Em 2022, Jair Bolsonaro teve a ajuda de um candidato
laranja. Era Kelmon Souza, um baiano que se dizia padre pela Igreja Ortodoxa do
Peru. Em 2026, Flávio Bolsonaro deve contar com outro adversário de mentirinha.
É Aldo Rebelo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma.
Aldo é um caso curioso de metamorfose política. Após quatro
décadas no PCdoB, trocou a foice e o martelo pela motosserra. Renegou o passado
de esquerda e virou porta-voz de latifundiários, garimpeiros e desmatadores da
Amazônia.
Para ser aceito no novo clube, passou a
atacar o Supremo e defender anistia aos golpistas. Foi recompensado com uma
boquinha na gestão de Ricardo Nunes, o prefeito bolsonarista de São Paulo.
Em janeiro, o ex-ministro se lançou pré-candidato ao
Planalto. Até aqui, não foi capaz de empolgar as massas. Ele aparece em último
lugar em todos os cenários testados pelo Datafolha, com 2% das intenções de
voto. Fica atrás até de Renan Santos, o youtuber do MBL.
Fora do páreo, Aldo parece cumprir tarefa como linha
auxiliar do bolsonarismo. Na semana passada, usou uma entrevista para fazer
ataques a Lula (“amargurado”), Marina Silva (“uma tragédia”) e o PSOL
(“atrapalha qualquer governo”).
Instado a apresentar propostas, ele sugeriu aumentar o
número de ministros do Supremo. A ideia não é boa nem nova. Já foi testada pela
ditadura para subjugar o Judiciário e facilitar a tomada de medidas de exceção.
Deputado por seis mandatos, Aldo chegou à presidência da
Câmara como substituto de Severino Cavalcanti. Sua carreira parlamentar é mais
lembrada por lances folclóricos, como as tentativas de proibir o uso de
palavras estrangeiras e de criar o Dia Nacional do Saci. Há quatro anos, ele
tentou voltar à tona como senador por São Paulo. Terminou em sétimo lugar, com
1% dos votos.
Rejeitado nas urnas, o Policarpo Quaresma das Alagoas também
tem penado para estacionar num partido. Desde que saiu do PCdoB, já rodou por
PSB, Solidariedade, PDT e MDB. Agora aproveitou a aposentadoria do veterano
José Maria Eymael para se filiar ao Democracia Cristã.
Em 2022, Kelmon causou espanto ao ir aos debates de batina e
crucifixo. Terminou a eleição com o apelido de “padre de festa junina”. Mais
discreto, Aldo adotou outro figurino para o papel de candidato laranja. Tem
circulado de paletó e chapéu-panamá.

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