Sob pressão de Flávio Bolsonaro, Ratinho abandonou o navio
Próximo da fila do PSD, Caiado não tem nada a perder além
de mais uma eleição
Ratinho, o Júnior, foi o primeiro a abandonar o navio. O
governador do Paraná anunciou que não é mais candidato a presidente. Vai ficar
no cargo até o fim do mandato.
O herdeiro do animador de TV se apresentava como candidato
da “direita democrática”. Ensaiou um discurso moderado, mas prometeu
militarizar escolas e indultar os golpistas, a começar por Jair Bolsonaro.
O equilibrismo não o ajudou a se firmar na
disputa. Em três meses, Ratinho encolheu de 12% para 7% no Datafolha. O eleitor
bolsonarista dispensou o genérico e escolheu o original, filho do capitão.
Em alta nas pesquisas, Flávio Bolsonaro deu o tiro de
misericórdia nos planos do governador. Depois de tentar cooptá-lo com a vaga de
vice, lançou seu desafeto Sergio Moro como candidato do PL no Paraná.
Sem avançar na corrida ao Planalto, Ratinho recuou para
defender o Palácio Iguaçu. Vai cuidar dos assuntos da província, na esperança
de emplacar um aliado como sucessor.
O tempo dirá se o caso Master também influiu na decisão. O
paranaense tem sido cobrado pela venda da distribuidora de energia Copel ao
empresário Nelson Tanure, parceiro de negócios de Daniel Vorcaro. Ratinho, o
pai, foi sócio dos irmãos Toffoli numa filial do resort Tayayá.
A desistência do governador lança novas dúvidas sobre o
projeto presidencial do PSD. O partido de Gilberto Kassab lançou três
pré-candidatos, mas não deu garantias a nenhum. Agora terá que escolher entre
Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que comem poeira nas pesquisas. Os dois oscilam
entre 3% e 4% das intenções de voto. Aparecem numericamente atrás de Romeu
Zema, do nanico Partido Novo.
Favorito para o lugar de Ratinho, Caiado não tem nada a
perder além de mais uma eleição. O homem do cavalo branco sonha com a
Presidência desde 1989, quando tentou se vender como antagonista do PT. Foi
atropelado por Fernando Collor e terminou em décimo lugar, com 0,7% dos votos.
No ano passado, ele se lançou candidato pelo União Brasil,
mas teve o tapete puxado pelos donos da sigla. A ver se Kassab terá incentivos
para mantê-lo no páreo até o fim.

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