Pressões para que Alckmin disputasse em São Paulo
começaram ainda em 2023
No dia 5 de fevereiro, em entrevista ao portal UOL, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva expôs à luz do dia uma articulação que se
processava nos bastidores praticamente desde o início do seu governo. Colocou
em dúvida a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa, afirmando
que ele e o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “tinham um papel a
cumprir em São Paulo”. Hoje, na reunião ministerial que formalizou a saída de
parte da equipe para concorrer às eleições, Lula confirmou a manutenção de
Alckmin na chapa. Foi a volta do que não foi. O que mudou?
Alckmin jogou parado. Diante do movimento
para expeli-lo da chapa, sinalizou que preferia não concorrer a nada do que
disputar o governo ou o Senado por São Paulo. Quem prevalece sem se mover se
beneficiou das circunstâncias. Até onde se sabe, trata-se do único aliado do
presidente que conseguiu tal mudança de curso. Outros atenderam a uma
convocação.
Para entender por que Alckmin ficou, é preciso compreender
as esquinas pelas quais ele passou sem ser atropelado.
A primeira pressão contra Alckmin vinha do PT, movido até o
ano passado por uma análise bastante otimista do cenário da eleição
presidencial de 2026. Havia a crença de que o alijamento do ex-presidente Jair
Bolsonaro do processo sucessório tornava a reeleição de Lula muito provável.
Com um quarto mandato de Lula, a vice se tornaria um posto mais estratégico do
que já é, por sinalizar o possível candidato governista em 2030. E o PT
angustia-se com a falta de perspectiva de poder no pós-Lula. A portas fechadas,
discutiram-se, desde 2023, ainda no primeiro ano do governo, cenários de chapas
puro sangue: Lula/Camilo Santana, ou Lula/Haddad, ou mesmo Lula/Rui Costa.
Pressões para que Alckmin disputasse em São Paulo começaram
ainda em 2023
O otimismo deixou de prevalecer, mas a pressão contra
Alckmin continuou movida por outro fator: a necessidade de se ampliar a aliança
eleitoral de modo a incorporar forças de centro-direita. O alvo era o MDB. Um
encontro entre Lula e senadores da sigla, em dezembro, tracionou a conversa
para uma eventual chapa Lula/Renan Filho ou Lula/Helder Barbalho.
A conversa não foi adiante porque, em um partido dividido
como o MDB sempre foi, os governistas não tinham maioria. Uma contabilidade
interna da sigla apontou que dois Estados desequilibravam a balanço para o lado
contra o governo: Rio de Janeiro e Minas Gerais. A tendência do MDB é de não
apoiar ninguém na eleição presidencial.
Para mudar essa tendência seria necessário uma ofensiva
política comandada pelo presidente, mas a relação custo/benefício também pesou.
O MDB não tem mais o porte que teve nas décadas passadas, em que a aliança com
o partido definia a governabilidade. Um vice emedebista do Nordeste ou do Norte
pouco agregaria em termos eleitorais.
O vice-presidente manteve a sua posição na chapa porque os
fundamentos que justificariam uma troca na composição não criaram raízes. Lula
chega às portas da campanha eleitoral frágil, sem opções para ampliar aliança e
não podendo criar arestas com o PSB.

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