Tão ou mais escandalosa que a fraude é a rede de proteção
dos subterrâneos do poder em torno do banco liquidado
Indevidas decisões individuais arrastam o Supremo e o
Tribunal de Contas ao campo das suspeições por conivência
As fraudes de longa data do Banco Master —apontadas
pelo mercado financeiro e pelo Ministério
Público—, que resultaram na liquidação em novembro pelo Banco Central,
marcam mais um na série de escândalos com os quais nos habituamos a conviver.
Esse caso, no entanto, exibe uma peculiaridade: tão ou mais
escandalosa que as falcatruas do controlador, Daniel
Vorcaro, é a rede de proteção formada para contestar a decisão da
autoridade monetária.
As razões ainda são obscuras, mas o
objetivo foi traduzido nas palavras do ex-presidente do BC Armínio Fraga:
"Tem muita gente querendo assar uma pizza do tamanho do Maracanã",
disse ele em entrevista ao O Estado de S. Paulo na última
terça-feira (6).
Suspeita plenamente justificada pelas movimentações dos
subterrâneos do poder onde Vorcaro construiu uma teia de relações que, ao juízo
dele, lhe permitiriam levar seus negócios com segurança e exibicionismo pelo
terreno da lucrativa enganação.
Há sujeitos ocultos trabalhando para de algum modo amenizar
a situação, o que não é de se estranhar, e cujos modus operandi o então senador
Romero Jucá explicitou na ideia de "estancar a sangria" mediante
acordos "com o Supremo, com tudo".
Falava com conhecimento de causa sobre a possibilidade de se
anularem as consequências da operação
Lava Jato. Acertou e, pelo visto, difundiu a metodologia agora aperfeiçoada
no intuito de não deixar que a sangria se instale.
A malfadada novidade aqui é ver o Supremo Tribunal
Federal e o Tribunal de Contas da União arrastados ao campo da
suspeição por conivência, mediante decisões individuais dos ministros Dias Toffoli,
no STF, e Jhonatan de Jesus, no TCU.
Ambos precisaram recuar de providências mais danosas à
imagem das instituições, mas a ultrapassagem da linha da compostura
institucional está dada e não tem conserto.
A menos que os colegiados dessas instâncias abandonem o
recato corporativista e se coloquem claramente em oposição a jabutis que,
sabemos, só sobem em árvores por ação das mãos de gente.

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