Morreu na tarde desta sexta-feira (7) o ex-presidente
da Colômbia Belisario
Betancur. Ele governou o país entre 1982 e 1986, um dos períodos mais
conturbados da história colombiana por causa do conflito armado. O hospital
Fundação Santa Fé declarou o falecimento do ex-presidente por volta das 14h30
(18h30, em Brasília).
No fim da noite de quinta-feira, a atual vice-presidente da
Colômbia, Marta Lucía Ramírez, havia
publicado por engano uma mensagem póstuma dedicada a Betancur, antes da
confirmação da morte. Ela se retratou em seguida.
Confirmada a morte, o atual presidente, Iván Duque,
homenageou Betancur no Twitter: "Lamento profundamente a morte de um
grande amigo, um grande colombiano, o ex-presidente Belisario Betancur. Seu
legado na política, na nossa história, na cultura é um exemplo para todas as
gerações futuras".
No governo, Betancur enfrentou a tomada do Palácio de
Justiça em pleno centro da capital Bogotá pela extinta guerrilha M19. O
confronto deixou 99 mortos, no auge do narcotráfico.
Além disso, esteve no comando quando houve a avalanche
causada pelo degelo de um vulcão coberto de neve que matou 25 mil habitantes da
população andina de Armero.
Tentativa de diálogo
Em meio às dificuldades, Betancur foi o primeiro presidente
a convocar ao diálogo as organizações rebeldes surgidas nos anos 1960. Ele
dizia, posteriormente, que gostaria de ter selado a paz no país
Contudo, demorou décadas para que a Colômbia vivesse dias
mais pacíficos. Somente em 2016, durante o governo do liberal Juan Manuel
Santos, as Farc baixaram as armas.
O líder opositor de esquerda Gustavo Petro, que militou na
ex-guerrilha M-19, combatida pelo governo de Belisario Betancur, recordou o
frustrado processo de paz empreendido pelo ex-presidente.
"Estive na Praça de Bolívar no dia da sua posse. Era do
M19 e tinha 22 anos. Levantava um cartaz que dizia 'Paz' e tinha muitos sonhos.
Quando acabou o seu governo, eu estava preso e havia sido torturado. A paz não
havia sido mais que um desenho na parede", afirmou.

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