Do G1, RJ
O desembargador Abel Gomes, relator da Lava Jato no Tribunal
Regional Federal da 2ª Região, irá levar para a apreciação da 1ª Seção
Especializada do tribunal os pedidos de prisão dos deputados estaduais Jorge
Picciani (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
(Alerj), Paulo Melo (PMDB) e Edson Albertassi (PMDB).
Ainda que Gomes tenha pedido a inclusão do caso na pauta na
quinta-feira (16), o TRF-2 informou, nesta tarde, que não é garantido que haja
a análise no dia. Isso porque quem irá presidir a sessão será o desembargador
Ivan Athié, que até as 14h30 desta quinta não havia respondido ao pleito.
Segundo a Procuradoria, caso o colegiado do TRF-2 acate os
pedidos de prisão, já existe jurisprudência formada pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) no sentido de não precisar do aval da Alerj.
"Agora, se mesmo assim as prisões foram submetidas ao
crivo dos deputados estaduais, que assim seja. E que a sociedade se manifeste,
vá para a porta da Alerj e pressione os parlamentares", disse o procurador
Carlos Aguiar.
A operação "Cadeia Velha", que mira a cúpula da
Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi antecipada para esta
terça-feira (14) por causa da iminente indicação de um dos investigados, Edson
Albertassi (PMDB), para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A deflagração
estava prevista para o fim de novembro.
As informações são da GloboNews. A recomendação foi feita
pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e a votação que poderia definir a
nomeação estava marcada para esta terça (14), mas foi adiada pela Justiça um
dia antes. Sobre a indicação de Albertassi ao cargo no TCE, o governador Luiz
Fernando Pezão negou que tenha sido manobra. “Quando o indiquei não havia nada
que o desabonasse”, afirmou.
A investigação conta com o Ministério Público Federal,
Polícia Federal e Receita Federal. São suspeitos os deputados estaduais Jorge
Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi (PMDB-RJ) e outras dez pessoas por
corrupção e outros crimes envolvendo a Assembleia.
A pedido do Núcleo Criminal de Combate à Corrupção (NCCC) do
Ministério Público Federal na 2ª Região, o desembargador federal Abel Gomes,
relator dos processos da Força-tarefa Lava Jato no Rio no Tribunal Regional
Federal (TRF2) ordenou as conduções coercitivas dos parlamentares.
Além disso, a petição também requereu seis prisões
preventivas, quatro temporárias e outras de buscas e apreensões nos endereços
de 14 pessoas físicas e sete pessoas jurídicas. A condução coercitiva dos
deputados foi ordenada como alternativa inicial à prisão deles.
A Operação Cadeia Velha apura o uso da presidência e outros
postos da Alerj para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de
dinheiro e evasão de divisas.
A petição do MPF resulta de investigações feitas há mais de
seis meses, que incluíram quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático,
acordos de leniência e de colaboração premiada, além de provas obtidas a partir
das Operações Calicute, Eficiência, Descontrole, Quinto do Ouro e Ponto Final.
De acordo com o Ministério Público Federal, são
inafiançáveis os crimes dos deputados, que seguem em flagrante delito, sobretudo
de associação criminosa e lavagem de ativos, e não é preciso a Alerj avaliar
suas prisões.
Os investigados com prisão preventiva decretada são os
empresários Lélis Teixeira, Jacob Barata Filho e José Carlos Lavouras,
investigados na Operação Ponto Final, além de Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar
da Costa Pereira e Andreia Cardoso do Nascimento. Os presos temporários são
Felipe Picciani, Ana Claudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fabio
Cardoso do Nascimento.
Organização atuante desde anos 1990
As investigações do MPF apontaram que o presidente da Alerj,
Jorge Picciani, seu antecessor, Paulo Melo, e o segundo vice-presidente, Edson
Albertassi, formam uma organização integrada ainda pelo ex-governador Sérgio
Cabral, que vem se estruturando de forma ininterrupta desde a década de 1990.
A organização, como apurou o MPF, vem adotando práticas
financeiras clandestinas e sofisticadas para ocultar o produto da corrupção,
que incluiu recursos federais e estaduais, além de repasses da Federação das
Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro
(Fetranspor).
A petição do MPF foi embasada em três frentes de apuração:
os repasses da Fetranspor para deputados; os recursos da Federação para uma
conta de Cabral e sua partilha com Picciani e Melo; e as doações da construtora
Odebrecht a políticos, depois declaradas em acordos de colaboração já
homologados.
O MPF identificou ainda que a indicação de Albertassi para
uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado pode ter sido uma
manobra para que a organização criminiosa retome espaços perdidos com os
afastamentos de conselheiros determinados pelo Superior Tribunal de Justiça, e
também uma forma de atrapalhar as investigações, ao deslocar a competência para
a apuração dos fatos e tirar o caso do TRF2.
Ainda de acordo com o MPF, com seis mandatos de presidente
da Alerj, "Picciani é imprescindível na organização criminosa, pelo
expressivo poder político e influência sobre outros órgãos estaduais". O
Ministério Público Federal aponta ainda que as condutas de Picciani na Alerj
incluíram a edição de atos normativos em troca de vantagem indevida e
restrições ao funcionamento de CPIs.
Tanto Picciani quanto Melo tiveram aumentos exponenciais de
seu patrimônio desde o ingresso na política, segundo o MPF. Em certos períodos,
seu patrimônio cresceu mais 100%, patamar superior a qualquer investimento. As
investigações identificaram também diversas relações societárias suspeitas
mantidas pelos deputados, além do repasse clandestino de verbas de empresas
para viabilizar a ocultação da origem do dinheiro e o financiamento de
campanhas eleitorais.

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