Quando governadora do DF formalizar pedido de aval do
Tesouro a empréstimo, presidente será forçado a decidir
Licença é semelhante à que o Tesouro concedeu aos
Correios, estatal com histórico de corrupção e má gestão
Não será trivial para o presidente Lula negar o
aval do Tesouro Nacional ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o governo do Distrito
Federal pleiteia junto ao Fundo Garantidor de Crédito para salvar
o BRB em
pleno ano eleitoral.
O senso comum leva a pensar que cabe ao BRB, que
se meteu nas falcatruas do Master, sair dessa encrenca sozinho, sem impor
ônus à União e ao contribuinte, ou sofrer intervenção do Banco Central.
Afinal, a governadora Celina Leão é
adversária política do PT (Jair
Bolsonaro venceu em quase todo o DF nas eleições de
2022), fazendo todo o sentido Lula ficar bem longe do caso.
Só que deixar
quebrar o banco da capital federal, onde o presidente vive e trabalha, não
é uma engenharia política fácil.
Na hora em que a governadora do PP formalizar o pedido de
aval ao presidente, como ela planeja com apoio de lideranças políticas e votos
a oferecer no Congresso, Lula será forçado a decidir. É sim ou não.
Num primeiro momento, o aval do Tesouro não exige dinheiro
da União. Esse risco só acontece em caso de calote do GDF (Governo do Distrito
Federal). A garantia federal tornaria a negociação mais rápida e com custo
menor diante do seguro da União.
Acontece que as finanças do GDF estão tão ruins, com nota de
crédito baixa, que pelas regras atuais o Tesouro teria que abrir uma exceção.
Uma licença especial do mesmo tipo que o Ministério da
Fazenda liberou para viabilizar o empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios,
estatal também com histórico
de corrupção e má gestão.
Lula 3 defende que os Correios são uma empresa importante
para o país, com milhares de empregados, e não podem quebrar. Celina dirá que o
BRB é também relevante para a economia de Brasília, com
9,5 milhões de clientes.
Ela preparou o terreno ao afirmar
ter a impressão de que o governo federal quer deixar o BRB quebrar.
O aval é o caminho mais rápido para o banco, que não tem
tempo a perder e sofre com uma severa crise de liquidez. Uma operação sem a
garantia demoraria muito tempo, seis meses talvez.
O impasse será decidido quando a temperatura aumentar.

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