Socorro eu não caibo neste mundo de fantoches; neste vácuo
moderno de concreto, e tão inconcretos de contextualidade.
Recebi esta semana uma bizarra mensagem que uma amiga extraiu de um grupo
denominado Meninas da Granja ou coisa semelhante. Uma cidadã conclamava todos a
lutarem pela sobrevivência do shopping da Granja, pois segundo ela, é muito
importante para a região, como se fosse este um patrimônio histórico fadado a
pegar fogo.
Mas não era essa a sua preocupação primeira. Entre outras
coisas, ela receia que o nosso shopping possa se transformar no
Shopping Raposo, pois anda muito mal frequentado. Juro que passei horas a
conjecturar sobre o objeto de tal preocupação e, simplesmente não quis
acreditar no teor da comparação, e acabei por não compreender muito bem
como poderíamos fazer para que esse colosso não feche também suas portas
de acessos
Posto que vivo aqui há mais de 25 anos, e a Granja
sempre foi a Granja, lhe bastando apenas para isso, sua proeminente vegetação,
alguns intelectuais, muitos caipiras e uma infinidade de lojas de rua. Apenas
dispúnhamos de modestas padarias familiares, feiras livres, e
pequenos condomínios com muito verde. A Granja Vianna era tão somente uma
roça para quem apreciava a natureza.
Então, tive a capacidade de perder meu precioso tempo,
tentando achar um maneira de ajudar a não perdermos esse nosso enorme
patrimônio. Pensei em sugerir aí no grupo mesmo por onde foi feito o
pedido de socorro, façamos uma vaquinha e paguemos os encargos comuns das áreas
centrais do edifício. Ou podemos também recorrera à administradora exigindo que
esta abra mão da Cessão de Direitos ou diminua consideravelmente o valor do
aluguel por metro quadrado dos lojistas.
Nós poderíamos também arcar com as despesas dos fundos de
promoções, dando assim uma mãozinha para o departamento de marketing e,
aproveitando ensejo, já poderíamos também promover uma manifestação numa
segunda pela manhã em frente ao referido recinto, exigindo a demissão sumária
da equipe que esquematizou este último evento com o sugestivo nome de Carnivoria, em
plena quaresma, com intuito de atrair, inclusive, vegetarianos.
Um estabelecimento que mantem uma equipe de marketing com
este perfil, pretende realmente suicidar-se ainda que nos predispusermos
a subir a escadaria da Penha de joelhos.
Outra coisa importante também seria uma intervenção nas
cancelas de acesso, quando, junto com o código de barras já saia a declaração
de imposto de renda do cidadão. Não alcançando um equivalente, este, automaticamente
seria proibido de usufruir da prodigiosidade do local. Desta forma, não se
desce o nível além de aumentar o ticket médio.
Definitivamente , não tenho tempo a perder, caso contrário,
daria para estas senhoras preocupadas, uma aulas sobre shopping centers,
pois em síntese, apenas a administradora ganha e todo resto perde,
principalmente, os clientes.
Mas não custa nada lembrá-las de que shopping centers
são um produto advindos de sociedades atrasadas; uma espécie de recinto
que nos dá a falsa sensação de segurança e que estamos tranquilo e entre os
pares, de modo que cidadãos do Jaqueline, Jardim Maria Luíza, Rio
Pequeno ou adjacências não ousam estar entre os granjeiros, pois preferem
o Raposo, por inumaras razões, certamente.
A propósito! Alguém aqui já teve o prazer de visitar
os melhores shoppings da Inglaterra, França, Roma ou Nova Iorque?
Além do mais, se o nível deste nosso Shopping fosse
assim não magnânimo, comparado ao Raposo, não teria sido este o primeiro fechar
a sua livraria. Quanto que o Shopping Raposo simplesmente bomba de dar
inveja, pois se reinventa a cada dia.
Basta que se olhe a praça de alimentação e os corredores
lotados de sacolas por todos os lados, além do cinema sempre cheio, pois este
humilde espaço foi um dos primeiros no Brasil a voltar a exibir filmes
nacionais. Assisti lá ao filme Tieta de Cacá Diegues, há mais de 20 anos ,
quando a nossa produção cinematográfica se encontrava completamente imersa
no limbo do esquecimento.
Portanto já é sabido que para conhecer a natureza dos povos
é preciso ser príncipe e para conhecer a natureza dos príncipes, ser povo.
Agora se há gente por aqui preocupada, verdadeiramente, em fazer algo de
bom pela região da Granja, Cotia em geral, os convido a um desafio ao meu
parecer bem mais nobre.
Salvar o pobre Rio Cotia que, outrora correra majestoso e
hoje não passa de um mísero córrego transportando excrementos humanos como
grande cabedal que a natureza herdou de todo o nosso aclamado progresso.

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