Maricá oferece um repertório valioso que merece ser
estudado e compreendido em profundidade
Em ano eleitoral, o foco se volta para políticas públicas
concretas, e não apenas para candidatos. A intenção é analisar experiências que
possam se tornar parte de uma agenda de Estado contínua, pois é no município
que a política se torna realidade, impactando diretamente a vida das pessoas. O
debate sobre desenvolvimento no Brasil, geralmente centrado em Brasília e nos
estados, raramente considera o município como protagonista. Maricá, no Rio de
Janeiro, desafia essa lógica.
A cidade usa os royalties do petróleo como
ferramenta de reorganização estrutural, buscando se posicionar como centro de
inovação social e econômica. Maricá desenvolveu o maior ecossistema integrado
de políticas sociais do país, incluindo a Renda Básica de Cidadania (com a
Moeda Social Mumbuca, que atende 32 mil famílias), a Tarifa Zero no transporte,
o Restaurante Popular e o Passaporte Universitário.
O diferencial está na interconexão dessas políticas. A moeda
social fortalece a economia local, a mobilidade amplia o acesso ao trabalho, e
a educação qualifica a população. As transferências de renda são vistas como
ponte para a autonomia, não como dependência. A estratégia reconhece a
importância da economia informal e dos pequenos empreendedores, resultando na
abertura de novas empresas e na busca pela diversificação produtiva, com
projetos como o Porto de Maricá e o complexo hoteleiro Maraey, que somam bilhões
em investimentos e preparam a cidade para o futuro pós-royalties.
A vitória da União de Maricá — que ganhou a Série Ouro e
desfilará no Grupo Especial do Rio em 2027 — é exemplo do sucesso do
investimento contínuo em cultura e economia criativa, gerando visibilidade,
renda e fortalecendo a identidade local. O carnaval é tratado como cadeia
produtiva, uma política pública bem-sucedida que projeta a marca da cidade e
reforça o sentimento de comunidade.
Maricá investiu na integração com as forças policiais
estaduais, no monitoramento por câmeras inteligentes e na regulamentação do
porte de arma para a Guarda Municipal, tratando segurança pública como
infraestrutura essencial ao desenvolvimento econômico. O turismo também foi
reposicionado como política de Estado, com foco na diversificação e na inserção
global.
A continuidade dessas políticas ao longo do tempo criou um
ambiente de previsibilidade social e segurança jurídica, algo raro no Brasil. A
população, o comércio e os investidores se beneficiam do cenário estável.
Maricá funciona como laboratório de transição entre proteção social e
desenvolvimento econômico, entre subsídio e crescimento.
Para construir uma agenda pública que realmente reduza
desigualdades, é preciso olhar para as cidades. O futuro do desenvolvimento
brasileiro pode estar mais próximo do municipalismo do que se imagina. Maricá
oferece um repertório valioso que merece ser estudado e compreendido em
profundidade.

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