STF vê derrota de Messias no Senado como aviso sobre
impeachment de ministros
Rejeição ao nome do advogado-geral representa revés não
apenas à ala do Supremo que apoiou a candidatura, mas ao tribunal como
instituição
A rejeição histórica do Senado ao nome de Jorge Messias foi
interpretada de duas formas por integrantes do Supremo Tribunal Federal. A
primeira é a desmoralização do governo Lula perante o Congresso. A segunda é
que o Senado enviou à Corte um recado: se hoje a Casa tem maioria para
descartar um candidato a ministro, amanhã terá poder suficiente para afastar
quem já compõe o tribunal.
Na avaliação de um ministro que falou sob
condição de anonimato, a votação da indicação de Messias foi uma demonstração
de força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da direita –
que, juntos, somam 42 votos. Outro ministro viu a derrota como um alerta de
que, em 2027, quando a bancada da direita tende a ser maior no Congresso,
integrantes do tribunal correm sério risco de sofrerem impeachment.
Um terceiro ministro acredita que a representação do senador
Alessandro Viei r a (MDB-SE) à PGR contra o ministro Gilmar Mendes contribuiu
para o resultado da votação. Na visão desse ministro, prevaleceu o espírito de
corpo no Senado em reação ao arquivamento do pedido de investigação a Gilmar.
O mesmo ministro contou que conversou ontem com senadores e
não havia indicação de que Messias seria rejeitado, embora houvesse uma
concordância geral no sentido de que a aprovação seria difícil. No dia
anterior, ministros estavam preocupados com a situação do candidato.
O primeiro a se manifestar publicamente sobre a rejeição a
Messias foi André Mendonça, o principal cabo eleitoral do advogado-geral da
União para a vaga no STF. No X, ele escreveu que respeitava a decisão do
Senado, mas ponderou: “O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro
do Supremo”.
O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que o tribunal
“reafirma seu respeito à prerrogativa constitucional do Senado” e reconhece
“que a vida republicana se fortalece quando divergências são tratadas com
elevação, urbanidade e responsabilidade pública”.
Flávio Dino e Alexandre de Moraes, que estão no setor mais articulado politicamente do STF, não se mexeram para ajudar Messias. Por outro lado, Mendonça, Nunes Marques, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin atuaram perante os senadores para abrir caminho para o candidato.
O grupo de apoiadores não teria conseguido furar o principal entrave ao advogado-geral: Alcolumbre. Agora, a derrota de Messias não será amargada apenas pelo governo, mas pelo STF como um todo, e não só pela ala que vestiu a camisa do advogado-geral na campanha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário