Morre Guto Graça Mello, diretor musical e produtor, aos
78 anos no Rio
Um dos principais nomes da música na televisão brasileira
produziu trilhas de novelas marcantes da Globo e é autor de sucessos como o
tema do 'Fantástico'. Também produziu mais de 500 discos da MPB.
O produtor e diretor musical Augusto César Graça Mello, mais
conhecido como Guto Graça Mello, morreu nesta terça-feira (5),
no Rio
de Janeiro, aos 78 anos.
Um dos grandes nomes da produção musical brasileira, Graça
Mello estava internado no Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, na Zona
Oeste do Rio, havia mais de um mês, após sofrer uma queda. A causa da morte,
segundo familiares, foi uma parada cardiorrespiratória.
SAIBA MAIS
- TV
- Guto criou trilha do Fantástico e outras músicas que marcaram a Globo
- MÚSICA
- Produtor fez 1º disco da Xuxa e foi chefe de Cazuza em gravadora
Ele deixa viúva – a atriz Sylvia Massari –,
duas filhas, dois enteados e quatro netos. Sylvia vinha fazendo postagens
durante a internação do marido, na esperança da recuperação e com declarações
de amor: "Na alegria e na tristeza... te amo!", escreveu em um dos
posts.
O velório será realizado das 13h às 15h desta quarta-feira
(6), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul.
A carreira
Graça Mello foi um dos principais nomes da música na
televisão brasileira, responsável por transformar trilhas sonoras de
novelas em fenômenos de público e mercado.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, também produziu
mais de 500 discos, entre eles muitos sucessos da MPB, como discos de Rita
Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e o primeiro
disco da Xuxa.
Nascido no Rio em 29 de abril de 1948, em uma família de artistas — filho dos atores Stella Graça Mello e Octávio Graça Mello —, Guto cresceu em meio ao ambiente cultural.
Chegou a iniciar o curso de arquitetura na UFRJ, mas
abandonou a graduação para se dedicar à música. Estudou violão, passou pela
escola ProArte e, ainda nos anos 1960, começou a compor.
Em parceria com Mariozinho Rocha, escreveu canções gravadas
por nomes como Elis Regina e Nara Leão.
Antes de se firmar na TV, viveu no exterior e integrou o
grupo Vox Populi, chegando a se apresentar no México.
Início na TV
De volta ao Brasil, iniciou a trajetória na Globo em
1972, como produtor musical do programa “Viva Marília”, comandado por
Marília Pêra.
No ano seguinte, assinou sua primeira trilha de novela,
“Cavalo de Aço”, ao lado de Nelson Motta — trabalho que ele próprio
classificaria mais tarde como um começo difícil.
"Eu odeio essa trilha com todas as forças até hoje,
porque ela era 100% equivocada. Eu não tinha noção de como era fazer
novela", contou
Graça Mello ao g1, em 2020.
Trilhas de sucesso
A partir daí, construiu uma carreira decisiva para a
identidade sonora das novelas. Foi responsável por trilhas de sucessos
como “Gabriela”, “Pecado Capital”, “Saramandaia” e “Estúpido Cupido”, sempre
buscando alinhar a música ao universo dramático das histórias.
Para “Gabriela”, encomendou a abertura a Dorival
Caymmi e apostou em “Alegre Menina”, musicada por Djavan a
partir de um poema de Jorge Amado.
Trilha de última hora em 'Pecado Capital'
Um dos episódios mais marcantes da carreira foi a produção
da trilha de “Pecado Capital”, em 1975.
Chamado às pressas dias antes da estreia, Guto montou
praticamente todo o repertório em três dias e encomendou a música de abertura
a Paulinho da Viola, que compôs “Pecado Capital” em poucas horas.
Carreira na Som Livre
Paralelamente ao trabalho na TV, teve papel central na Som
Livre, onde chegou a gerente-geral. Ali, ajudou a estruturar o mercado de
trilhas sonoras e a lançar artistas, usando a força das novelas para
impulsionar carreiras. Entre os nomes que passaram pela gravadora estão Cazuza e Lulu
Santos, então no início da trajetória.
Ao longo da carreira, produziu mais de 500 discos —
incluindo trabalhos de Rita Lee, Roberto Carlos e Maria Bethânia — e esteve à
frente do primeiro álbum de Xuxa Meneghel, que vendeu milhões de cópias.
Autor do tema da abertura do 'Fantástico'
Também assinou trilhas de mais de 30 filmes e compôs
o tema de abertura do “Fantástico”.
Perfeccionista, ele costumava dizer que seu maior desafio
era manter a qualidade artística mesmo diante das demandas comerciais. Ao mesmo
tempo, reconhecia o papel estratégico das novelas na difusão da música
brasileira.
“O meu barato era fazer o casting e usar a estrutura da
Globo para explodir artistas”, afirmou em entrevista.
Guto Graça Mello deixou a Globo e a Som Livre em 1989, mas
seguiu atuando na música, produzindo discos, trilhas e jingles. Nos últimos
anos, dizia acompanhar novelas como espectador atento — especialmente às
trilhas, área que ajudou a revolucionar.
“Eu tenho dado muita sorte na vida”, disse ao Memória
Globo.

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