O Banco Central vive dias de pressão por causa pelo Banco
Master. A situação do BRB é motivo de preocupação e sem solução a curto prazo
O problema do Banco de Brasília (BRB) não está
resolvido. Longe disso. O controlador resiste à venda de algum pedaço relevante
da instituição que poderia ajudar a enfrentar a crise. Desde o fim de março, o
BRB já está pagando multa diária pela não publicação do balanço. A cada solução
apresentada, a governadora Celina Leão faz uma pesquisa com a Câmara Distrital
e sondagens de opinião pública para ver como a proposta impactaria sua
popularidade. Se houver uma queda brusca de liquidez, será difícil evitar o
pior.
O governo federal não quer ajudar, porque seria abraçar um
desgaste que não foi criado por ele, pelo contrário, foi obra do centrão e do
ex-governador bolsonarista, Ibaneis Rocha.
O governo do Distrito Federal tem insinuado que, se acontecer algum incidente,
terá sido porque a União não ajudou.
Desde 2025, o Banco
Central já liquidou 13 instituições: Master, Master BI, Letsbank,
Master DTVM, Reag, Advanced Corretora de Câmbio, Will Bank, Pleno, Pleno DTVM,
Dank SCD, Entrepay IP, Creditag Cooperativa e Frente Corretora de Câmbio. Se o
pior cenário se confirmar em relação ao BRB haverá um grande impacto porque há
desdobramentos delicados. O BRB não representa um risco sistêmico, mas pode
gerar um problema sistêmico para o poder público. Presta mais de 35 serviços e
projetos para o DF e tem em depósitos o dinheiro dos Tribunais de Justiça de
vários estados. É mais significativo para os governos do que para o mercado
financeiro.
Ao impedir a compra do Master pelo BRB e, em seguida,
liquidá-lo, o Banco Central enfrentou todo o tipo de pressão. Ainda enfrenta.
Foi acusado de ter demorado a agir, e também de ter se precipitado. Enfrentou
ameaças e pressões do Congresso, do Tribunal de Contas da União e do Supremo
quando a relatoria do caso estava com o ministro Dias
Toffoli. No dia em que apareceu uma proposta sendo votada, de emergência,
que dava poderes ao Congresso de demitir o presidente e os diretores da
autoridade monetária, o Banco Central não só não se intimidou como liquidou o
banco de Daniel Vorcaro no dia seguinte.
Esta semana, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado
houve mais uma batalha. O senador Renan
Calheiros quis acusar o Banco Central de conivência com o Master e de
estar cometendo com o BRB o mesmo erro que teria cometido com o Master.
Indiretamente estava dizendo que o BC está atrasando a liquidação. O Banco
Central não pode deixar de agir quando um banco entra em quadro de crise
irreversível, nem pode fechar um banco por pressão política.
O senador Renan Calheiros tenta a reeleição em Alagoas,
enfrentando os deputados Alfredo Gaspar e Arthur Lira numa
disputa acirrada. Renan tem razão de dizer que o Centrão pressionou o Banco
Central. O ministro do Tribunal de Contas da União Jhonatan de Jesus, que
ameaçou o BC, é do Centrão e indicado por Arthur Lira. Mas Renan acusou Gabriel
Galípolo de não ter reagido às pressões, o que não faz sentido. O que
o presidente da instituição explicou no debate é que o BC não pode entrar na
briga política, nem na disputa de redes sociais. Tem que preservar sua missão
que é garantir a estabilidade do sistema financeiro, a estabilidade da moeda e
tomar decisões técnicas e na hora certa. No debate acalorado, Galípolo
respondeu.
– O Banco Central está respondendo até agora ao Tribunal de
Contas da União uma acusação por não ter autorizado ( a compra do Master). O
Banco Central e seus servidores foram expostos e caluniados sistematicamente
porque não toparam. Coincidentemente, na semana em que o Banco Central rejeitou
a compra pelo BRB foi colocada uma proposta de voto para mandar embora o
presidente do Banco Central e os diretores. O Banco Central não tem que ir para
a televisão, gravar Instagram ou Tik Tok. Não é palanque. Toma a decisão
correta independentemente de quem está jogando pedra ou fazendo barulho.
Galípolo disse que, nos bancos que foram liquidados na
década de 1990, a técnica foi separar o “banco bom” do “banco ruim” e vender o
que era viável. No caso do Master, disse ele, “não havia banco bom”.
O Banco Central se defende de ataques de lados diferentes,
fiscaliza um mercado no qual ainda há pelo menos um banco em situação de
fragilidade, mantém o aperto monetário contra inflação crescente e continua
tentando aprovar uma PEC que possa fortalecer seu quadro de servidores. O
projeto que trata do assunto foi novamente adiado.

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