BRASÍLIA - O procurador regional da República Guilherme
Schelb,cotado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro na manhã desta
quinta-feira para assumir o Ministério da Educação (MEC), já foi
acusado de pedir dinheiro a empresas que tinham interesse em algumas
investigações conduzidas por ele. O caso foi investigado pelo Conselho Nacional
do Ministério Público em 2004. Pelas acusações tornadas públicas no período, o
procurador pediu pelo menos R$ 350 mil a quatro empresas e um
sindicato: Souza Cruz, Fiat, Coca-Cola, Volkswagem e o Sindicato de
Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom).
Schelb teria pedido patrocínio de R$ 70 mil a cada uma das
empresas para financiar a produção de um livro e de um site dele. No mesmo
período, o procurador participou de uma força-tarefa de Ministério Público
Federal, Polícia Federal e Receita Federal, responsável por uma investigação
sobre contrabando e falsificação de cigarros. A operação era de extremo
interesse da Souza Cruz, maior fabricante de cigarros do país. As investigações
sobre sonegação de impostos também atingiram a distribuidora de
combustíveis Petroforte Brasileiro Petróleo, caso de interesse do
Sindicom.
As investigações contra Schelb tiveram início em 2004. Dois
anos depois, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região concedeu uma
liminar determinando a suspensão do processo. O Conselho Nacional ainda não
informou qual o destino final da investigação.
Num outro processo, o procurador foi punido com censura
pública por supostos excessos em investigações contra Eduardo Jorge Caldas,
ex-secretário-geral da presidência da República no governo Fernando Henrique
Cardoso.
As acusações sobre pedido de dinheiro a grandes empresas
trincaram a imagem de "moralizador da República" cultivada por Schelb
e outros colegas no governo de FH. No período, Schelb se destacou por promover
barulhentas investigações sobre desvios no serviço público.

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