Pensar o desenvolvimento nos próximos 45 anos nas eleições
2026
O Brasil, de 1980 a 2025, prisioneiro da armadilha de renda
média, viu o PIB per capita global ultrapassar o PIB per capita brasileiro. Em
1980, a riqueza brasileira gerada por nossa economia em um ano, dividida pela
população, era de US$ 4.427. Em 2025, foi de US$ 23. 381. Ou seja, teve um
crescimento de apenas 428%. Enquanto isso, o PIB per capita global foi de US$
3.380 para US$ 26.189. Um incremento de 675%. No mesmo período os países que já
eram ricos tiveram um crescimento de 625% e os países emergentes avançaram
1.128%.
Esses dados são com dólares comparáveis,
calibrados pelos organismos internacionais. Perdemos os quinze anos anteriores
ao Plano Real em sucessivas crises cambiais e nos fracassados planos de combate
à hiperinflação. Insistimos num modelo fechado de desenvolvimento – que deu
certo de 1930 a 1980 – sem entender a globalização que ocorria e usufruir de
seus potenciais benefícios. Depois, estabilizamos a economia, controlamos a
inflação, começamos as reformas estruturais, privatizamos, modernizamos, tivemos
ventos favoráveis no boom das comodities. Mas voltamos a errar. Em 2015, foi a
ultrapassagem do indicador mundial em relação ao brasileiro, em plena recessão
vivida no Governo Dilma, com a economia brasileira dando marcha ré e colhendo
crescimento negativo de 3,5% e 3,3%, em 2015 e 2016.
A polêmica sobre crescer e distribuir não é nova. É famosa a
frase do ex-ministro Delfim Neto, em pleno Milagre Brasileiro, quando o Brasil
crescia a exuberantes taxas anuais de crescimento, como os 14% de 1973, que ao
ser questionado sobre a péssima distribuição de renda, cravou: “Primeiro, é
preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo”.
A partir da Constituição de 1988, as forças democráticas
procuraram combater as desigualdades, dividir o bolo. Hoje, os gastos sociais
levam a maior parte do orçamento. No entanto, os investimentos - sementes do
crescimento da economia - despencaram. O Novo PAC – conjunto de ações
estratégicas para o desenvolvimento – representam apenas 1,1% do Orçamento da
União. Não adianta crescer sem dividir, mas também não resolve dividir sem
crescer. Continuaremos estagnados e seremos ultrapassados por outros países, como
nos últimos 45 anos.
Aproximam-se as eleições presidenciais. Os candidatos
deveriam responder à esta questão: qual é o Brasil que queremos em 2070? Qual é
o país que queremos entregar aos nossos netos daqui a 45 anos? E não nos
perdermos numa discussão polarizada, rasa, radical e de baixa qualidade, eivada
de idiossincrasias ideológicas, onde predominem denúncias e acusações mútuas,
onde o protagonismo seja do Banco Master e não do projeto nacional de
desenvolvimento.
A eleição é uma oportunidade rara de mobilização e debate
nacional. Que predomine a discussão profunda sobre a inserção do Brasil num
mundo hegemonizado por EUA e China, a revolução educacional inconclusa, o
desenvolvimento científico-tecnológico na era da IA e da robótica, as
oportunidades oferecidas pelos minerais críticos, a retomada vigorosa dos
investimentos em infraestrutura, a melhoria do ambiente de negócios, o
aprimoramento do SUS e o combate sem tréguas ao crime organizado.
Podemos escolher o pântano das baixarias ou o debate
qualificado sobre cenários de desenvolvimento nacional. A escolha é nossa. Mas
o futuro dos nossos netos depende dela.

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