quarta-feira, 5 de junho de 2019

EU NÃO CAIBO NESTE MUNDO DE CONCRETO

Do blog MUNDO DE LINDY LIMA
Socorro eu não caibo neste mundo de fantoches; neste vácuo moderno de concreto, e tão inconcretos de   contextualidade.  Recebi esta semana uma bizarra mensagem que uma amiga extraiu  de um grupo denominado Meninas da Granja ou coisa semelhante. Uma cidadã conclamava todos a lutarem pela sobrevivência do shopping da Granja, pois segundo ela, é muito importante para a região, como se fosse este um patrimônio histórico fadado a pegar fogo.
Mas não era essa a sua preocupação primeira. Entre outras coisas, ela  receia  que o nosso shopping possa se transformar no Shopping Raposo, pois anda muito mal frequentado. Juro que passei horas a conjecturar sobre o objeto de tal preocupação e, simplesmente não quis acreditar no teor da comparação, e acabei por não compreender muito bem  como poderíamos fazer para que esse colosso não feche também suas portas de acessos
Posto que vivo aqui há  mais de 25 anos, e a Granja sempre foi a Granja, lhe bastando apenas para isso, sua proeminente vegetação, alguns intelectuais, muitos caipiras e uma infinidade de lojas de rua. Apenas dispúnhamos de modestas padarias familiares,  feiras livres, e pequenos  condomínios com muito verde. A Granja Vianna era tão somente uma roça para quem apreciava  a natureza.
Então, tive a capacidade de perder meu precioso tempo, tentando achar um maneira de ajudar a não perdermos esse nosso enorme patrimônio. Pensei em sugerir aí no grupo  mesmo por onde foi feito o pedido de socorro, façamos uma vaquinha e paguemos os encargos comuns das áreas centrais do edifício. Ou podemos também recorrera à administradora exigindo que esta abra mão da Cessão de Direitos ou diminua consideravelmente o valor do aluguel por metro quadrado dos lojistas.
Nós poderíamos também arcar com as despesas dos fundos de promoções, dando assim uma mãozinha para o departamento de marketing e, aproveitando ensejo, já poderíamos também promover uma manifestação numa segunda pela manhã em frente ao referido recinto, exigindo a demissão sumária da equipe que esquematizou este último evento com o sugestivo nome de Carnivoria, em plena quaresma, com intuito de atrair, inclusive,  vegetarianos.
Um estabelecimento que mantem uma equipe de marketing com este perfil,  pretende realmente suicidar-se ainda que nos predispusermos a subir a escadaria da Penha de joelhos.
Outra coisa importante também seria uma intervenção nas cancelas de acesso, quando, junto com o código de barras já saia a declaração de imposto de renda do cidadão.  Não alcançando um equivalente, este, automaticamente seria proibido de usufruir da prodigiosidade do local. Desta forma, não se desce o nível além de aumentar o ticket médio.
Definitivamente , não tenho tempo a perder, caso contrário, daria para estas senhoras preocupadas, uma aulas sobre  shopping centers,  pois em síntese, apenas a administradora ganha e todo resto perde, principalmente,  os clientes.
Mas não custa nada lembrá-las de  que shopping centers  são um produto advindos de sociedades atrasadas; uma espécie de recinto que nos dá a falsa sensação de segurança e que estamos tranquilo e entre os pares, de modo que cidadãos  do Jaqueline, Jardim Maria Luíza,  Rio Pequeno ou adjacências  não ousam estar entre os granjeiros, pois preferem o Raposo, por inumaras razões, certamente.
A propósito! Alguém aqui já teve o prazer de  visitar os melhores  shoppings da Inglaterra, França, Roma ou  Nova Iorque?
Além do mais, se o nível deste  nosso Shopping fosse assim não magnânimo, comparado ao Raposo, não teria sido este o primeiro fechar a sua livraria.  Quanto que o Shopping Raposo simplesmente bomba de dar inveja,  pois se reinventa a cada dia.
Basta que se olhe a praça de alimentação e os corredores lotados de sacolas por todos os lados, além do cinema sempre cheio, pois este humilde espaço  foi um dos primeiros no Brasil a voltar a exibir filmes nacionais. Assisti lá ao filme Tieta de Cacá Diegues, há mais de 20 anos , quando a nossa produção cinematográfica se encontrava completamente imersa  no limbo do esquecimento.
Portanto já é sabido que para conhecer a natureza dos povos é preciso ser príncipe e para conhecer a natureza dos príncipes, ser povo. Agora se há gente por aqui preocupada, verdadeiramente, em fazer algo de bom pela  região da Granja, Cotia em geral, os convido a um desafio ao meu parecer bem mais nobre.
Salvar o pobre Rio Cotia que, outrora correra majestoso e hoje não passa de um mísero córrego transportando excrementos humanos como grande cabedal que a natureza herdou de todo o nosso aclamado  progresso.
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