Após alerta do Banco Central, PF acusa altos burocratas
do BC de levar propina de Vorcaro
Funcionários do BC assessoravam Master e pareciam ricos
demais para o salário
O Banco Master era
a fachada de uma máfia
comandada por Daniel Vorcaro. Qualquer autoridade da República que crie
empecilhos para a investigação do Master é conivente com a máfia. No pior dos
casos, é também beneficiário da organização criminosa, empregado
dos mafiosos ou cúmplice.
Segundo acaba de se saber pela Polícia
Federal, Vorcaro tinha capangas
para espionar e ameaçar concorrentes e jornalistas. Mandou pagar propina
aos dois chefes da supervisão bancária do Banco Central,
que davam assessoria para escamotear irregularidades e deram ajuda para tirar
Vorcaro da prisão.
Foram flagrados, além desses motivos,
porque pareciam ricos demais para o salário, segundo apurações do BC.
Descobriu-se também como o Master sumiu com mais R$ 2,24 bilhões, outra vez
pela Reag, grande ninho dos fundos bandidos (o rolo era só ali?).
Essas são as últimas. Já sabemos de mais. Mas nada se sabe
ainda de concreto sobre mãos e braços políticos de Vorcaro ou sobre os motivos
de sua amizade com o centrão, em particular no PP, o Progressistas, dos
deputados Doutor Luizinho (RJ) e Claudio Cajado (BA) e do senador Ciro Nogueira
(PI), por exemplo, e no Distrito Federal governado por Ibaneis Rocha (MDB).
O Master era uma ficção. Seus ativos eram superestimados e
ilíquidos (não virariam dinheiro logo e sem custo) ou mera ficção fraudulenta,
como os créditos
que vendeu ao BRB.
Os ativos de fantasia falsificavam a saúde do banco e, pois,
permitiam que pegasse dinheiro emprestado (como CDBs), que então escorria para
empresas de fachada, laranjas, fundos de propriedade secreta, parentes
de Vorcaro e sabe-se lá quais beneficiários. Quais?
O esquema contava com apoio no Congresso (no mínimo),
alugava lobistas de nível ministerial e escritórios supremos de advocacia,
tinha sociedades ou negócios
com gente poderosa (Dias Toffoli ou Nelson Tanure) e subornava altos
burocratas do BC, segundo as investigações.
No grupo
de WhatsApp "A Turma", Vorcaro coordenava capangas, espiões,
subornos e intimidações; de resto, tinha uma zona de confraternização de
poderosos em uma casa de Trancoso (BA).
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-SE), e
do Senado,
Davi Alcolumbre (UB-AP), barram uma CPI sobre o caso ou criam dificuldades para
a CPI do Crime Organizado, que tenta ser uma alternativa à CPI do Master.
Qualquer leitor de jornal sabe disso, que a máfia alugava ou
comprava apoios de variada espécie e poder e, agora, que corrompia gente do BC.
O acordão ainda tenta abafar o caso, apesar de investigações da PF, ora
liberadas por André Mendonça, e do BC. O país, sem ação, é refém da máfia, por
interpostas pessoas na cúpula da República.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central liquidou o
Master. Dias depois, começou a investigar o processo inteiro que, no final das
contas, permitiu a sobrevida de um banco fictício como o Master. Era uma
investigação administrativa. Havia indício de mais, porém.
Belline Santana, chefe do departamento de Supervisão
Bancária do BC, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto, foram afastados
dos cargos. Em janeiro, o BC passou os indícios para a Polícia Federal e avisou
a CGU (Controladoria-Geral da União).
Souza foi diretor de Fiscalização do BC, de 2017 a 2023
—assim também votava nas decisões do Copom sobre juros. É gravíssimo. Quando se
puxa uma pena, não vem uma galinha, vem um avestruz. O que mais, onde? Apenas a
delação de Vorcaro vai resolver?

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