Aconselhado a delatar antes, Paulo Henrique Costa foi
preso na 4ª fase da operação Compliance Zero
Suspeita-se que ele possa ter recebido vantagens
financeiras ou de outro tipo para não delatar antes.
Preso na 4ª fase da operação Compliance Zero da Polícia
Federal, Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do BRB, pode agora ter
incentivos para correr e fechar uma delação até mesmo antes de Daniel
Vorcaro, dono do Master, que já assinou um acordo de confidencialidade para
iniciar a colaboração.
Acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Costa
é suspeito
de ter ocultado seis imóveis recebidos como propina, avaliados em R$
146,5 milhões.
Como não era chefe da organização
criminosa, como Vorcaro, uma eventual delação sua, apontando envolvidos de alta
patente no escândalo, pode ter grande importância para as investigações.
Antes
de ser preso, ele foi aconselhado a fazer uma delação, mas resistiu à ideia
mesmo sabendo que as investigações estavam avançando com provas robustas contra
ele.
As razões são hoje ainda desconhecidas. Suspeita-se que ele
possa ter recebido (ou ter tido uma promessa de receber no futuro) vantagens
financeiras ou de outro tipo para não delatar.
Outra possibilidade, menos plausível, mas que não pode ser
descartada, é a de que Costa não tivesse pleno conhecimento de que Vorcaro
mantinha guardadas no celular tantas mensagens comprometedoras contra ele.
Na prisão, a situação muda de figura. PH, como é chamado,
pode não ter razão para poupar ninguém. Como não delatou antes, para ter agora
uma redução da pena, teria que entregar todo mundo. Todo mundo significa
incluir políticos que estão passando ao largo do centro do escândalo.
Se tivesse cooperado antes com a investigação, é possível
que tivesse que ter entregue menos gente e obtido mais benefícios. Como atrasou
demais, será necessário delatar gente muito graúda e ainda assim ter menos
benefícios de redução de pena.
Uma eventual colaboração certamente concorreria com a de
Vorcaro. O dono do Master certamente teria que subir o sarrafo das provas e da
devolução do dinheiro roubado para mitigar as penas.
Seria o ex-presidente do BRB o
candidato a homem-bomba do caso.

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