sábado, 22 de agosto de 2015

BYE BYE, BRASIL

Da IstoÉ
A família do publicitário Dijan de Barros Rosa, de 38 anos, não via a hora de embarcar para Vancouver, no Canadá, em janeiro deste ano. Mas, ao contrário da maioria dos brasileiros que viajam para esse país de férias, a aventura de Dijan, sua mulher Ana, 36, e as filhas Eduarda, 12 e Helena, 10, tinha data para começar, mas não para acabar. De mala nas mãos, eles abandonaram a cidade em que viviam, São Paulo, tudo o que haviam construído e partiram para uma nova vida. O fator que impulsionou a emigração foi um estado de insatisfação geral. “Viemos por conta da situação atual do País. Eu não tinha segurança de sair de casa sem saber se seríamos assaltados”, diz o publicitário. Gerente de vendas de uma indústria de tintas nos últimos cinco anos, ele pediu demissão, mesmo recebendo um bom salário, e arriscou tudo para dar um futuro melhor para as filhas. “Decidi investir na qualidade de vida da minha família.” Assim como Rosa, muitos brasileiros estão deixando sua terra natal em busca de um cenário mais promissor. São jovens profissionais, casais e famílias acuados diante da recessão econômica, dos índices de criminalidade elevados e do alto custo de vida e desiludidos com os infindáveis escândalos de corrupção.
Segundo dados da Receita Federal, entre 2011 e 2015 houve um aumento de 67% no total de Declarações de Saída Definitiva do País, o documento apresentado ao Fisco por quem emigra. Em 2011, a Receita recebeu 7.956 declarações. No ano passado, foram 13.288, o que representou um crescimento de 14,7% de 2013 a 2014. Apesar de expressivo, esse número é apenas uma amostra da emigração real de brasileiros. “Para cada um que sai legalmente, há outro que não prestou contas para a Receita”, diz Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec do Rio de Janeiro. O índice reflete, no entanto, a saída de uma elite financeira e cultural, pessoas com bom nível econômico e profissional, que não precisam emigrar ilegalmente. “Está crescendo o contingente de gente qualificada que sai do País. Isso é uma perda inestimável para o Brasil, pois estamos deixando sair profissionais que estudaram e se formaram aqui”, diz Braga. “E estamos doando essa qualificação para nações estrangeiras.”
De olho nesse movimento, vários países têm investido em programas que estimulam a emigração de profissionais brasileiros. Em março, representantes do governo de Quebec, no Canadá, passaram por sete cidades do Brasil para divulgar oportunidades de emprego a candidatos da área de tecnologia da informação e com francês fluente. O país, aliás, tem sido um dos mais buscados por brasileiros que querem emigrar, segundo especialistas. “A procura por imigração para o Canadá cresceu muito. Em 2014, ajudamos 12 famílias a se mudarem para lá. Neste ano já foram 23 só até julho”, diz Ana Laura Mesquita, proprietária da agência “Canadá Intercâmbio” em São Paulo e Campinas. “O Canadá é um país velho, que precisa de mão de obra jovem, por isso as famílias têm uma boa receptividade.” Ao se inscrever em um dos programas de imigração do governo canadense, no entanto, o candidato será avaliado em uma série de quesitos, como idade, formação acadêmica, experiência profissional e fluência em inglês ou francês. “Profissionais de administração, marketing, engenharia de alimentos, engenharia ambiental e TI têm mais chances de serem chamados”, diz a especialista.
Outro local que também precisa de mão de obra qualificada e estimula a entrada de estrangeiros é a Austrália. De acordo com Vinicius Barreto, diretor da agência Australian Centre, a procura por vistos de imigração para o país aumentou no último ano. “Há mais pessoas interessadas e o perfil de candidatos é bem variado”, diz Barreto. O especialista ressalta, contudo, que, assim como no Canadá, são mais bem sucedidos aqueles que trabalham nas áreas de engenharia ou TI. “A Austrália tem carência de profissionais desses segmentos.” Já os Estados Unidos, país desejo de muitos brasileiros, apresentam algumas restrições para imigração. Mesmo assim, o número de pessoas do País que decidem investir por lá está crescendo. “O visto mais utilizado pelos estrangeiros que querem emigrar é o de investidor. Para obtê-lo, é preciso fazer um investimento de, no mínimo, US$ 500 mil, e a compra de imóveis não vale, pois não é uma atividade que gera empregos”, afirma Daniel Rosenthal, diretor da feira de negócios Investir USA Expo. Entre os perfis de brasileiros que desejam emigrar para lá, ele ressalta os casais jovens, com ou sem filhos. “São pessoas que estão numa condição profissional boa e querem um futuro melhor para os filhos porque desacreditaram do Brasil.”

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