Indicada a vice na chapa, Jane Reis é irmã do cacique de
Caxias
Estratégia é ampliar diálogo com evangélicos e avançar na
Baixada
Em 2020, a advogada Jane Reis disputou a eleição à
Prefeitura de Magé, na Baixada Fluminense, a 50 quilômetros da capital, com
população de 228.127 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE. O município se
destaca na produção de mandioca. Jane obteve 7.966 votos, equivalente a 5,92%
do total, ficando na sexta colocação, atrás dos candidatos Boneco e Sargento
Lopes. Seis anos depois, ela pode se tornar a vice-governadora do Rio de
Janeiro, se as pesquisas que indicam o favoritismo de Eduardo Paes nas eleições
de outubro se confirmarem.
Pode-se dizer que Jane era a mandioca que
faltava à farofa eleitoral de Paes. Apresenta a opção de uma mulher na chapa
majoritária, aumenta o diálogo com os evangélicos (Jane tem ligação com a
Assembleia de Deus), incorpora o MDB à
coligação PSD-PT e avança na Baixada e no interior. Além disso, o movimento é
uma tentativa de minar a força do bolsonarismo no estado que o viu nascer.
É, no entanto, uma aposta arriscada. Nome desconhecido da
população, Jane não tem experiência administrativa. No seu Instagram, define-se
como "cristã, mãe e esposa". Preside o MDB Mulher em Duque de Caxias.
Traduzindo: ela é irmã de Washington Reis, presidente estadual da legenda e
cacique da Baixada. Um bolsonarista até a cutícula punido na Ficha Limpa.
Por ironia, Jane é casada com o pastor Rafael Corato, que
chegou a ser cotado para vice de Alexandre Ramagem na eleição municipal de 2024
—contra Eduardo Paes. A farofa é tão saborosa que, dois dias após a indicação
da irmã, Washington Reis anunciou que continua apoiando a candidatura de Flávio
Bolsonaro à Presidência. De lambuja, criticou a gestão Lula. Vai passar a
campanha pulando do palanque amigo ao palanque inimigo, com a certeza de que
com qualquer resultado sairá vitorioso.
Sem força partidária no Rio —o PT tem três prefeituras
contra 22 do PL e 17 do PP—, Lula nem sequer foi comunicado da escolha de Paes.
A esperança é usar a mandioca para trazer o MDB e outros centrões da vida à
campanha da reeleição.

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