Os ativos financeiros de Brasil e Colômbia perderam menos
que os de outros países com a guerra
Após um mês inteiro de conflito no Oriente Médio, o Brasil e
a Colômbia estão entre os países emergentes que apresentaram o melhor
desempenho de seus ativos financeiros – perdas menores das Bolsas de Valores e
das moedas – em meio à turbulência geopolítica mundial, que levou à disparada
nos preços do petróleo e à valorização do dólar, para onde correram os
investidores globais em busca de refúgio.
Em comum, Brasil e Colômbia são
exportadores líquidos de petróleo, enquanto Índia, China, Filipinas e Chile
precisam importar quase todas suas necessidades de petróleo e derivados. A
Europa também tem uma dependência energética elevada. Não à toa, as Bolsas
europeias acumularam forte queda no aniversário de um mês da guerra no Irã.
Além disso, Brasil e Colômbia estão entre os países
emergentes com menor déficit em conta corrente, isto é, dependem menos de
buscar financiamento externo, justamente no momento em que a tensão global
tornou bem mais caro o custo do dinheiro. Em situação oposta, estão a África do
Sul e a Coreia do Sul. Sem falar que as taxas básicas de juros no Brasil e na
Colômbia estão mais elevadas do que em outros países, o que deixa suas moedas
atrativas para os investidores que buscam ganhar com a diferença em relação aos
juros nos EUA. No Brasil, a Selic está em 14,75%. Na Colômbia, os juros
estão em 11,25%.
O principal índice de ações colombiano fechou, na sextafeira
passada (véspera de um mês de guerra), com queda acumulada de apenas 0,46%. Já
o Ibovespa registrou uma perda de 3,83%. O que surpreendeu foi a entrada de
capital estrangeiro na Bolsa brasileira nesse período: mais de R$ 8 bilhões. Na
Coreia do Sul, a Bolsa caiu 12,9%, enquanto na Índia o recuo acumulado foi de
10,6%. Aliás, o banco UBS cortou sua recomendação para a Bolsa da Índia para
“neutro”, citando a vulnerabilidade do país a um choque de petróleo. A Bolsa
mexicana caiu 6,6%, enquanto a da África do Sul recuou 13%.
No câmbio, o dólar valorizou-se em relação a quase todas as
moedas no primeiro mês de conflito. Em relação a uma cesta com seis moedas
fortes, incluindo o euro, a alta foi de 2,6%. Ante o real brasileiro, o ganho
foi de 2,1%. Em comparação ao peso chileno, a alta foi de 6%. Na África do Sul,
a valorização foi até maior: 7,5%. Na Colômbia, porém, o dólar caiu 2,1%.
É impossível deixar de observar que no Brasil e na Colômbia
(com eleições presidenciais em maio) os candidatos apoiados pelos investidores
estão em alta nas pesquisas de intenção de voto. Ou seja, outro alívio no meio
da turbulência.

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