sábado, 22 de agosto de 2015

ESTÁ NA HORA DE DIALOGAR

A revista Época desta semana chega às bancas neste fim de semana com duas versões de capa para você escolher qual levar pra casa. Leia trecho da reportagem principal.
O estudante Matheus Hector Garcia, de 21 anos, é de esquerda. Da nova esquerda. Ele faz faculdade de economia no Insper, em São Paulo, e se interessa pela área de políticas sociais. Matheus é a favor do Estado de bem-estar social, de educação e saúde públicas – mesmo que as escolas não sejam necessariamente geridas pelo Estado – e de iniciativas como o Bolsa Família. Por causa de programas como o ProUni, que oferece bolsas de estudos a estudantes carentes, Matheus elogia o primeiro mandato do presidente Lula. Ele defende, no entanto, a responsabilidade com as contas públicas. “Continuaremos sem conseguir resolver a desigualdade enquanto não colocarmos a economia em ordem. É preciso primeiro ajustar as contas e recuperar a credibilidade, para em seguida dar base para as melhorias sociais”, afirma. Matheus gosta de participar de debates acadêmicos sobre política, principalmente quando inclui gente que pensa diferente dele.
A advogada Michelle Sopper, de 31 anos, é de direita. Da nova direita. Ela é frequentadora de palestras no Instituto de Formação de Líderes e no Instituto de Estudos Empresariais, duas entidades divulgadoras do pensamento liberal. Ela defende que o corte de impostos e a criação de um ecossistema empreendedor são as melhores soluções para tirar os indivíduos da pobreza. “O Estado deveria servir para mediar conflitos e promover a segurança”, diz ela. “O restante, as próprias pessoas podem fazer sozinhas ou com sua comunidade.” Ela se define como liberal num sentido amplo, na economia e nos costumes. Além do corte de impostos, ela defende o casamento gay e a legalização de drogas. “O liberalismo pressupõe indivíduos livres, com direitos sobre o próprio corpo e responsabilidades sobre suas ações”, afirma. Ela adora discutir suas visões políticas com a família e ouvir quem pensa diferente.
Nas últimas semanas, o Brasil foi sacudido por manifestações de diversos tamanhos e de colorações ideológicas variadas. As ruas mostram um fato: cada vez mais o brasileiro, principalmente o brasileiro jovem, se interessa por política. Muitos dos que protestam nas ruas são movidos pela emoção pura, que pode ser a adesão apaixonada a um partido ou o ódio a um projeto político. Afinal, o brasileiro é antes de tudo o “homem cordial”, movido pelo coração, retratado magistralmente pelo ensaísta Sérgio Buarque de Holanda. Às vezes a emoção extrapola e leva a exageros. São nesses momentos que saem da toca os autoritários que, intolerantes com quem pensa diferente, quebram vidraças, como faziam os black blocs (felizmente sumidos das ruas, como lembra Ruth de Aquino em sua coluna), ou – num estado de espírito análogo – pede a volta da ditadura militar. O interesse crescente por política também despertou jovens que vão além da emoção e gostam de se aprofundar no tema. Estão nessa categoria Matheus, que estuda políticas públicas na faculdade, e Michelle, que frequenta cursos sobre o assunto.
A visão política de Matheus e Michelle se aproxima mais da política como ela é – e como, um dia, pode voltar a ser no Brasil. Um espaço de discussão em que as visões tendem ao centro. Em democracias maduras, costumam predominar ideias social-democratas, de esquerda, de um lado – e de outro, à direita, liberais. E a discussão se dá em torno de dois pontos inegociáveis. Um deles, por definição, é a própria democracia. O outro é a responsabilidade fiscal. Um governo que quebra um país está fadado ao fracasso, seja ele de direita ou de esquerda.
Continue lendo esta reportagem em Época desta semana.
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