DataFolha reforça quais devem ser as prioridades de Bolsonaro
Os brasileiros desconfiam das declarações de Jair Bolsonaro,
mas estão otimistas com a economia. E os ministros Sergio Moro e Paulo Guedes
lideram como os mais conhecidos na Esplanada ao término do primeiro ano de
governo.
Bolsonaro entrará em 2020 sem o benefício de poder cometer
erros comuns de um começo de gestão. Ademais, o presidente precisará controlar
seus desejos de conduzir impulsiva e desmedidamente temas de relevância interna
e externa.
O Datafolha mostra que os brasileiros estão preocupados com
o desemprego, a melhoria da saúde e da educação, o desempenho da economia e o
crescimento do país e fiam-se nas expectativas em torno dos ministros da
Economia e da Justiça.
No caso de Moro, menos pela performance na pasta e mais pelo
rescaldo de popularidade que o ex-juiz da Lava Jato levou para Brasília. A
dificuldade em aprovar no Congresso suas bandeiras do pacote anticrime e o
vazamento de mensagens trocadas com integrantes da operação não abalaram a
imagem de Moro.
Ao mesmo tempo, o ministro parece ter superado os
estranhamentos políticos com Bolsonaro, sendo inclusive cotado para uma
eventual vaga de vice na chapa para 2022.
Segundo o Datafolha, 43% dos brasileiros acham que a
economia vai melhorar no curto prazo. A taxa de aprovação do trabalho da equipe
de Paulo Guedes subiu de 20% para 25%.
Guedes deveria aproveitar os dados da pesquisa para entender que seu trabalho é tentar tirar o país do atoleiro, avançar nas reformas, e não sair por aí falando barbaridades autoritárias, como a da volta do AI-5.
Guedes deveria aproveitar os dados da pesquisa para entender que seu trabalho é tentar tirar o país do atoleiro, avançar nas reformas, e não sair por aí falando barbaridades autoritárias, como a da volta do AI-5.
Assim como Bolsonaro poderia refletir (se é que costuma
fazê-lo) sobre o índice de 80% da população que diz desconfiar de suas
declarações.
Não à toa, 28% avaliam que seu comportamento nunca é
condizente com o cargo de presidente —e 25% acham que ele se comporta
adequadamente apenas algumas vezes.
O Datafolha reforça as prioridades urgentes do país e a
necessidade de Bolsonaro cuidar somente delas.
*Leandro Colon, Diretor da Sucursal de Brasília da Folha de
S. Paulo.

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