Fontes bem informadas da cúpula do PL descartam chance de
substituição de Flávio Bolsonaro pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na
corrida presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é mais o nosso
Lionel Messi, o craque argentino, hoje no Inter Miami, que corre o meio de
campo, dribla adversários, bate o escanteio e faz a rede balançar.
Na opinião de um observador político, o Lula do terceiro
mandato está mais para o Romário: “precisa que alguém arme o jogo e coloque a
bola na cara do gol pra ele chutar”, provocou. O ex-artilheiro do Flamengo
entrou para a política, está filiado ao PL e se reelegeu senador do Rio de
Janeiro em 2022.
A percepção de que o líder petista deixou de ser o craque da
política nacional não é isolada. Mas aliados ressalvam que, seja no campo de
futebol, seja no tabuleiro de xadrez, Lula continua sendo um estrategista capaz
de driblar outros jogadores e surpreender opositores.
Nesse contexto, um interlocutor de Lula
disse à coluna que ele não digeriu o chute na canela que levou do presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com a derrota imposta ao seu indicado à
vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Advocacia-Geral da União
(AGU), Jorge Messias.
“Vai ter troco”, vem prometendo Lula, em algumas conversas
reservadas, enquanto alisa, meticulosamente, os fios brancos do bigode.
Um político experiente, que marca gols desde os tempos de
Fernando Henrique, afirmou à coluna que Alcolumbre teria sido alertado quanto
ao amadorismo de seu gesto, qual seja, articular a derrota de Messias no
plenário do Senado no dia 29 de abril.
Segundo este veterano, a lição número um da política é de
que “não se coloca a faca no pescoço do presidente da República em público”. Se
é para fazer cobranças, resolver divergências ou qualquer medida que possa
emparedar o chefe do Executivo, recomenda-se fazê-lo entre quatro paredes, nos
bastidores, ensinou.
“O poder não esbraveja, o poder age”, prosseguiu. “Veja o
que aconteceu com o Eduardo Cunha depois que apunhalou a Dilma”, advertiu.
Como se sabe, o então presidente da Câmara dos Deputados,
Eduardo Cunha, na época no MDB, articulou a abertura do processo de impeachment
contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Ele assinou a sentença de Dilma no
início da noite de 2 de dezembro de 2015. Foi uma retaliação à decisão dos
deputados do PT, que haviam anunciado, horas antes, que votariam a favor da
continuidade do processo de cassação no Conselho de Ética.
Na sequência, o parlamentar fluminense conduziu, como
presidente da Casa, a histórica votação do impeachment, quando no dia 17 de
abril de 2016, 367 deputados determinaram o encaminhamento do processo para o
Senado.
No entanto, foi a última vitória de Cunha na saga de
vingança contra Dilma e o PT. O calvário dele começou um mês depois. Em maio de
2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu seu mandato parlamentar e o
afastou da presidência da Câmara, ao argumento de que ele teria utilizado o
cargo para prejudicar a Operação Lava-Jato e o andamento do processo contra ele
no Conselho de Ética.
Um mês depois, em junho de 2016, o Conselho de Ética aprovou
a cassação de Cunha por quebra de decoro, ao argumento de que ele mentiu à CPI
da Petrobras sobre
a possuir contas na Suíça. A cassação dele no plenário se consumou dois meses
depois, em setembro, com 450 votos favoráveis, dez contra e 9 abstenções.
O auge desse martírio foi em 19 de outubro de 2016, quando
Eduardo Cunha foi preso preventivamente por ordem do então juiz Sergio Moro -
hoje senador do Paraná pelo PL - no âmbito da Lava-Jato. Ele ficou detido pouco
mais de quatro anos, até obter o regime domiciliar na pandemia, e conseguir a
revogação da prisão em 2021. Em 2023, o STF anulou sua condenação, que era de
16 anos de reclusão.
A avaliação deste político experiente é de que o calvário de
Cunha deveria ser pedagógico. Embora o impeachment de Dilma tenha se consumado,
o parlamentar pagou um preço alto pelo sabor da vingança, ao amargar mais de
quatro anos na prisão.
Nos bastidores, uma das explicações para o gesto de
Alcolumbre seria a irritação com operação da Polícia Federal (PF) no Amapá, no
âmbito das investigações nas fraudes do Banco Master, pelo aporte de R$ 400
milhões do fundo de previdência dos servidores do Estado na instituição de
Daniel Vorcaro. O governador Clécio Luís (União), que busca a reeleição, é
aliado do presidente do Senado.
Lula tem falado em “dar troco”, mas interlocutores do
presidente insistem que ele deverá reconstruir a relação com Alcolumbre. “Não
pode continuar assim, eles são dois chefes de Poderes, têm que se falar”,
protestou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em conversa com
a coluna.
Enquanto o encontro de conciliação não acontece, uma fala de
Riobaldo em “Grande sertão: veredas” não sai da cabeça de Lula: “Vingar, digo
ao senhor: é lamber, frio, o que outro cozinhou quente demais”.
Michelle. Fontes bem informadas da cúpula do PL
descartam chance de substituição de Flávio Bolsonaro pela ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro na corrida presidencial. “[O ex-presidente] Bolsonaro não
confia em Michelle”, resumem.

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