Decisão sobre manutenção da candidatura de Flávio será
única e exclusivamente de Jair Bolsonaro
Os tentáculos do Master atingiram Flávio Bolsonaro e agora
começam a dar voltas pelo seu pescoço, a ponto de integrantes de seu partido, o
PL, saírem falando por aí que em 15 dias decidirão se mantêm a candidatura de
pé ou não. A cúpula do PL pode até causar nos bastidores, mas pouco tem a fazer
diante da decisão que será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro, como foi
dele o projeto de lançar o primogênito à Presidência, e não Tarcísio de
Freitas, nome preferido dos chefões da sigla. Depois da repercussão ruim,
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, veio a público dizer que o deadline de
15 dias, estabelecido numa reunião interna, não dizia respeito à manutenção da
candidatura do senador, mas sim à retomada de seu crescimento nas pesquisas
eleitorais.
É irrelevante o que ele diga em privado ou
em público. Valdemar terceirizou o partido para Bolsonaro, e é Bolsonaro quem
decidirá se Flávio fica ou não. O presidente do PL fez essa concessão ao clã de
olho no que realmente importa para ele: eleger grandes bancadas no Congresso.
Quanto maior a bancada, maior a fatia de dinheiro público que pinga nas contas
do partido, via fundo eleitoral. Somente neste ano, Valdemar terá em mãos R$
880 milhões para tocar a eleição. Comprar briga com os Bolsonaros agora não parece
ser bom negócio.
Bolsonaro tende a manter Flávio na disputa por uma questão
simples: a candidatura dele não foi lançada para ganhar, mas para manter a base
bolsonarista coesa em torno do clã, evitando a dispersão dela em direção a
outro candidato que, uma vez eleito, se tornaria o novo líder da direita,
engolindo Bolsonaro. Se não fosse por isso, Tarcísio teria sido o candidato. O
bom desempenho de Flávio nas pesquisas, antes da parceria cinematográfica com
Vorcaro, não estava precificado. Sua candidatura passou a ter perspectiva de
vitória à medida que ele vestiu o figurino do “Bolsonaro que toma vacina”, e
parte do eleitorado resolveu passar o pano para os detalhes do currículo, como
rachadinha e ligações com milicianos. Além disso, mesmo com o enrosco do “Dark
Horse” e o que mais aparecer em eventuais delações e afins, Bolsonaro não tem o
perfil de quem passará recibo para as denúncias e substituirá o filho, mandando
um recado para o público de que o Zero Um tem mesmo culpa em cartório.
Do lado do PT, a manutenção de Flávio na corrida é o melhor
dos mundos. Lula enfrenta um adversário enfraquecido não só pelas denúncias,
mas pelas mentiras contadas para rebatê-las. O governo assiste de camarote ao
senador ser engolido pelos tentáculos de Vorcaro e, paralelamente, toca seu
pacote eleitoreiro, na esperança de que não só a qualidade do adversário, mas
as entregas às vésperas da eleição fortaleçam Lula. Ontem foi crédito para
motorista de aplicativo comprar carro, lembrando o auxílio-taxista de Bolsonaro
em 2022.
O eleitor que se prepare para uma campanha em que os temas
centrais passarão por eventuais desvios num filme B sobre a vida de Bolsonaro e
pelo fato de “capinhas de celular e canetas” serem consideradas pelo governo
itens básicos da população, como chegou a dizer um ministro palaciano ao
defender o fim da taxa das blusinhas.

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