Quando os penduricalhos chegarem à sua mesa, presidente
terá escolha difícil entre vetar ou sancionar
Mais difícil será explicar o que faziam o PT e companhia
no acordo de privilégios que o governo diz ignorar
O presidente da
República tem pela frente uma escolha difícil. Quando o pacote
de privilégios aprovado no Congresso
Nacional chegar à sua mesa para sanção ou veto, ele precisará decidir
entre se indispor com o Legislativo, além de boa parte do funcionalismo, e
ficar mal na foto eleitoral.
A dificuldade maior nem é essa. Antes disso, será necessário
explicar a presença do PT e companhia
no acordo que viabilizou uma votação simbólica —sem a identificação do voto— de
surpresa, no meio da tarde do segundo dia do novo ano legislativo, e que, entre
outras desigualdades, cria
penduricalhos salariais e institui a escala 3x1 de trabalho para uma
casta de servidores públicos.
Isso enquanto Executivo e Legislativo fazem
cara de paisagem à tramitação de uma proposta de reforma administrativa que
busca conter privilégios, o ministro da Fazenda, Fernando
Haddad, defende o fim dos supersalários e o governo faz da escala de cinco
dias de trabalho por dois de folga para o setor privado uma bandeira de
campanha.
Francamente, Luiz Inácio da Silva (PT) estará diante de um
dilema e tanto. Ou bem sanciona a manobra de privilégios, jogando fora o
discurso da justiça social, ou veta a pilantragem e quebra o acordo de boa
vizinhança que incluiu a oferenda
de um instituto federal de educação na cidade de Patos (PB), administrada
pelo pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
Será uma boa oportunidade para Lula desvendar
ao público o real significado do slogan "Congresso inimigo do povo".
Até lá, fica a seguinte impressão: o dito serve para afetar antagonismo nos
palanques e exortar as plateias a escolher parlamentares fiéis ao governo. Mas
não é para ser levado a sério quando o pragmatismo manda que se alimentem as
boquinhas.
Seja qual for a saída encontrada por Lula, uma coisa é
certa: nem ele nem os presidentes da Câmara
dos Deputados e do Senado deram
a menor pelota ao que ouviram no dia anterior do presidente do Supremo Tribunal
Federal, Edson Fachin,
sobre a urgência da autocorreção dos Poderes. Não entenderam nada.

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