A revista Época desta semana chega às bancas neste fim de
semana com duas versões de capa para você escolher qual levar pra casa. Leia
trecho da reportagem principal.
Da Época
O estudante Matheus Hector Garcia, de 21 anos, é de
esquerda. Da nova esquerda. Ele faz faculdade de economia no Insper, em São
Paulo, e se interessa pela área de políticas sociais. Matheus é a favor do
Estado de bem-estar social, de educação e saúde públicas – mesmo que as escolas
não sejam necessariamente geridas pelo Estado – e de iniciativas como o Bolsa Família.
Por causa de programas como o ProUni, que oferece bolsas de estudos a
estudantes carentes, Matheus elogia o primeiro mandato do presidente Lula. Ele
defende, no entanto, a responsabilidade com as contas públicas. “Continuaremos
sem conseguir resolver a desigualdade enquanto não colocarmos a economia em
ordem. É preciso primeiro ajustar as contas e recuperar a credibilidade, para
em seguida dar base para as melhorias sociais”, afirma. Matheus gosta de
participar de debates acadêmicos sobre política, principalmente quando inclui
gente que pensa diferente dele.
A advogada Michelle Sopper, de 31 anos, é de direita. Da
nova direita. Ela é frequentadora de palestras no Instituto de Formação de
Líderes e no Instituto de Estudos Empresariais, duas entidades divulgadoras do
pensamento liberal. Ela defende que o corte de impostos e a criação de um
ecossistema empreendedor são as melhores soluções para tirar os indivíduos da
pobreza. “O Estado deveria servir para mediar conflitos e promover a
segurança”, diz ela. “O restante, as próprias pessoas podem fazer sozinhas ou
com sua comunidade.” Ela se define como liberal num sentido amplo, na economia
e nos costumes. Além do corte de impostos, ela defende o casamento gay e a
legalização de drogas. “O liberalismo pressupõe indivíduos livres, com direitos
sobre o próprio corpo e responsabilidades sobre suas ações”, afirma. Ela adora
discutir suas visões políticas com a família e ouvir quem pensa diferente.
Nas últimas semanas, o Brasil foi sacudido por manifestações
de diversos tamanhos e de colorações ideológicas variadas. As ruas mostram um
fato: cada vez mais o brasileiro, principalmente o brasileiro jovem, se
interessa por política. Muitos dos que protestam nas ruas são movidos pela
emoção pura, que pode ser a adesão apaixonada a um partido ou o ódio a um
projeto político. Afinal, o brasileiro é antes de tudo o “homem cordial”,
movido pelo coração, retratado magistralmente pelo ensaísta Sérgio Buarque de
Holanda. Às vezes a emoção extrapola e leva a exageros. São nesses momentos que
saem da toca os autoritários que, intolerantes com quem pensa diferente,
quebram vidraças, como faziam os black blocs (felizmente sumidos das ruas, como
lembra Ruth de Aquino em sua coluna), ou – num estado de espírito análogo –
pede a volta da ditadura militar. O interesse crescente por política também
despertou jovens que vão além da emoção e gostam de se aprofundar no tema.
Estão nessa categoria Matheus, que estuda políticas públicas na faculdade, e
Michelle, que frequenta cursos sobre o assunto.
A visão política de Matheus e Michelle se aproxima mais da
política como ela é – e como, um dia, pode voltar a ser no Brasil. Um espaço de
discussão em que as visões tendem ao centro. Em democracias maduras, costumam
predominar ideias social-democratas, de esquerda, de um lado – e de outro, à
direita, liberais. E a discussão se dá em torno de dois pontos inegociáveis. Um
deles, por definição, é a própria democracia. O outro é a responsabilidade
fiscal. Um governo que quebra um país está fadado ao fracasso, seja ele de
direita ou de esquerda.
Continue lendo esta reportagem em Época desta semana.

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