O Brasil sempre foi o lugar das grandes promessas, maiores
reservas florestais, infindáveis mananciais de rios, lagos e terras
cultiváveis. Celeiro do mundo. Cinturão verde da terra. Campeão na produção de
carne bovina, suína e de aves. Líder nas commodities que alimentam o planeta —
café, soja e milho dentre elas. Detentor das principais fontes d’água mineral
existentes. Varrido por um solo abundante em ouro e minérios diversos.
A Nação
abençoada por Deus, onde se plantando tudo dá. Enfim, o País do futuro, a
grande potência de riquezas naturais na face da terra. Não faltaram epítetos.
Mas como todo celeiro de prosperidade que se preze, o Brasil padecia de
atitudes e visões coloniais que o impediam do pleno aproveitamento de tamanhas
oportunidades. Na prática e objetivamente, nunca, em tempo algum, soube
monetizar adequadamente seus atributos.
Fechou acordos míopes e limitados com
parceiros vizinhos. Jamais imaginou conquistar firmemente as longínquas e
rentáveis praças mais distantes de seu território. Deixou de atuar com a
estatura que lhe era devida, digna das reservas que ostentava e ostenta. O
Brasil de dimensões geográficas continentais não passava, no plano comercial,
de uma gota no oceano das transações globais, com índices de exportação e
importação ínfimos, representando uma fração mínima do todo.
Com esses números
risíveis, insignificantes no comparativo, o mercado a dominar seguia
gigantesco, embora parecesse inalcançável. Essa realidade está prestes a mudar.
No mais promissor e histórico acordo jamais fechado com parceiros do primeiro
mundo, o Brasil liderou um entendimento entre os blocos do Mercosul e da União
Europeia capaz de rentabilizar em bilhões de dólares, da noite para o dia,
indústria, comércio e serviços. É, na prática, a maior conquista do governo
Bolsonaro em sua tenra trajetória de seis meses de gestão e se converte também,
automaticamente, na sua principal bandeira daqui para frente.
O entendimento
teve início há 20 anos. Arrastou-se, desandou, foi congelado. O mérito da
equipe que desembarcou no Japão para a reunião anual do G-20 e saiu de lá com o
contrato assinado debaixo do braço foi o de ter percebido a oportunidade e o
senso de diplomacia necessário, com ações na medida adequada, cedendo em
exigências diversas, para alcançar o objetivo. A união dessas duas forças
continentais, por si só, é extraordinária, eloquente em números nunca antes
vistos por essas paragens.
Juntos, os dois blocos colocarão à disposição cerca de 800
milhões de consumidores, que atualmente geram resultados da ordem de US$ 17
trilhões ou 25% do PIB mundial. Numa conta rasteira e superficial, chegou-se à
conclusão de que o Brasil diretamente poderá capitalizar mais de US$ 125
bilhões adicionais em exportações diretamente lastreadas no acordo. O PIB, em
dez anos, terá um incremento de US$ 87,5 bilhões. Os investimentos, em 15 anos,
subirão US$ 113 bilhões, nas estimativas mais conservadoras.
Os resultados, em
se tratando do bloco em gestação, são todos eloquentes. Ao longo da próxima
década as tarifas irão decrescendo até chegarem à zero em diversos produtos da
cesta de produção. O impacto de uma notícia como essa do acordo pode ser capaz
de produzir um círculo virtuoso de oferta e demanda sem precedentes em prazo quase
imediato. Europeus já estão revendo procedimentos e o Brasil, a partir de um
entendimento entre Executivo e Legislativo, deveria pensar em fazer o mesmo. O
quanto antes. Para o cidadão comum, está se falando em vantagens que vão da
geração de empregos a uma maior capacidade de compra com a moeda real, passando
pela oportunidade de aquisição de bens a preços mais baratos.
O Brasil, como
Nação com um leque diversificado de mercadorias a ofertar, se credencia ao
clube dos desenvolvidos e passa a jogar, de pronto, no tabuleiro dos grandes
players internacionais. Não é pouca coisa. O clima de expectativas mais
favoráveis atrai investimentos. Empreendedores novos. E consolida um ambiente
de confiança no futuro. A competitividade das mercadorias é outra área palpável
de ganhos. Empresas terão de enfrentar uma enorme transformação nesse sentido
para se adequar. No cômputo geral do que foi trazido daqueles dias de
negociações no G-20, a histórica assinatura do acordo é mais do que um passo
adiante. Em tempo algum o cenário no plano internacional se mostrou tão
promissor.

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