquanto houver artistas
engajados com sua origem e identidade cultural o mundo será sempre banhado com
suas memórias, como fazem os indígenas do alto Rio Negro, como dizia o nosso
professor, Casimiro Breska, de antropologia.

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