Com a morte de Alfredo Sternheim, nesta quinta (6), aos 76
anos, perde-se o cineasta mais associado à era do chamado “cinema
Boca do Lixo” paulista.
Melhor chamar, no caso de Sternheim, “cinemas”, pois do
final dos anos 1960 até a segunda metade dos anos 1980 participou das várias
fases em que a produção
paulista, após a falência dos grandes estúdios, concentrou-se na rua do
Triumpho, em Santa Ifigênia.
Nos anos 60, aprendeu o ofício como assistente de Walter
Hugo Khouriem
“A Ilha” (1963) e “Noite Vazia” (1964) , passando em seguida ao curta-metragem,
com trabalhos sobre o artista plástico Flavio de Carvalho e a cidade de São
Paulo (onde nasceu em 1942).
Parte de sua iniciação se deu, também, como crítico
cinematográfico do jornal O Estado de S. Paulo.
Próximo de Khouri e de Ruben Biáfora (como ele, cineasta e
crítico), fez sua estreia na direção com “Paixão na Praia” (1971), em que teve
Adriano Reis e Norma Bengell nos
papeis centrais. Desde ali já se notava seu engajamento na corrente do cinema
brasileiro que se opunha ao cinema novo e se propunha a tratar de temas
universais.
Dentro dessa proposta também realizou “Anjo Loiro” (1973),
evidente referência a “O Anjo Azul” (1931), de Joseph Von Sternberg e um dos
primeiros trabalhos de Vera Fischer como atriz. “Pureza Proibida” (1974) tem
como base a peça “A Branca e o Negro”, de Monah Delacy, enquanto em “Luciola, o
Anjo Pecador” (1975), Sternheim adapta o romance “Luciola”, de José de Alencar.
Com o fim da era do INC (e de maior incentivo a adaptações
literárias), Alfredo alterna-se entre a comédia e o drama erótico, em filmes
como “Herança dos Devassos” (1979, com Sandra Brea),
“Corpo Devasso” (1980), “A Prostitutas do Dr. Alberto” (1981), “Amor de
Perversão” (1982).
Quando a produção popular sai de cena em favor do filme de
sexo explícito, Sternheim acompanha a tendência e filma, entre outros,
“Variações do Sexo Explícito” (1984) e “Sexo dos Anormais” (1985).
Nesse momento entra em polêmica com o crítico Edmar Pereira,
do Jornal da Tarde, ao fazer a defesa do cinema de sexo explícito.
Sua carreira como cineasta termina, na prática, com “Fêmeas
que Topam Tudo” (1987), apesar de ter realizado, em 2014, um episódio de
“Memórias da Boca”.
Sternheim continuou a praticar o jornalismo em revistas
dedicadas sobretudo ao DVD. Mais recentemente manteve atuação constante no
Facebook, onde discutiu desde o custo de produção dos filmes brasileiros atuais
(que julga com frequência excessivos), à dificuldade dos filmes nacionais
dialogarem com o público em vista da ocupação quase total das salas pelos
blockbusters norte-americanos.
Há menos de uma semana recebera a notícia de que seu
“Herança dos Devassos” (1979), em que dirigiu Sandra Brea e Roberto Maia,
estava disponível em VoD nos canais Now, Vivo Play e Oi Play. Sternheim morreu
próximo de suas paixões mais constantes: o cinema e a escrita.

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