quarta-feira, 2 de abril de 2014

NOS PORÕES DA DITADURA MILITAR

Por Cilene Victor, via Facebook
"Eu não sabia o que estava acontecendo nos porões da ditadura"
O uso da expressão "porões da ditadura" é o recurso mais baixo usado por todos aqueles que diziam não saber o que acontecia [as torturas, em especial] durante o regime militar.
Não houve porão, tudo aconteceu no térreo, na cara de todo mundo. A metáfora do porão é historicamente usada pelos omissos.
Hoje, talvez, muitos franceses devem dizer que não sabiam que a França foi o país que mais vendeu armas para Ruanda durante a guerra civil que culminou com o segundo maior genocídio do século XX.
Mas vamos voltar ao nosso passado. Os que optaram pela omissão têm, neste momento, uma grande chance de pedir desculpas.
Muitos veículos de imprensa, seus diretores e alguns de seus jornalistas, sem falar nos falsos artistas da época, devem um pedido de desculpas e isso poderia ser feito em letras garrafais.
Nada me entristece mais do que ver histórias contadas de forma irresponsável, com recortes perigosos.
A condição primária para impedir os erros passados é manter vivo o passado.
Dizer que foi omisso por medo, por opção ou alienação, de fato não importa.
Só não dá para dizer, meus caros, que tivemos uma ditadura branda e, muito menos, negar que a TV, o futebol, as músicas de Roberto Carlos, os programas do Chacrinha e do Flávio Cavalcanti, como tanta porcaria da época, foram estratégica e exaustivamente explorados pelos militares como mecanismos para entreter.
Só dá para conceber a frase: "eu não sabia o que estava acontecendo" se tiver o "porque estava assistindo ao Flávio Cavalcanti".
Nossos comerciais, por favor!
Cilene Victor, professora de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e comentarista do Jornal da Cultura.
Bookmark and Share

Nenhum comentário:

Postar um comentário