Por Bernardo Caram e Ed Ferreira, O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA - O ex-deputado federal José Genoino (PT-SP),
condenado no processo do mensalão, se apresentou nesta quinta-feira, 1, ao
Centro de Internamento e Reeducação (CIR), dentro do Complexo Penitenciário da
Papuda, em Brasília, um dia após o presidente do Supremo Tribunal Federal,
Joaquim Barbosa, ter determinado o fim de sua prisão domiciliar.
O advogado do petista, Cláudio Alencar, disse que vai
recorrer ao plenário da Corte para tentar reverter a decisão. Alencar
justificou que, ao voltar para uma situação estressante e sem alimentação
balanceada, seu cliente pode sofrer um mal súbito, apesar de ter apresentado
melhora nos últimos meses.
"Vamos recorrer pedindo ao plenário do Supremo que
reveja essa decisão e devolva ao deputado José Genoino a prisão domiciliar, que
é a mais adequada para a situação de saúde dele", disse o advogado.
O ex-deputado foi condenado a 4 anos e 8 meses de reclusão
no regime semiaberto por corrupção. Nesse sistema, o preso pode sair da cadeia
durante o dia para trabalhar, mas tem de retornar para dormir na prisão. Preso
em novembro do ano passado, Genoino ficou menos de uma semana na Papuda.
Alegando problemas cardíacos, foi transferido para um hospital em Brasília e
depois para prisão domiciliar. Anteontem, foi comunicado de que deveria voltar
à prisão.
Na chegada ao presídio, por volta das 15 horas, Genoino foi
saudado por um pequeno grupo de militantes petistas. Seu médico Geniberto
Campos acompanhou o retorno à prisão. "O médico particular veio na
tentativa de conversar com o médico do sistema, passar a ficha, passar o
prontuário, mas hoje não tem médico", disse Alencar.
O advogado informou que o cardiologista de Genoino ficará à
disposição para acompanhá-lo, mas questionou a falta de profissionais do
Estado. "O sistema penitenciário é que deveria prover a todos os internos
o atendimento de saúde."
Procurada para explicar a falta de médicos no presídio, a
assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal
não atendeu às ligações da reportagem até a conclusão desta edição.
Laudo. A decisão de Barbosa de mandar Genoino de volta para
a prisão se baseou num laudo de uma junta médica da Universidade de Brasília
(UnB) que descreveu o estado do ex-deputado como estável e a cirurgia na aorta,
à qual ele foi submetido em julho de 2013, como bem-sucedida.
O cardiologista do petista não questionou o documento da
junta médica, mas disse que o sistema penitenciário não é o local adequado para
tratar um paciente com esse quadro de saúde. De acordo com o médico, Genoino
fez exames anteontem e está bem, mas a maior preocupação é a coagulação do
sangue, que não está controlada e exige acompanhamento na dosagem da medicação.
Antes de sair para se entregar, Genoino recebeu a visita de
amigos e familiares em casa, num condomínio fechado em Brasília. Seu filho,
Ronan, e seu irmão, deputado José Guimarães (PT-CE), foram vistos entrando na
residência. Segundo sua ex-assessora Débora Cruz, o petista não demonstrou
preocupação com possíveis complicações do seu estado de saúde. "Ele estava
forte e disse que vai cumprir o que foi determinado", disse.

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