- Filho do ex-presidente mostrou mais uma vez que bolsonarismo moderado é um oxímoro
- Nos
Estados Unidos, declarou que a disputa presidencial deste ano só será
justa se os votos levarem a sua vitória; direita populista degrada debate
Em maio de 2022, durante as tentativas do então
presidente Jair
Bolsonaro (PL)
de desacreditar as eleições brasileiras por meio de ataques às urnas
eletrônicas e outras teorias conspiratórias vazias, a Folha registrou
neste espaço:
"[Jair Bolsonaro] atiça os ânimos de alguns poucos
dispostos a participar de seus ensaios golpistas, que alternam intimidações e
recuos enquanto se mantém elevado o risco de derrota em outubro. Trata-se de
uma ofensiva estúpida contra uma valiosa conquista nacional e, ao fim e ao
cabo, contra todos os eleitores e eleitos do país".
O peelista não somente perdeu o pleito daquele ano para o
petista Luiz Inácio Lula da Silva
como acabou condenado e, inelegível, cumpre prisão domiciliar por, entre outros
crimes, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito.
O fato de o jornal voltar ao tema da lisura das eleições
brasileiras reforça a indigência do debate público advinda da ascensão da
direita populista com Donald Trump,
em 2016, e, no Brasil, com Bolsonaro, dois anos depois.
Mas o faz provocado por discurso de outro Bolsonaro, o
primogênito Flávio, na extremista Conferência de Ação Política Conservadora
(CPAC, na sigla em inglês), nos Estados
Unidos.
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Nele, o atual pré-candidato do PL, que aparece
tecnicamente empatado com Lula no Datafolha, mostrou mais uma vez que
"bolsonarismo moderado" é um oxímoro ao elencar um rol de ameaças e
bobagens, entre elas a de que o petista só venceu o último pleito com auxílio
do Supremo Tribunal Federal e interferência e auxílio financeiro do então
presidente democrata, Joe Biden.
Segundo o senador pelo Rio, ele
será o escolhido desde que haja "eleições livres e justas":
"Se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os
votos forem contados corretamente, nós venceremos".
Flávio
Bolsonaro pede ainda que os EUA "monitorem a liberdade de
expressão" do povo brasileiro e "apliquem pressão diplomática para
que nossas instituições funcionem corretamente".
Desde 1989, o Brasil tem tido eleições diretas para
presidente, todas elas livres e justas. Há quase 40 anos, os votos são contados
de modo correto, principalmente depois da adoção da urna eletrônica, em 1996,
uma conquista brasileira que ainda hoje serve de modelo mundial.
O pré-candidato de ultradireita deveria deixar de perseguir
fantasmas e tratar de explicar aspectos nebulosos de seu passado —como as
rachadinhas e as ligações perigosas com milicianos— e dirimir preocupações
concretas sobre seu futuro —e o do país, caso venha a ser eleito.
Poderia começar esclarecendo o que quis dizer, em
entrevista à Folha no ano passado, quando falou de
"possibilidade e de uso da força", se o STF derrubar um hipotético
indulto a seu pai. E apresentar propostas para um país que iniciará 2027 com
uma necessidade inadiável de ajuste fiscal.

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