quarta-feira, 2 de abril de 2014

O GUERREIRO MIGUEL ARRAES

Por Eduardo Campos, via Facebook
Quando o golpe militar foi deflagrado no Brasil, há exatos 50 anos, o Exército cercou o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, à época ocupado pelo meu avô, Miguel Arraes. Os golpistas ofereceram a ele a opção de abandonar o cargo para evitar a prisão. Foi quando ele respondeu ao oficial que comandava as tropas na ocasião: "O senhor não tem autoridade para me depor. Sou Governador do estado eleito pelo povo de Pernambuco e somente ele pode me depor. O senhor pode me tirar deste prédio pela força, mas continuarei Governador até o último dia do mandato me concedido pelo povo, esteja eu onde estiver."
A coragem mostrada por meu avô teve um preço alto. Foi acusado de subversão, preso e obrigado a se exilar durante mais de dez anos. Entretanto, ele nunca se arrependeu de suas palavras, que poderiam ser usadas até hoje como lema por políticos e governantes comprometidos com a vontade do povo. Essa declaração resumiu seu amor pela Democracia, que pautou toda sua vida.
Eu nasci em uma família de perseguidos políticos. Não levo Arraes no sobrenome por receio de meus pais das perseguições que poderia sofrer. Assim como milhões de brasileiros, sei o quanto é difícil e dolorido viver em um país sem Democracia, controlado por um governo que não respeita o direito à liberdade, o direito ao livre pensamento e à livre expressão, o direito do povo de escolher seu destino.
A ditadura militar, mesmo parecendo distante aos olhos dos mais jovens, ainda é muito recente. Milhares de brasileiros e suas famílias ainda carregam as marcas dela. Crimes não foram esclarecidos, vítimas não foram encontradas.
No início dos anos 80, o povo brasileiro foi corajosamente às ruas e uniu a nação novamente, sob os valores da Democracia, da liberdade e da justiça. Ainda jovem, fui às ruas ao lado de milhões de brasileiros na campanha pelas Diretas Já, uma das manifestações mais fortes e bonitas da história recente de nosso país.
O reestabelecimento da Democracia é uma das maiores vitórias populares que o Brasil tem em sua história.
É um capítulo que não pode ser apagado, reescrito ou diminuído. Pelo contrário, deve ser intensificado e valorizado a cada dia. É uma conquista popular que pertence a todos. Ela pertence a quem foi às ruas, pertence a quem deu a vida pela Democracia, pertence até mesmo àqueles que nasceram depois dela.
O Brasil, hoje, é um país democrático. Como toda nação, temos problemas e dificuldades. Mas os problemas da Democracia a gente resolve com mais Democracia, melhorando e aperfeiçoando nossas instituições.
Pois a Democracia não se resume ao direito de voto, ela significa que a vontade do povo deve ser soberana nos destinos de uma nação. E essa é, talvez, a maior riqueza que um povo pode ter.
Eduardo Campos, governador de Pernambuco, presidente nacional do PSB
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